MENU
Menu
Início Privatização do campo de Albacora Leste gera polêmica e exploração do Pré-Sal no Espírito Santo é alvo de crítica de Especialista

Privatização do campo de Albacora Leste gera polêmica e exploração do Pré-Sal no Espírito Santo é alvo de crítica de Especialista

3 de agosto de 2023 às 08:06
Compartilhe
Compartilhar no WhatsApp
Compartilhar no Facebook
Compartilhar no LinkedIn
Compartilhar no Telegram
Compartilhar no Twitter
Compartilhar no E-mail
Siga-nos no Google News
Uma das operações mais controversas envolvendo o pré-sal brasileiro, a privatização do Campo de Albacora Leste, tem sido alvo de críticas e questionamentos quanto à sua legalidade e impactos econômicos.
Fonte: Bloomberg Línea

Uma das operações mais controversas envolvendo o pré-sal brasileiro, a privatização do Campo de Albacora Leste, tem sido alvo de críticas e questionamentos quanto à sua legalidade e impactos econômicos.

A recente privatização do campo de Albacora Leste, um dos principais reservatórios pré-sal do Brasil, está gerando polêmica e sendo alvo de críticas. Francismar Cunha, doutor em Geografia pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), divulgou recentemente um artigo onde explica o motivo pelo qual a venda desse campo representa um verdadeiro desafio aos interesses da Petrobras e do Estado Brasileiro, além de abrir um perigoso precedente na indústria petrolífera nacional.

Privatização abre precedente para empresas atuarem no pré-sal sem seguir a legislação vigente

Segundo o estudo do especialista, a empresa privada Prio se tornará a primeira petroleira a explorar o pré-sal através do chamado regime de concessão, mesmo sem possuir as qualificações legais para fazê-lo.

Artigos recomendados

Isso pode ser visto como um “atalho” para que empresas privadas acessem o pré-sal, que atualmente é restrito por lei. Essa abertura de precedente é considerada perigosa e questiona a legislação em vigor sobre o tema.

O artigo intitulado “As contradições da quarta fase da indústria do petróleo no Brasil: O caso da privatização do campo Albacora Leste e o acesso da Prio ao pré-sal” destaca que essa não é a primeira vez que a privatização do campo é objeto de denúncias.

O Sindicato dos Petroleiros do Espírito Santo (Sindipetro-ES) já havia apontado que a venda de 90% do bloco por US$ 1,658 bilhão, concluída em 2023, foi um negócio desfavorável para a Petrobras, considerando a potencialidade do bloco.

Além disso, Cunha ressalta que a venda do campo de Albacora Leste parece violar a lei do regime de Partilha, que regulamenta os contratos do pré-sal pós-2010.

Segundo essa legislação, qualquer petroleira que queira explorar o pré-sal deve passar por um processo de habilitação pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) e participar das rodadas licitatórias sob o regime de Partilha.

No entanto, essa exigência não ocorreu no caso da venda para a Prio.

A privatização do campo de Albacora Leste permitiu à Prio explorar e produzir no pré-sal sem a devida qualificação, operando sob o regime de Concessão.

Isso contraria a modalidade prevista para exploração dos campos no polígono do pré-sal, que deveria ser a Partilha, para proteger os interesses nacionais de exploração.

Venda do campo de Albacora Leste contraria a lei do regime de Partilha e prejudica Petrobras e o Estado Brasileiro

Diante desse cenário, Francismar Cunha defende que a venda do campo seja revista, visto que parece se basear em “interpretações abusivas ou, até mesmo, da negação das regulações vigentes”.

Ele argumenta que essa operação acelera o desmembramento da Petrobras e permite a entrada duvidosa de novos agentes na indústria petrolífera brasileira, especialmente no pré-sal.

Para entender a complexidade jurídica criada por essa privatização, é importante compreender os dois formatos previstos em lei para exploração de petróleo no Brasil: o Regime de Concessão e o Regime de Partilha.

Enquanto o primeiro atribui à empresa o risco de investir em um bloco e encontrar ou não petróleo ou gás natural, o segundo envolve o Estado recebendo uma parte da produção futura das empresas interessadas em consórcio.

No caso específico do pré-sal, onde os riscos são menores, a lei determina que a modalidade para exploração seja a Partilha, visando preservar os interesses nacionais.

No entanto, a venda do campo de Albacora Leste permitiu que a Prio explorasse sob o regime de Concessão, desconsiderando a exigência da Partilha.

Essa discussão promete continuar nos âmbitos jurídico e político, por envolver questões sensíveis sobre a exploração de recursos naturais e a participação de empresas privadas em áreas estratégicas do país.

Resta aguardar os desdobramentos dessa controvérsia e verificar se haverá revisão na privatização do campo de Albacora Leste, conforme sugerido pelo especialista em Geografia.

Relacionados
Mais recentes
COMPARTILHAR