Foram meses de polêmicas e de análises de processos judiciais até que o início do processo de arremate de fato acontecesse, trazendo esperanças para economia local
A Justiça de Ipojuca, município do litoral sul de Pernambuco, vizinho ao Cabo de Santo Agostinho, onde está localizado o Porto de Suape, começou a receber as propostas de empresas interessadas em duas áreas que o Estaleiro Atlântico Sul está oferecendo. A companhia está em Recuperação Judicial desde 2020 e necessita quitar uma dívida de cerca de R$ 1,4 bilhão junto ao Banco Nacional Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O leilão é marcado por várias polêmicas e uma tentativa difícil de superar a Maersk, que já saiu na frente na disputa.
Acontece que o grupo dinamarquês Maersk, por meio de sua integrante APM Terminais B.V. (APMT), já vinha tendo conversas com a direção do Porto de Suape. Além disso, foi a primeira a apresentar proposta de compra do Estaleiro Atlântico Sul. O outro grupo interessado é o Tecon Suape, com sede nas Filipinas e que já opera no local. Como estratégia de vencer os poderosos dinamarqueses, se aliou à Cone Suape, formando um consórcio que lançou a oferta de R$ 450 milhões, cobrindo em R$ 150 milhões a mais do que a proposta inicial da APM Terminals.
Vale destacar que os dinamarqueses têm até três dias para cobrir a proposta dos adversários do leilão. Esse é um dos benefícios de ter o direito do Stalking Horse. Essa condição configurada pois o Estaleiro Atlântico Sul, por meio de justificativas legais previstos no edital, escolheu a Maersk o direito da primeira oferta pelos seus ativos (total ou parcial). Assim, determinando a oferta base, para que os demais concorrentes não possam ofertar valores abaixo.
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O Tecon questionou essa escolha, alegando que se fazia necessário a observância ao princípio constitucional da isonomia a fim de garantir igualdade de oportunidades no certame. A justificativa foi aceita a princípio, mas o Tribunal de Justiça de Pernambuco depois mudou a decisão e então marcou a data do início do processo de da compra. Segundo o Porto de Suape, o Tecon nem sequer teria visitado o terreno que tem acesso ao mar. O resultado final do leilão do Estaleiro Atlântico Sul só deve ser anunciado na próxima semana.
O que cada grupo pretende fazer no EAS
A proposta dos dinamarqueses da Maersk é de investir até R$ 2,6 bilhões em um novo terminal para a movimentação de 400 mil contêineres no local. Já os filipinos estariam mirando a retomada de fabricação de navios no local, enquanto que a Conepar, outra concorrente, que controla o Cone Suape, pode realizar diversos investimentos no terreno, que incluem até um possível TUP.
A operação de TEUs é vista pela presidência do Porto de Suape como mais interessante do ponto de vista de rentabilidade, se comparado com a fabricação e reparos de embarcações. E com o real desvalorizado em relação ao dólar, a possibilidade de compra por um grupo internacional é maior.
O Governo de Pernambuco, que é quem controla o complexo portuário, já se declarou a favor da proposta da Maersk antes do início do leilão por entender que o novo terminal trará concorrência aos filipinos, uma vez que o Porto de Suape recebe a maior parte sua receita paga sobre taxas de arredamento pelo Tecon Suape, vencedor de uma licitação internacional em 2001.
Atualmente, o Estaleiro Atlântico Sul tem cerca de 500 funcionários. Entre os anos de 2007 e 2014, todo o EAS chegou a gerar mais de 11 mil empregos. Naquela época, o estado de Pernambuco foi apontado como situação de quase pleno emprego (quando a taxa de desemprego não passa dos 6%), até sucumbiu após a decaída geral da indústria naval.
Em 2021, o Estaleiro realizou serviços em 11 embarcações, gerando receitas de R$ 65,4 milhões, tornando possível uma geração de caixa líquida de R$ 26,6 milhões. O empreendimento é administrado pelas empreiteiras Queiroz Galvão e Camargo Correa.
