Coleção iniciada por Roberto Lee em 1948 cresceu, reuniu veículos raríssimos e ajudou a transformar Caçapava em referência nacional dos carros antigos.
Uma paixão iniciada ainda na adolescência ajudou a mudar definitivamente a relação de Caçapava, no interior de São Paulo, com os carros antigos.
Em 1948, Roberto Eduardo Lee, então com apenas 14 anos, começou uma coleção que mais tarde daria origem ao primeiro museu brasileiro dedicado ao antigomobilismo.
Décadas depois, aquela iniciativa seria reconhecida nacionalmente e contribuiria para que Caçapava recebesse oficialmente o título de Capital Nacional do Antigomobilismo.
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Coleção iniciada aos 14 anos virou museu
O interesse de Roberto Lee pelos automóveis antigos cresceu rapidamente.
O jovem passou a procurar veículos, motores e peças históricas em diferentes regiões do Brasil, ampliando continuamente seu acervo.
Em 1963, Roberto fundou no bairro do Tatuapé, em São Paulo, o Museu Paulista de Antiguidades Mecânicas.
Segundo registros da Prefeitura de Caçapava, o espaço tornou-se o primeiro museu brasileiro de carros antigos aberto ao público.
O reconhecimento também veio naquele mesmo ano, quando o museu recebeu o título de utilidade pública do Governo do Estado de São Paulo.
Acervo foi transferido para Caçapava
O crescimento da coleção exigiu um espaço maior.
Em 1964, os automóveis foram transferidos para a Fazenda Esperança, em Caçapava, onde passaram a ocupar antigos galpões ligados às Indústrias Reunidas Matarazzo.
O novo endereço ajudou a aproximar definitivamente a cidade do antigomobilismo.
Durante a década de 1970, o museu chegou a manter mais de 90 veículos expostos.
Segundo a Prefeitura de Caçapava, aproximadamente 250 visitantes por semana passavam pelo local.

Morte de Roberto Lee mudou o rumo do museu
A trajetória sofreu uma mudança importante em 1975, quando Roberto Lee morreu precocemente.
O acervo permaneceu sob responsabilidade da família durante os anos seguintes.
O museu continuou funcionando até 1993, quando fechou definitivamente suas portas.
Parte dos veículos emprestados foi devolvida aos proprietários.
Outros automóveis e peças permaneceram armazenados e acabaram sofrendo deterioração e vandalismo ao longo do tempo.
Prefeitura assumiu coleção em 2011
A recuperação do patrimônio ganhou força em 10 de janeiro de 2011.
Naquela data, o restante da coleção foi doado à Prefeitura de Caçapava.
Os veículos foram transferidos para o Centro Educacional, Cultural e Esportivo José Francisco Natali.
Equipes passaram a trabalhar na higienização, catalogação, conservação e recuperação das peças históricas.
A medida abriu uma nova fase para o patrimônio criado por Roberto Lee.
Caçapava ganhou título nacional em 2016
O reconhecimento oficial chegou em 12 de janeiro de 2016.
A Lei nº 13.244 declarou Caçapava como Capital Nacional do Antigomobilismo.
A legislação foi aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pela Presidência da República.
O título reforçou a importância histórica do município para a preservação de automóveis clássicos no Brasil.
Tucker Torpedo é uma das maiores raridades
Entre os veículos preservados, um dos principais destaques é o Tucker Torpedo 1948.
O automóvel foi desenvolvido pelo empresário norte-americano Preston Tucker e apresentou soluções consideradas avançadas para sua época.
O modelo contava com motor traseiro, três faróis e recursos de segurança incomuns naquele período.
A produção foi encerrada depois de apenas 51 unidades construídas.
Segundo a Prefeitura de Caçapava, o exemplar preservado no acervo foi o único Tucker que circulou oficialmente em território brasileiro.
Maverick histórico também integra o acervo
Outro veículo de destaque é um Ford Maverick 1973 utilizado no Raid da Integração Nacional.
O automóvel percorreu mais de 16 mil quilômetros durante a iniciativa organizada pela Ford e pela Embratur.
Décadas depois, o Maverick passou por restauração envolvendo prefeitura, oficinas especializadas e clubes ligados ao antigomobilismo.
Um raro trator alemão MAN C-40, fabricado em 1956, também foi recuperado.
Segundo a administração municipal, existem apenas cinco unidades desse modelo no Brasil.
Festival mantém viva a história dos carros antigos
O legado iniciado por Roberto Lee continua presente no Festival Nacional de Antigomobilismo Roberto Lee.
O evento reúne veículos clássicos, colecionadores, exposições, antiguidades e atrações culturais.
Em uma das edições, aproximadamente 20 mil visitantes e mais de 500 carros antigos passaram pelo festival.
A movimentação reforça a ligação entre Caçapava e a preservação da história automobilística brasileira.
Muito além dos carros antigos
A cidade também oferece outras atrações para quem visita a região.
Entre elas estão a Igreja Matriz de São João Batista, a Rota do Tropeiro, o Museu Militar e o Parque da Moçota.
O município mantém, dessa forma, uma relação com o turismo que ultrapassa o universo dos automóveis clássicos.
Uma coleção iniciada por um adolescente virou patrimônio nacional
Mais de sete décadas depois daquele primeiro carro adquirido em 1948, a história de Roberto Lee permanece ligada à identidade de Caçapava.
O que começou como o hobby de um garoto de 14 anos acabou formando um importante acervo histórico brasileiro.
A trajetória também ajudou a consolidar Caçapava como um dos principais destinos ligados ao antigomobilismo no Brasil.
Na sua opinião, o que mais chama atenção nessa história: Roberto Lee ter começado sua coleção aos 14 anos ou Caçapava ter transformado esse legado em identidade nacional do antigomobilismo? Deixe seu comentário.
