Fontes hidrotermais localizadas a milhares de metros de profundidade mantêm água acima de 400 °C em estado líquido, liberam minerais e sustentam formas de vida que sobrevivem sem luz solar em condições extremas do oceano
Existe um fenômeno natural ocorrendo no fundo do oceano que segue impressionando hoje e poucos sabem disso. A milhares de metros abaixo da superfície, a água do oceano pode passar dos 400 °C e continuar líquida. O fenômeno hoje ocorre ao redor de fontes hidrotermais, onde pressão extrema, calor vindo de regiões próximas ao magma e minerais dissolvidos criam um dos ambientes mais severos conhecidos no fundo do mar.
Em estruturas como Sisters Peak, no leito do Atlântico, fluidos hidrotermais podem chegar a 464 °C, segundo dados publicados pelo National Institutes of Health.
Na superfície, temperaturas desse nível fariam a água virar vapor rapidamente. No oceano profundo, porém, as condições são bem diferentes.
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A explicação está na enorme pressão exercida pela coluna de água acima dessas regiões. Em áreas localizadas entre 2.000 e 3.500 metros de profundidade, a pressão pode passar de 250 atmosferas.
Essa compressão altera as condições físicas da água e permite que fluidos acima de 400 °C permaneçam líquidos.
Fenômeno no Oceano: Água entra pelas rochas, aquece perto do magma e volta carregada de minerais
O processo começa quando a água do mar penetra por fraturas existentes na crosta oceânica. Ela desce para regiões mais quentes, entra em contato com rochas aquecidas pelo calor interno da Terra e sofre reações químicas durante o percurso.
Depois, essa água retorna ao leito oceânico em alta temperatura e carregada de minerais dissolvidos.
Ao encontrar a água fria das profundezas, normalmente entre 2 °C e 4 °C, ocorre uma mudança brusca de temperatura.
Os minerais presentes no fluido se precipitam rapidamente e começam a se acumular ao redor dos pontos de saída. É assim que se formam as chamadas chaminés hidrotermais.
Entre as estruturas mais conhecidas estão os fumantes negros. Apesar da aparência, a nuvem escura que sai dessas chaminés não é fumaça produzida por combustão. Ela é formada por partículas minerais suspensas na água.
Essas estruturas podem reunir sulfetos metálicos e compostos de ferro, cobre e zinco, resultado das reações entre água, calor e rochas profundas.

No escuro total do Oceano, a vida depende de química em vez de luz solar
As fontes hidrotermais existem em regiões onde a luz solar não chega. Isso elimina a fotossíntese tradicional como base da cadeia alimentar.
Mesmo assim, comunidades inteiras conseguem sobreviver ao redor dessas chaminés.
A fonte de energia vem da quimiossíntese. Nesse processo, bactérias obtêm energia ao oxidar compostos químicos presentes nos fluidos hidrotermais, como o sulfeto de hidrogênio.
Esses microrganismos sustentam animais adaptados às condições extremas do oceano profundo. Entre os exemplos citados estão vermes tubulares gigantes, moluscos bivalves e mexilhões abissais.
Parte dessas espécies mantém relações simbióticas com bactérias capazes de utilizar enxofre, metano ou outros compostos químicos. Na prática, a química substitui a luz solar como principal fonte de energia para o ecossistema.
Calor extremo, pressão e metais transformam o fundo do mar em laboratório natural
As chaminés hidrotermais combinam temperaturas superiores a 400 °C, pressão acima de 250 atmosferas em determinadas profundidades, ausência de luz e água rica em enxofre e metais.
Essa combinação faz desses locais um ambiente importante para estudos de geologia, biologia e oceanologia.
As fontes mostram que o fundo oceânico está longe de ser uma região parada. Água circula pelas rochas, recebe calor do interior do planeta, transporta minerais e retorna ao mar, onde participa da formação de estruturas e mantém comunidades biológicas especializadas.
Para os pesquisadores, esses ambientes também ajudam na investigação de organismos capazes de viver em condições extremas, de metabolismos independentes da luz e de possíveis pistas relacionadas à origem da vida.
No fundo do oceano, pressão, calor e química se encontram em um sistema no qual água supera 400 °C sem ferver e ainda ajuda a manter ecossistemas inteiros no escuro.
Fontes: Revista Oeste e dados publicados pelo National Institutes of Health sobre fluidos hidrotermais e a estrutura Sisters Peak.

