Motocicleta elétrica de grande porte abre uma nova etapa na estratégia da Honda ao reunir desempenho elevado, bateria fixa, recarga rápida e sistemas eletrônicos de assistência em um conjunto desenvolvido para aproximar a experiência elétrica da rotina de quem já utiliza modelos convencionais.
Primeira motocicleta elétrica full size da Honda produzida em série, a WN7 marca a entrada da fabricante japonesa no segmento de modelos elétricos de grande porte, combinando motor refrigerado a líquido, bateria estrutural e recursos eletrônicos voltados à condução diária.
Apresentado inicialmente como conceito EV Fun no Salão de Milão de 2024, o projeto evoluiu até chegar à configuração de produção destinada ao mercado europeu em 2026, preservando a proposta de entregar desempenho próximo ao de motocicletas convencionais de média cilindrada.
No nome escolhido pela fabricante, “W” faz referência ao conceito “Be the Wind”, ou “Seja o Vento”, enquanto “N” identifica a categoria naked, caracterizada pela ausência de grandes carenagens, e o número 7 representa a classe de desempenho atribuída ao modelo.
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Com 217 quilos, a motocicleta mantém dimensões próximas às encontradas em modelos convencionais de média cilindrada, mas substitui motor a combustão, tanque de combustível e escapamento por uma bateria de íons de lítio integrada estruturalmente ao conjunto elétrico.
Essa mudança de arquitetura também permitiu estreitar a carroceria e adotar transmissão final por correia dentada no lugar da corrente, solução que reduz ruído, vibração e necessidade de lubrificação, embora continue exigindo inspeções e substituição conforme o plano de manutenção.
Honda WN7 entrega até 68 cv e 100 Nm

Responsável pela propulsão, o motor elétrico refrigerado a líquido trabalha com potência contínua de 18 kW, equivalente a aproximadamente 24 cv, mas pode atingir pico de 50 kW, cerca de 68 cv, durante situações que exigem maior desempenho.
Essa diferença entre potência contínua e máxima ocorre porque o conjunto elétrico consegue entregar seu nível mais elevado por períodos limitados, enquanto os 18 kW representam a capacidade que pode ser mantida de maneira sustentada durante o funcionamento da motocicleta.
Já o torque chega a 100 Nm, aproximadamente 10,2 kgfm, com disponibilidade praticamente imediata desde o início da aceleração, característica típica de motores elétricos e responsável por uma resposta mais direta ao comando aplicado pelo motociclista no acelerador.
Segundo a Honda, o desempenho obtido pode ser comparado ao de uma motocicleta a combustão de 600 cilindradas, enquanto a força entregue pelo conjunto aproxima o torque daquilo que normalmente aparece em modelos equipados com motores de maior cilindrada.
Sem necessidade de trocas de marcha, a WN7 acelera de zero a 100 km/h em cerca de 4,6 segundos, resposta que favorece retomadas rápidas, mas também exige adaptação do condutor diante da entrega instantânea de força, principalmente nos modos mais esportivos.
Autonomia de até 140 quilômetros por carga
No centro do sistema elétrico está uma bateria fixa de 9,3 kWh, responsável por oferecer autonomia divulgada pela Honda de até 140 quilômetros no ciclo WMTC, método internacional utilizado para medir consumo e alcance de motocicletas em condições padronizadas.
Fora das condições controladas do ciclo, fatores como velocidade, peso transportado, temperatura, relevo e estilo de condução interferem diretamente na distância percorrida, fazendo com que o alcance registrado no uso cotidiano possa ficar acima ou abaixo da referência divulgada.

Durante trajetos urbanos, desacelerações mais frequentes favorecem o aproveitamento da frenagem regenerativa, enquanto percursos rodoviários mantidos em velocidades elevadas aumentam a resistência aerodinâmica e tendem a exigir mais energia da bateria ao longo de uma mesma distância.
Com esse alcance, a proposta da WN7 se concentra principalmente em deslocamentos diários e viagens mais curtas, enquanto percursos rodoviários extensos dependem de planejamento das paradas e da disponibilidade de pontos de recarga compatíveis ao longo da rota escolhida.
Recarga rápida leva bateria de 20% a 80% em 30 minutos
Para reduzir o tempo conectado à rede elétrica, a motocicleta utiliza padrão europeu CCS2 para recarga rápida em corrente contínua, permitindo levar a bateria de 20% a 80% em aproximadamente 30 minutos quando há um carregador compatível disponível.
Quando a alimentação ocorre em corrente alternada, uma estação ou carregador residencial com capacidade de 6 kVA pode completar a carga em aproximadamente duas horas e meia, tempo que depende diretamente da potência fornecida e das características da instalação elétrica utilizada.
Por outro lado, em uma tomada doméstica comum, o processo se aproxima de cinco horas e meia, razão pela qual o período de duas horas e meia não pode ser considerado referência universal para qualquer ponto residencial de fornecimento de energia.
Como a bateria não é removível, a WN7 precisa permanecer estacionada próxima ao carregador durante o processo, característica que pode representar uma limitação prática para usuários que vivem em edifícios ou utilizam garagens sem infraestrutura elétrica adequada.
Modos de pilotagem e frenagem regenerativa
Na condução, quatro modos de pilotagem — Standard, Sport, Rain e Econ — alteram a entrega de potência, a resposta do acelerador e o funcionamento dos sistemas eletrônicos, permitindo adaptar o comportamento da motocicleta a diferentes condições de uso.
Também ajustável, a frenagem regenerativa possui quatro níveis e utiliza o próprio motor elétrico para desacelerar a motocicleta quando o acelerador é reduzido, recuperando parte da energia e produzindo um efeito semelhante ao freio-motor encontrado em veículos a combustão.

Ainda assim, esse sistema não substitui os freios convencionais, formados por dois discos dianteiros e um traseiro, acompanhados de ABS de duplo canal com atuação em curvas e monitoramento realizado por uma unidade de medição inercial.
Ao acompanhar os movimentos e a inclinação da moto, essa unidade fornece dados para ajustar o funcionamento dos sistemas de segurança, enquanto o controle de tração HSTC reduz a entrega de torque quando identifica perda de aderência durante a condução.
Entre os recursos adicionais aparecem um limitador de velocidade selecionável e o modo de caminhada, capaz de movimentar a motocicleta lentamente para a frente ou para trás e facilitar manobras em vagas, rampas e garagens, especialmente considerando seus 217 quilos.
WN7 usa eletrônica avançada, mas não IA generativa
Embora reúna diversos controles digitais, a Honda não apresenta a WN7 como uma motocicleta equipada com inteligência artificial generativa, nem inclui um assistente capaz de manter conversas semelhantes às oferecidas por plataformas como ChatGPT, Gemini ou outros serviços desse tipo.
Em vez disso, sensores, programas de controle e algoritmos monitoram parâmetros como inclinação, aderência, aceleração e frenagem, formando um conjunto de assistência eletrônica voltado à dinâmica da motocicleta, sem tomar decisões autônomas sobre o trajeto percorrido pelo condutor.
Complementando esses recursos, o painel TFT de cinco polegadas pode se conectar ao smartphone por meio do Honda RoadSync, sistema que oferece funções compatíveis de navegação, chamadas e reprodução de música, dependendo do celular e dos serviços disponibilizados em cada país.
Preço da Honda WN7 e situação no Brasil
No início de sua trajetória comercial europeia, a WN7 apareceu com preço anunciado de £ 13 mil no Reino Unido e valores próximos de € 15 mil em outros mercados, posicionando a motocicleta entre os modelos elétricos de maior porte da fabricante.
Embora a Honda já tenha apresentado informações sobre a WN7 em seus canais brasileiros, ainda não há confirmação de preço, data de lançamento ou início de vendas regulares no país, e o modelo não aparece entre as motocicletas disponíveis nacionalmente.
Uma eventual comercialização no mercado brasileiro dependerá de fatores como homologação, estratégia da fabricante e compatibilidade com a infraestrutura de recarga, enquanto o conjunto apresentado na Europa combina desempenho, autonomia e recursos eletrônicos em uma proposta voltada à eletrificação das motocicletas de maior porte.
Com desempenho de moto de média cilindrada, autonomia de até 140 quilômetros e necessidade de acesso à recarga, a Honda WN7 teria espaço na rotina dos motociclistas brasileiros ou essas características ainda limitariam sua adoção no país?
