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Aos 17 anos, estudante criou um robô sobre esteiras para entrar em prédios em chamas, enxergar vítimas com câmera térmica, superar obstáculos e permitir que bombeiros procurem pessoas sem entrar primeiro na área de maior risco

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Escrito por Flavia Marinho Publicado em 08/08/2026 às 15:27 Atualizado em 08/08/2026 às 15:31
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Imagem: Siddharth Thakur / Reprodução
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O FireBot nasceu após o jovem conhecer os riscos enfrentados por bombeiros e evoluiu por três protótipos até ganhar esteiras, câmera térmica, sensores e comunicação com vítimas. A tecnologia foi pensada para avançar por locais perigosos, transmitir informações do interior de prédios em chamas e ajudar equipes de emergência a entender o cenário antes de expor uma pessoa diretamente ao ambiente.

Enquanto muitos jovens de 17 anos estavam começando a vida universitária, Siddharth Thakur já trabalhava em uma máquina projetada para enfrentar um cenário muito mais extremo. Seu robô para incêndios, chamado FireBot, havia sido desenvolvido para entrar em prédios em chamas, atravessar obstáculos e transmitir informações que pudessem ajudar bombeiros na procura por vítimas.

Na publicação de 8 de outubro de 2021, Thakur cursava o primeiro ano de Engenharia Elétrica e de Computação na Universidade do Texas em Austin e já havia construído três gerações do protótipo. A Cockrell School of Engineering da UT Austin, escola de engenharia da universidade, publicou a trajetória do estudante e detalhou a evolução da máquina.

O projeto saiu de um pequeno veículo com rodas e chegou a uma estrutura sobre esteiras equipada com câmera térmica, transmissão de vídeo, sensores e comunicação em duas direções. O objetivo era simples de entender, embora tecnicamente difícil de executar: mandar primeiro uma máquina para um ambiente onde uma pessoa pode correr risco de morrer.

A morte de um bombeiro transformou um problema real em projeto de engenharia

A ideia começou anos antes de Thakur entrar na universidade. Ainda no ensino médio, ele soube da morte de um bombeiro de sua região e passou a pensar sobre o risco enfrentado por profissionais que precisam entrar em estruturas incendiadas para procurar pessoas.

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Naquela época, o estudante trabalhava em um projeto de ciências dentro de um laboratório de fabricação ligado ao Houston Community College. A partir dali, começou a buscar informações diretamente com profissionais que conheciam o problema na prática.

Thakur conversou com bombeiros e também procurou outros departamentos de incêndio nos Estados Unidos. Essas conversas mostraram que uma das dificuldades estava justamente em entrar em um ambiente perigoso sem saber exatamente o que existe lá dentro, enquanto cada minuto pode fazer diferença para alguém preso no local.

A robótica passou então a ser usada para tentar responder a essa necessidade. Em vez de imaginar uma máquina apenas para demonstrar conhecimento técnico, o jovem começou a desenvolver um equipamento que pudesse entrar no local, observar o ambiente e devolver informações para a equipe posicionada em uma área mais segura.

Três protótipos levaram o FireBot das pequenas rodas para uma plataforma sobre esteiras

O primeiro FireBot era bem diferente da versão que Thakur apresentaria anos depois. A máquina começou como um pequeno veículo de quatro rodas, mas o projeto mudou à medida que o estudante recebia informações de profissionais de emergência e identificava limitações.

Um prédio atingido por incêndio pode apresentar objetos espalhados e diferentes obstáculos no caminho. Por isso, uma máquina feita apenas para circular em uma superfície simples poderia ter dificuldades para avançar.

A solução encontrada durante o desenvolvimento foi substituir a configuração inicial por uma plataforma sobre esteiras. Esse tipo de estrutura aumentava a capacidade do robô de passar por obstáculos encontrados no percurso.

Ao todo, Thakur chegou a três protótipos. As mudanças não ficaram apenas na parte externa. O sistema de controle também avançou até chegar a um painel semiautônomo, permitindo reunir diferentes funções usadas para observar e controlar o equipamento.

Câmera térmica ajuda o robô a procurar vítimas onde a visão comum pode não ser suficiente

Um dos recursos mais importantes incorporados ao FireBot foi a câmera térmica. Em termos simples, essa tecnologia permite observar diferenças de temperatura no ambiente e pode ajudar na identificação de pessoas mesmo quando enxergar normalmente se torna difícil.

O robô também transmite vídeo ao vivo para quem controla o equipamento. Assim, a equipe pode receber informações do interior da estrutura sem depender apenas de alguém entrando fisicamente no local para fazer a primeira observação.

Câmera térmica ajuda o robô a procurar vítimas onde a visão comum pode não ser suficiente
Câmera térmica ajuda o robô a procurar vítimas onde a visão comum pode não ser suficiente

Sensores complementam o sistema e ampliam as informações coletadas durante o percurso. A combinação desses recursos transforma o FireBot em uma espécie de observador móvel, capaz de avançar enquanto envia dados para fora.

A proposta não elimina a necessidade dos bombeiros. Ela procura fornecer mais informações antes ou durante uma operação de busca, permitindo que os profissionais conheçam melhor o ambiente em que precisam trabalhar.

Bombeiros também poderiam conversar com uma pessoa encontrada pelo FireBot

Localizar alguém dentro de um prédio incendiado resolve apenas parte do problema. Se a vítima estiver consciente, ainda pode ser necessário descobrir sua condição e orientar seus próximos movimentos.

Por isso, o FireBot recebeu um sistema de comunicação em duas direções. A função permite que bombeiros falem com uma pessoa localizada pelo robô e também recebam uma resposta.

Esse recurso acrescenta outra dimensão ao projeto. A máquina deixa de funcionar somente como olhos dentro da estrutura e também passa a servir como um canal entre a equipe de emergência e quem está preso no local.

A Cockrell School of Engineering da UT Austin, escola de engenharia da universidade, também registrou que o projeto acumulava recursos como câmera térmica, sensores e controle mais avançado após as sucessivas versões desenvolvidas por Thakur.

O FireBot impressiona pela proposta, mas ainda existia uma distância entre o protótipo e o uso real

Embora a ideia tenha sido criada para resolver um problema enfrentado por bombeiros, o FireBot ainda era apresentado em 2021 como um protótipo em desenvolvimento. Esse ponto é importante para não confundir a capacidade demonstrada pelo projeto com a de um equipamento já incorporado às operações regulares de emergência.

Thakur pretendia continuar trabalhando na tecnologia para que, no futuro, ela pudesse chegar aos departamentos de bombeiros. Portanto, não havia indicação de que o FireBot já substituísse equipamentos profissionais ou tivesse se tornado uma ferramenta certificada para entrar rotineiramente em incêndios reais.

O projeto também levou o estudante à final universitária da Collegiate Inventors Competition e lhe rendeu o prêmio de escolha popular da Arrow Electronics. Ainda assim, seu principal diferencial estava no caminho percorrido desde o ensino médio: identificar um risco real, conversar com quem enfrentava o problema e modificar repetidamente a máquina.

Aos 17 anos, Thakur já havia transformado um pequeno veículo de quatro rodas em um robô sobre esteiras capaz de transmitir imagens, enxergar diferenças de temperatura, superar obstáculos e estabelecer comunicação entre bombeiros e possíveis vítimas.

O FireBot ainda precisava avançar para deixar o estágio de protótipo e se tornar uma ferramenta operacional. Mesmo assim, suas três versões mostraram como engenharia e robótica podem ser direcionadas para reduzir a exposição humana justamente nos ambientes em que cada decisão envolve risco.

Se um robô puder mostrar onde está uma vítima antes que um bombeiro entre em um prédio em chamas, até que ponto máquinas como essa poderiam mudar a forma como os resgates são realizados?

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Flavia Marinho

Flavia Marinho é Engenheira pós-graduada, com vasta experiência na indústria de construção naval onshore e offshore. Nos últimos anos, tem se dedicado a escrever artigos para sites de notícias nas áreas militar, segurança, indústria, petróleo e gás, energia, construção naval, geopolítica, empregos e cursos. Entre em contato com flaviacamil@gmail.com ou WhatsApp +55 21 973996379 para correções, sugestão de pauta, divulgação de vagas de emprego ou proposta de publicidade em nosso portal.

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