Estudo e audiência na Câmara reforçam que o potencial mineral da Amazônia pode impulsionar a transição energética e o desenvolvimento sustentável, conciliando exploração responsável e inclusão social
O potencial mineral da Amazônia foi o grande destaque de uma audiência pública realizada no último dia 21 de outubro pela Comissão da Amazônia e dos Povos Originários e Tradicionais, em conjunto com a Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados, segundo uma matéria publicada.
O encontro debateu a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE), evidenciando como a região reúne quase metade do valor econômico dos minerais estratégicos do Brasil.
O evento apontou que o desafio central é equilibrar exploração e sustentabilidade, principalmente diante do avanço da transição energética global e da crescente demanda por minérios essenciais a tecnologias limpas, como o cobre, o estanho, o ferro e as chamadas terras raras.
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Especialistas ressaltaram que a Amazônia possui um papel vital no futuro da mineração responsável, tanto pela abundância de recursos quanto pelo impacto socioeconômico e ambiental que essa atividade representa.
Mineração sustentável e desenvolvimento regional na Amazônia Legal
De acordo com Thiers Muniz Lima, da Agência Nacional de Mineração (ANM), o potencial mineral da Amazônia tem atraído investimentos crescentes em minerais críticos e estratégicos.
Entre os títulos minerários, o ouro responde por 67%, seguido pelo estanho (10%), cobre (7,3%) e ferro (3,5%).
O Pará concentra a maior parte da produção e arrecadação, com 96% dos R$ 3,2 bilhões de royalties (CFEM) obtidos em 2024.
A distribuição desigual reforça a necessidade de políticas públicas que estimulem a agregação de valor local e promovam uma mineração sustentável.
A gerente de sustentabilidade do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), Cláudia Salles, destacou que cerca de 43% da arrecadação de royalties vem da Amazônia Legal, mas a região ainda carece de estrutura industrial para atender à demanda mundial.
O fortalecimento de cadeias produtivas locais é visto como estratégico para ampliar o desenvolvimento regional sem comprometer o equilíbrio ambiental.
Transição energética e valorização dos minerais críticos e estratégicos
O potencial mineral da Amazônia é essencial para a transição energética, já que a região concentra 48,2% dos processos minerários de minerais críticos do país.
As terras raras, por exemplo, são fundamentais na fabricação de turbinas eólicas, baterias, veículos elétricos e painéis solares.
Esses minerais também sustentam setores de alta tecnologia e defesa nacional, reforçando o papel da Amazônia na economia verde.
No entanto, a pesquisadora Lúcia Travassos, do Serviço Geológico do Brasil (SGB), alerta que apenas 27% do território brasileiro está mapeado em escala adequada, o que limita o avanço das pesquisas.
O mapeamento geológico é considerado uma prioridade para identificar novos depósitos minerais e garantir que a exploração ocorra com base científica, reduzindo impactos ambientais e promovendo uso racional dos recursos naturais.
Inovação, governança e integração social no futuro da mineração amazônica
O debate sobre o potencial mineral da Amazônia também destacou a necessidade de governança e inovação.
A coordenadora-geral do Departamento de Desenvolvimento Sustentável na Mineração do Ministério de Minas e Energia, Mariana Vaini de Freitas Daher, anunciou a criação de quatro grupos de trabalho do Conselho Nacional de Política Mineral (CNPM).
Os grupos abordarão fiscalização, incentivo à pesquisa, minerais estratégicos e desenvolvimento sustentável.
A proposta é estruturar políticas que integrem eficiência econômica, inovação tecnológica e respeito às comunidades locais.
O objetivo é fazer da mineração um vetor de transformação social, capaz de gerar empregos, infraestrutura e renda, sem comprometer a floresta.
Para os especialistas, o futuro do setor depende de práticas que combinem conhecimento técnico, valorização ambiental e participação das populações tradicionais.
Com base nas discussões da audiência, fica evidente que o potencial mineral da Amazônia representa uma oportunidade única para o Brasil alinhar crescimento econômico, soberania energética e conservação ambiental, que são pilares indispensáveis para um modelo de desenvolvimento sustentável e inclusivo na região.
