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Toyota, Volkswagen, Stellantis e GM x BYD: a guerra das montadoras

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 10/08/2025 ร s 00:12
Conflito entre BYD e montadoras tradicionais leva governo a intervir com novas regras para importaรงรฃo de carros elรฉtricos no Brasil.
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Disputa entre gigantes da indรบstria automotiva expรตe divergรชncias sobre incentivos fiscais e produรงรฃo nacional, levando o governo a intervir com medida que tenta equilibrar competitividade, geraรงรฃo de empregos e avanรงo de novas tecnologias no Brasil.

O Brasil assistiu a um intenso confronto entre grandes montadoras tradicionais e a chinesa BYD, que conseguiu mobilizar o governo para tentar mediar o embate com uma medida de compromisso.

A tensรฃo teve inรญcio quando a BYD solicitou ao governo reduรงรฃo do imposto de importaรงรฃo sobre veรญculos semidesmontados (SKD) e desmontados (CKD), em operaรงรฃo iniciada em sua unidade na antiga fรกbrica da Ford em Camaรงari (BA), adquirida por R$ 287,8 milhรตes.

O pedido era para que SKD pagasse 10% e CKD apenas 5% de imposto.

As montadoras Volkswagen, Toyota, Stellantis (controladora de marcas como Fiat, Jeep e Peugeot) e GM reagiram com uma carta ao presidente Lula, manifestando que tais benefรญcios poderiam gerar desemprego, desequilรญbrio na balanรงa comercial, dependรชncia tecnolรณgica e โ€œum legado de desemprego, desequilรญbrio da balanรงa comercial e dependรชncia tecnolรณgicaโ€.

Reaรงรฃo da BYD ร s crรญticas

Em contrapartida, a BYD respondeu com crรญticas รกcidas: afirmou que โ€œos dinossauros surtamโ€, acusando as concorrentes de tentarem barrar veรญculos elรฉtricos mais acessรญveis para a classe mรฉdia.

A empresa alegou que o tom das tradicionais tinha โ€œo tom dramรกtico de quem acaba de ver um meteoro no cรฉuโ€.

Segundo a fabricante, o problema nรฃo seria o meteoro, mas o fato de que ele estaria โ€œsendo bem recebido pelos consumidores โ€” aqueles mesmos que, por dรฉcadas, foram obrigados a pagar caro por tecnologia velha e design preguiรงosoโ€.

A BYD acrescentou ainda que โ€œchega uma empresa chinesa que acelera fรกbrica, baixa preรงo e coloca carro elรฉtrico na garagem da classe mรฉdia, e os dinossauros surtamโ€.

Decisรฃo do Gecex-Camex

Diante da escalada, o Comitรช Executivo de Gestรฃo da Cรขmara de Comรฉrcio Exterior (Gecex-Camex) decidiu adotar uma soluรงรฃo intermediรกria.

Ficou definido que a alรญquota mรกxima de importaรงรฃo de 35% para veรญculos eletrificados desmontados ou semidesmontados serรก aplicada a partir de janeiro de 2027, antecipando em um ano e meio o prazo que era julho de 2028.

Em paralelo, foi autorizada uma cota de isenรงรฃo total de impostos por seis meses, limitada a US$ 463 milhรตes, para a importaรงรฃo de kits CKD e SKD.

Repercussรฃo no setor automotivo

A decisรฃo foi bem recebida pelas fabricantes tradicionais e pela Associaรงรฃo Nacional dos Fabricantes de Veรญculos Automotores (Anfavea).

Igor Calvet, presidente da entidade, considerou o prazo como โ€œo mรกximo aceitรกvel sem colocar em risco os investimentos atuais e futuros da cadeia automotiva nacionalโ€ e enfatizou a esperanรงa de que a discussรฃo fosse encerrada sem possibilidade de renovaรงรฃo.

A Volkswagen destacou que decisรตes como essa promovem โ€œseguranรงa jurรญdica, previsibilidade e um ambiente saudรกvel de concorrรชnciaโ€.

Jรก a GM avaliou que a medida representa โ€œum passo importante em direรงรฃo a um ambiente regulatรณrio mais justo e competitivoโ€.

Meio-termo entre inovaรงรฃo e proteรงรฃo da indรบstria

Analistas interpretam que o governo buscou um meio-termo vรกlido: as montadoras tradicionais conquistaram a antecipaรงรฃo da cobranรงa da alรญquota plena, enquanto a BYD e outras empresas novas mantรชm um espaรงo de transiรงรฃo para finalizar suas estruturas produtivas no paรญs.

O acordo coloca um ponto final momentรขneo na acirrada disputa pรบblica, ao mesmo tempo em que abre caminho para que a BYD e similares avancem com seus planos de nacionalizaรงรฃo, dentro de parรขmetros fiscais mais claros.

Jรก as montadoras tradicionais reforรงam sua defesa da indรบstria nacional e da geraรงรฃo de empregos.

Qual desses elementos โ€“ antecipaรงรฃo do imposto, cota temporรกria de isenรงรฃo ou o impacto sobre a cadeia de autopeรงas โ€“ serรก mais decisivo para o futuro da indรบstria automotiva brasileira?

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na รกrea desde 2015, com seis anos de experiรชncia em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicaรงรตes online. Especialista em polรญtica, empregos, economia, cursos, entre outros temas. Registro profissional: 0087134/SP. Se vocรช tiver alguma dรบvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Nรฃo aceitamos currรญculos!

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