O simpósio de Jackson Hole em setembro de 2025 abriu a porta para o primeiro corte de juros nos EUA desde 2020, com impacto imediato no dólar, nas bolsas globais e na política monetária brasileira.
O simpósio de Jackson Hole, realizado em setembro de 2025, trouxe o sinal mais forte em cinco anos de que o Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, pode iniciar um ciclo de corte de juros já em setembro. O impacto foi imediato: o dólar caiu mais de 1% frente ao real, bolsas dispararam e investidores começaram a projetar maior espaço para o Banco Central do Brasil acelerar a redução da Selic.
Segundo análise do InvestTalk, esse movimento reflete não apenas o cenário externo, mas também a percepção de que a economia americana começa a dar sinais de fraqueza. Para o Brasil, significa um alívio na pressão cambial e a chance de reduzir o custo do crédito de forma mais rápida.
O que Powell disse e por que isso importa
No encontro, o presidente do Fed, Jerome Powell, reconheceu que os EUA vivem o risco de estagnação econômica com inflação acima da meta, mas deixou claro que a instituição pode cortar os juros ainda em setembro. Se confirmado, será o primeiro corte desde 2020.
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O anúncio mexeu com os mercados porque sinaliza uma mudança de rumo: de anos de alta agressiva dos juros para uma política de estímulos. Quando os EUA reduzem os juros, investidores tendem a buscar países emergentes, aumentando a entrada de dólares em mercados como o brasileiro.
Reação dos mercados globais e do Brasil
A resposta foi imediata. O S&P 500, Dow Jones e Nasdaq fecharam em forte alta, enquanto bolsas da Europa, Japão e Brasil seguiram o mesmo caminho. Na B3, o índice Ibovespa subiu mais de 2% em um único pregão.
No câmbio, o real foi um dos maiores beneficiados: o dólar recuou mais de 1% frente à moeda brasileira, reflexo da migração de investidores estrangeiros para ativos locais. Como cerca de 50% das movimentações na bolsa brasileira vêm de estrangeiros, qualquer mudança nos EUA impacta diretamente os preços por aqui.
O que isso significa para a Selic
Com a queda do dólar e a melhora na percepção de risco, o Banco Central brasileiro ganha mais espaço para reduzir a Selic. Isso porque a valorização do real ajuda a conter a inflação, abrindo caminho para cortes mais ousados na taxa básica de juros.
Especialistas avaliam que a decisão do Fed pode antecipar a queda da Selic em 2025, estimulando o crédito, o consumo e os investimentos no país. No entanto, há cautela: a inflação interna e o controle das contas públicas ainda serão determinantes para o ritmo dessa redução.
O fator político que aumenta a incerteza
Apesar do alívio, há riscos no horizonte. O ex-presidente Donald Trump pressiona Powell por cortes mais rápidos e chegou a anunciar a demissão de uma diretora do Fed, alegando fraude em hipotecas. Esse tipo de intervenção política coloca em dúvida a independência do banco central americano, um pilar de estabilidade da economia global.
Para o Brasil, isso significa que o cenário pode mudar rapidamente caso os EUA adotem decisões mais políticas do que técnicas, o que traria volatilidade para câmbio, bolsa e juros.
O sinal de corte de juros nos EUA é um divisor de águas para a economia global e pode acelerar o ciclo de redução da Selic no Brasil. Dólar mais baixo, bolsa em alta e crédito mais barato são os efeitos imediatos. Mas o futuro dependerá da solidez da política monetária americana e da capacidade do Brasil de manter suas contas públicas sob controle.
Você acredita que o Banco Central deve acelerar os cortes na Selic diante desse cenário ou é melhor manter cautela para evitar nova pressão inflacionária? Deixe sua opinião nos comentários — queremos ouvir quem sente os efeitos disso no dia a dia.