Decisão de um tribunal federal considera as tarifas de Trump ilegais, mas as mantém em vigor durante o processo, aprofundando a confusão entre exportadores, importadores e investidores.
Um impasse jurídico sobre as tarifas de Trump está causando grande confusão no cenário internacional. Exportadores, importadores e investidores enfrentam incertezas após um tribunal federal de apelações decidir que as tarifas impostas pelo presidente Donald Trump são ilegais. Contudo, apesar da derrota do governo, os juízes determinaram que a cobrança continue em vigor enquanto o processo legal tramita.
Decisão judicial contraditória aprofunda confusão
A decisão aprofunda a instabilidade no comércio e pode impactar trilhões de dólares em transações globais. Na noite de sexta-feira (29), um painel de juízes em Washington decidiu, por 7 votos a 4, que os tributos violaram a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA). Segundo os magistrados, a lei nunca teve como objetivo autorizar tarifas.
Apesar de declarar a ilegalidade, a cobrança das tarifas de Trump foi mantida. Isso cria um cenário complexo e contraditório para todos os envolvidos no comércio internacional, que não sabem como proceder.
-
Alternativa ao dólar divide os brasileiros: 56% rejeitam os EUA e 48% apoiam moeda do BRICS como nova referência monetária, diz pesquisa da Nexus
-
Com dívida acima de 300% do PIB e consumo doméstico em apenas 39%, economia da China entra em risco estrutural segundo Banco Mundial e NBS julho 2025
-
Mesmo sob tarifas de 50% dos EUA e após anos de impasses fronteiriços, China e Índia retomam voos diretos e prometem “ver o outro como oportunidade”, segundo Xinhua e PTI um gesto prático de reaproximação
-
Mercado já precifica Selic em 12,5% até 2026, mas Brasil seguirá com juro real acima de 8% ao ano, um dos mais altos do mundo
O futuro incerto das relações comerciais dos EUA
O futuro das tarifas permanece indefinido. A administração Trump pode recorrer diretamente à Suprema Corte. Outra possibilidade é aguardar uma reavaliação do caso pelo Tribunal de Comércio Internacional.
“Nossos parceiros comerciais devem estar atordoados e confusos“, afirmou Wendy Cutler, ex-negociadora comercial dos EUA. Ela destacou que muitos países já assinaram acordos preliminares ou ainda estão em fase de negociação, e a incerteza jurídica atual complica todo o cenário.
Impacto direto em empresas, consumidores e acordos
Uma eventual decisão final que invalide as tarifas pode ter consequências drásticas. Acordos comerciais já firmados poderiam ser desmantelados. Além disso, Washington poderia ser obrigado a devolver centenas de bilhões de dólares em tributos cobrados nos últimos meses.
A decisão foi comemorada por pequenas empresas que contestaram os impostos. Elana Ruffman, de uma empresa familiar, expressou satisfação com o reconhecimento da ilegalidade na implementação das tarifas. Advogados, no entanto, alertam que a medida não se aplica a todas as sobretaxas, como as impostas sobre o Brasil e a Índia.
Argumentos em conflito: emergência nacional vs. imposto oculto
Os juízes também rejeitaram a justificativa do governo de que as tarifas de Trump eram necessárias para enfrentar “emergências nacionais“. Argumentos como os déficits comerciais ou a crise de fentanil foram derrubados.
“Mais uma vez, um tribunal decidiu que o presidente não pode inventar uma falsa emergência econômica para justificar bilhões em tarifas”, declarou a procuradora-geral de Nova York, Letitia James. Ela classificou as tarifas como “um imposto sobre os americanos“, que elevam custos, geram inflação e causam perda de empregos.
Governo defende medida como pilar da política externa
Horas antes da decisão, membros do governo Trump defenderam a medida. Eles advertiram que derrubar as tarifas causaria “constrangimento diplomático perigoso” e enfraqueceria a posição dos EUA em negociações comerciais. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que isso minaria a credibilidade internacional do país.
Após a decisão, Trump declarou que o fim das tarifas seria um “desastre total”. A situação leva países atingidos a reavaliarem suas posições. A China pode reconsiderar concessões, enquanto nações europeias podem questionar o processo de ratificação de seus acordos comerciais com os EUA. O desfecho deste impasse definirá não apenas a política comercial americana, mas também o equilíbrio da economia global.