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Raízen vende usinas por R$ 1,3 bilhão em maior desinvestimento da sua história: 6,2 milhões de toneladas de capacidade e cessão de canaviais incluídos

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 29/08/2025 às 17:06
Raízen vende usinas por R$ 1,3 bi à Cocal, maior desinvestimento da história, incluindo 6,2 mi t de capacidade e canaviais.
Raízen vende usinas por R$ 1,3 bi à Cocal, maior desinvestimento da história, incluindo 6,2 mi t de capacidade e canaviais.
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Raízen anunciou a venda das usinas Passa Tempo e Rio Brilhante por R$ 1,325 bilhão, em operação que inclui capacidade de 6,2 milhões de toneladas e cessão de canaviais, marcando o maior desinvestimento da história da companhia.

A Raízen anunciou a venda das usinas Passa Tempo e Rio Brilhante, no Mato Grosso do Sul, para a Cocal, por R$ 1,325 bilhão, em operação paga à vista no fechamento.

O pacote inclui 6,2 milhões de toneladas de capacidade de moagem, além da cessão da cana própria e dos contratos com fornecedores vinculados às unidades.

Trata-se, segundo a companhia, do maior desinvestimento desde o início da estratégia de otimização do portfólio para reduzir a dívida, hoje próxima de R$ 40 bilhões.

Estratégia de desinvestimentos e foco em eficiência

Desde que adotou o plano de “otimização do portfólio de ativos, simplificação das operações e captura de eficiências”, a Raízen vem executando saídas pontuais de ativos.

Em maio, a empresa vendeu a usina Leme por R$ 425 milhões. Na sequência, em julho, desativou a tradicional usina Santa Elisa e alienou seus ativos.

Em linha com a mesma diretriz de reciclagem de capital, também encerrou as atividades da usina MB, em Morro Agudo, e programou a venda de canaviais até o fim de 2024.

As duas unidades desativadas operavam em áreas com elevada competição por cana, o que pressionava custos e margens.

Ainda que a empresa mantenha presença relevante no Centro-Sul, o movimento atual reforça a prioridade em alocação de capital em ativos com maior retorno e sinergias operacionais.

Ao mesmo tempo, simplifica a malha industrial e reduz a necessidade de investimento em manutenção de sites menos estratégicos.

O que está incluído na transação com a Cocal

Além das duas plantas industriais, o contrato prevê a cessão da cana própria e a transferência dos acordos com fornecedores ligados às usinas negociadas.

Na prática, a Cocal assume a base agrícola capaz de sustentar a moagem informada, preservando fornecimento de matéria-prima e continuidade operacional.

O preço de compra equivale a US$ 44 por tonelada de capacidade de moagem, patamar citado como alinhado a outras operações recentes do setor.

A referência em dólares ajuda a comparar ativos em diferentes regiões e ciclos, mas o pagamento ocorrerá em reais, em cash no fechamento.

Possível ajuste de preço com a entressafra

O valor total pode chegar a R$ 1,543 bilhão caso a entressafra, estimada em R$ 218 milhões, fique sob responsabilidade da vendedora.

Nesse cenário, a Raízen executaria a manutenção e receberia o montante como reembolso de capex, prática comum no setor.

Ao término de cada safra, em novembro, as usinas passam por desmontagem e manutenção para preparar o ciclo seguinte.

Esses serviços garantem confiabilidade e performance dos equipamentos no início da próxima moagem.

Enquanto o acerto final depende da definição de quem arcará com a entressafra, a estrutura preserva previsibilidade para comprador e vendedor.

Se a Raízen fizer o serviço, o preço efetivo da transação sobe. Por outro lado, se a Cocal assumir, o desembolso total permanece no nível-base.

Raízen vende usinas por R$ 1,3 bi à Cocal, maior desinvestimento da história, incluindo 6,2 mi t de capacidade e canaviais.
Raízen vende usinas por R$ 1,3 bi à Cocal, maior desinvestimento da história, incluindo 6,2 mi t de capacidade e canaviais.

Quem é a compradora e como fica sua escala

Pertencente à família Garms, a Cocal é um grupo sucroenergético com duas usinas no interior paulista, em Paraguaçu Paulista e Narandiba, cuja capacidade combinada chega a 10 milhões de toneladas.

Na safra passada, a companhia moeu 8,7 milhões de toneladas, resultando em 720 mil toneladas de açúcar e 400 milhões de litros de etanol.

Com a aquisição em Mato Grosso do Sul, a empresa tende a ganhar escala industrial e diversificação geográfica, diluindo custos fixos e ampliando a flexibilidade entre açúcar, etanol e energia.

A incorporação de canaviais e contratos associados às unidades adquiridas também reduz riscos de abastecimento de biomassa, fator crítico para manter a taxa de utilização dos ativos.

Impactos para a Raízen e racional financeiro

Para a Raízen, a venda reforça a disciplina de capital e contribui para a redução da alavancagem.

Ao se desfazer de plantas consideradas menos prioritárias na malha, a empresa redireciona recursos para projetos com retorno superior, ao mesmo tempo em que simplifica a gestão industrial.

A alienação de unidades em regiões com competição acentuada por cana também tende a mitigar pressões de custo, favorecendo a margem operacional nas áreas remanescentes.

No curto prazo, a entrada de caixa em R$ 1,325 bilhão melhora a liquidez e ajuda a cobrir futuras necessidades de investimento nas frentes consideradas estratégicas.

Caso seja confirmada a execução da entressafra pela própria Raízen, o reembolso de R$ 218 milhões elevará o valor total da operação, mas sem alterar a lógica de desalavancagem, por se tratar de capex de manutenção.

Próximos passos e cronograma de fechamento

O pagamento será à vista no fechamento, como definido entre as partes.

A operação contempla a transferência dos contratos agrícolas e das bases de cana, o que requer trâmites de cessão e eventuais aprovações usuais para esse tipo de transação.

Enquanto isso, a gestão de manutenção e a definição de quem arcará com a entressafra serão determinantes para o preço final.

A expectativa do setor é que a transição preserve a continuidade operacional e a safra seguinte seja iniciada com o cronograma de manutenção concluído.

Panorama setorial e referência de valuation

O múltiplo de US$ 44 por tonelada de capacidade aparece em linha com transações recentes em açúcar e etanol no Centro-Sul, segundo parâmetros de mercado citados pela Raízen.

Essa referência, embora dependa de estado de conservação dos ativos, mix de produtos e perfil agrícola, serve como baliza para investidores ao comparar usinas com níveis de eficiência semelhantes.

Além disso, a presença de canaviais próprios e de uma carteira de fornecedores atrelada ao ativo costuma reduzir riscos e, por consequência, sustentar preços mais altos em negociações.

Quarto movimento da atual onda de vendas

Com Passa Tempo e Rio Brilhante, a Raízen soma a quarta rodada de desinvestimentos nesta fase.

Primeiro, alienou a usina Leme. Depois, encerrou as operações da Santa Elisa e vendeu seus ativos. Por fim, encerrou a usina MB em Morro Agudo e programou a venda de canaviais até o final de 2024.

A sequência sinaliza uma reorganização industrial para concentrar esforços em ativos com maior retorno e menor competição por matéria-prima.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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