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A saída de 1.446 milionários do Brasil em 2025 parece alta, mas representa menos de 1% do total de super-ricos, que hoje já passa de 366 mil

Escrito por Carla Teles
Publicado em 29/08/2025 às 21:41
A saída de 1.446 milionários do Brasil em 2025 parece alta, mas representa menos de 1% do total de super-ricos, que hoje já passa de 366 mil
Milionários estão mesmo fugindo do Brasil? Apesar do alarde, dados inéditos da Receita mostram que a proporção de saídas está caindo. Entenda a verdade por trás dos números.
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Apesar do aumento no número absoluto de saídas, a proporção de super-ricos que deixam o país está em queda desde 2017, segundo levantamento inédito.

A discussão sobre uma possível fuga de milionários do Brasil ganha força com a reforma do Imposto de Renda. Projeções de consultorias apontam para um êxodo crescente. Contudo, dados oficiais inéditos da Receita Federal, obtidos pela BBC News Brasil, mostram um cenário mais complexo e revelam que a realidade é diferente do que parece.

Reforma tributária e a suposta debandada dos mais ricos

A ideia de que milionários estão deixando o Brasil voltou ao debate público. O principal motivo é o avanço da reforma do Imposto de Renda. A proposta prevê aumentar a tributação sobre os mais ricos. Em contrapartida, busca isentar quem ganha até R$ 5 mil.

Essa narrativa foi reforçada por um relatório da consultoria Henley & Partners. A empresa, que auxilia ricos a obterem vistos de investimento, estimou que 1,2 mil milionários devem deixar o país este ano. Isso representaria um aumento de 50% em relação a 2024. A projeção colocaria o Brasil como líder no “êxodo de milionários” na América Latina. Contudo, a metodologia desses relatórios é questionada por especialistas.

Dados oficiais contam uma história diferente do alarde

Para verificar os fatos, a BBC News Brasil solicitou dados à Receita Federal via Lei de Acesso à Informação. O levantamento inédito se baseia nas declarações de saída definitiva do país, documento obrigatório para quem se muda de forma permanente ou por mais de 12 meses.

Os números mostram que a saída de milionários (pessoas com renda anual acima de R$ 1 milhão) voltou a crescer após a pandemia. Em 2025, até agosto, 1.446 milionários declararam sua saída. Este é o segundo maior número da série histórica, iniciada em 2011, ficando atrás apenas de 2017, com 1.461 saídas.

O pico de 2017 ocorreu em um cenário de recessão, crise política com o impeachment de Dilma Rousseff e a Operação Lava-Jato em andamento.

O número absolutoengana: a importância da análise proporcional

Analisar apenas os números absolutos pode levar a conclusões erradas. Especialistas apontam que o total de milionários no Brasil cresceu de forma robusta no período, passando de 81 mil em 2011 para mais de 366 mil em 2023. Esse aumento se deve à inflação, ao crescimento do PIB e à maior concentração de renda.

A forma mais precisa de avaliar o fenômeno é analisar a proporção de saídas em relação ao total de milionários. E esse cálculo, feito com exclusividade para a reportagem, mostra uma realidade diferente: a parcela de milionários que deixa o Brasil a cada ano vem caindo desde 2017.

Na prática, menos de 1% dos milionários deixa o Brasil anualmente. A média do período é de 0,5% ao ano. Para Manoel Pires, do FGV Ibre, “é difícil dizer que tem fuga de milionários por conta da agenda tributária”.

Por que milionários deixam o Brasil

Consultorias como a Henley & Partners apontam que a saída se deve ao ambiente político, mudanças econômicas, busca por novos estilos de vida, oportunidades de negócios e segurança. A incerteza tributária seria um fator adicional.

No entanto, especialistas em política fiscal discordam que a tributação seja o principal motivo. Sergio Gobetti, do Ipea, questiona para onde esses milionários migrariam para ter um tratamento fiscal mais privilegiado que no Brasil, um dos poucos países que não taxam lucros e dividendos.

Segundo ele, a reforma proposta não seria suficiente para justificar uma mudança de país. Mesmo com a nova taxa de 10% sobre dividendos, a tributação de lucros no Brasil (40,6%) ainda ficaria abaixo da média de 42,8% dos países da OCDE.

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Carla Teles

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