Chris Salvatore conheceu Norma Cook quando se mudou para um apartamento em West Hollywood, na Califórnia. Após quatro anos de amizade, ele arrecadou cerca de US$ 50 mil, recebeu uma procuração e acolheu a idosa e o gato Hermes em sua casa para que ela não precisasse ir a uma instituição
Chris Salvatore tinha 31 anos quando decidiu transformar a amizade com a vizinha Norma Cook, de 89, em um compromisso de cuidado permanente durante os últimos meses de vida dela. Diagnosticada com leucemia e sem parentes próximos, a idosa precisava de assistência 24 horas, mas não queria deixar seu apartamento para morar em uma instituição.
O ator e cantor criou uma campanha de financiamento coletivo, arrecadou aproximadamente US$ 50 mil e, diante do alto custo dos cuidadores profissionais, convidou Norma e o gato Hermes para se mudarem para sua casa.
As informações foram publicadas pela People em 24 de janeiro de 2017 e pela Time no dia seguinte. Ambas acompanharam a amizade construída no prédio onde os dois moravam, em West Hollywood, na Califórnia.
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Encontro no corredor começou com um aceno pela janela da cozinha
Chris conheceu Norma cerca de quatro anos antes de assumir os cuidados da idosa. Quando se mudou para o edifício, descobriu que ela vivia no apartamento em frente ao seu.
Norma, que havia trabalhado como decoradora de interiores, costumava acenar pela janela da cozinha quando via o novo vizinho deixando o apartamento. Depois de alguns encontros no corredor, Chris decidiu perguntar se poderia entrar para conversar.
Ela o recebeu com uma taça de champanhe. Segundo o ator, a conexão foi imediata.
Término de relacionamento aproximou o ator da vizinha
Naquela época, Chris enfrentava o fim de um relacionamento e atravessava um período de tristeza. Ele começou a visitar Norma e passava horas conversando com ela.
A disposição da idosa para ouvi-lo ajudou o ator durante aquele momento difícil. Com o passar do tempo, os encontros deixaram de ser ocasionais e entraram na rotina dos dois.
Eles cozinhavam, conversavam sobre moda e comida e brincavam com Hermes, o gato de Norma. Apesar da diferença de 58 anos, tornaram-se melhores amigos.

Quatro anos de refeições, conversas e companhia diária
A amizade cresceu durante quatro anos. Chris publicava fotografias e vídeos dos dois nas redes sociais com a hashtag #MyNeighborNorma, ou “minha vizinha Norma”.
As postagens mostravam refeições, comemorações e momentos cotidianos. Aos poucos, a dupla conquistou seguidores interessados na relação construída entre pessoas de gerações tão diferentes.
Para Chris, Norma tornou-se a “avó adotiva”. Para ela, o ator era o “neto que nunca teve”.
Leucemia havia sido diagnosticada dez anos antes
Norma convivia havia cerca de dez anos com a leucemia. Divorciada desde os 43 anos e sem filhos, ela não tinha familiares próximos na região de West Hollywood que pudessem assumir os cuidados diários.
Quando sua saúde piorou, a idosa passou a entrar e sair do hospital. De acordo com o relato de Chris à People, foram seis internações em apenas um ano.
Na última alta hospitalar, os médicos estabeleceram uma condição: Norma não poderia voltar para casa sem receber assistência durante as 24 horas do dia.
“Eu preferiria morrer a ir para uma instituição”
Uma casa de repouso apareceu como uma das alternativas para garantir a segurança da idosa. Norma, porém, rejeitou a possibilidade e afirmou que preferia morrer a ser encaminhada para uma instituição.
Chris não queria que a melhor amiga passasse os últimos meses longe de seu ambiente e das pessoas com quem havia criado vínculos.
O ator decidiu assumir a responsabilidade e tornou-se o cuidador principal de Norma. Também recebeu uma procuração para ajudá-la a tomar providências relacionadas às necessidades médicas e financeiras.
Campanha arrecadou aproximadamente US$ 50 mil para os cuidados
A assistência domiciliar exigia recursos que Norma não tinha. Conforme a Time, o benefício da Previdência Social recebido pela idosa mal cobria o aluguel, enquanto as despesas médicas continuavam aumentando.
Chris recorreu aos seguidores que acompanhavam a amizade nas redes sociais e abriu uma campanha no GoFundMe. O dinheiro seria usado para pagar os custos dos cuidados domiciliares que não eram cobertos pelo seguro.
A mobilização arrecadou aproximadamente US$ 50 mil. A quantia permitiu contratar cuidadores e manter visitas de enfermeiros e médicos, mas o custo da assistência profissional permanente ainda consumiria rapidamente os recursos.
Norma e o gato Hermes se mudaram para a casa de Chris
Para fazer o dinheiro durar por mais tempo e permanecer próximo da amiga, Chris convidou Norma para morar em seu apartamento. Hermes também foi levado para a nova casa.
A mudança ocorreu cerca de um mês depois do início da arrecadação. Norma já recebia cuidados paliativos e havia sido informada de que poderia ter apenas alguns meses de vida.
Chris tornou-se sua principal companhia, enquanto cuidadores profissionais e profissionais da saúde ajudavam nas necessidades clínicas. Enfermeiros do serviço de cuidados paliativos visitavam o apartamento duas vezes por semana.
Máquina respiratória e dificuldade para permanecer em pé
A saúde de Norma estava fragilizada. Ela quase não conseguia permanecer em pé e precisava utilizar uma máquina para respirar.
Mesmo assim, Chris dizia que a amiga continuava lúcida, espirituosa e direta. Ela comentava sobre as roupas do ator quando não gostava de alguma escolha e mantinha o senso de humor que havia marcado a amizade desde o primeiro encontro.
Norma também falava abertamente sobre a morte. Havia dias melhores e outros mais difíceis, mas os dois permaneciam juntos.
Rotina de cuidador trouxe um desafio emocional
A transição de melhor amigo para cuidador principal não foi simples. Chris precisava administrar os compromissos práticos enquanto acompanhava a deterioração da saúde de alguém com quem havia criado uma relação profunda.
Ele contou que tentava se manter forte para não demonstrar tristeza diante de Norma. Sua prioridade era fazê-la se sentir confortável, amada, acompanhada e em paz.
Para o ator, cuidar da amiga era uma forma de retribuir a companhia que ela havia oferecido quando ele atravessava um dos períodos mais difíceis da própria vida.
Último Dia dos Namorados teve jantar, flores e champanhe
Em 14 de fevereiro de 2017, Chris preparou uma comemoração de Dia dos Namorados para Norma. Os dois fizeram uma refeição, beberam champanhe e trocaram flores e chocolates.
Segundo uma reportagem posterior da People, Norma morreu no dia seguinte, aos 89 anos, devido a complicações da leucemia.
Chris afirmou que a amiga havia transformado sua vida e o tornado uma pessoa mais gentil e compassiva. Ele também disse sentir-se honrado por ter compartilhado com ela seus últimos momentos.
“Você nunca sabe quem pode se tornar seu amigo mais querido”
Depois da experiência, Chris passou a incentivar outras pessoas a conhecerem vizinhos e desconhecidos que poderiam parecer diferentes à primeira vista.
Para ele, a diferença de idade nunca impediu a conexão com Norma. A convivência iniciada por um simples aceno no corredor terminou como uma relação familiar construída por escolha.
A história mostrou como uma conversa entre vizinhos se transformou em quatro anos de amizade, uma campanha de US$ 50 mil e uma rotina de cuidados que permitiu a Norma passar seus últimos dias acompanhada, em casa e ao lado do gato Hermes.
Na sua opinião, a atitude de Chris Salvatore mostra a força da solidariedade entre vizinhos ou também revela como idosos sem familiares próximos podem ficar desamparados quando precisam de assistência permanente? Deixe sua opinião nos comentários.
