Estrutura sobre o Rio Araguaia vai ligar Tocantins e Pará pelos municípios de Xambioá e São Geraldo, beneficiando mais de 1,5 milhão de pessoas. Obra, iniciada em 2017, passou por atrasos e deve ser concluída em 2025.
A ponte que vai ligar os estados do Tocantins e do Pará, entre os municípios de Xambioá e São Geraldo, deve ser concluída e entregue até o fim de 2025, segundo o diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), Fabrício de Oliveira Galvão.
A estrutura, que se estende sobre o Rio Araguaia, já está em fase avançada, mas depende da construção das cabeceiras para ser liberada ao tráfego.
A confirmação ocorreu na quarta-feira (27), durante evento realizado no Palácio Araguaia Governador José Wilson Siqueira Campos, em Palmas, marcado pela assinatura do termo de federalização do trecho da TO-050, entre Palmas e Silvanópolis.
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Na ocasião, Galvão afirmou que as obras de encabeçamento começam em setembro e destacou que essa etapa é decisiva para garantir a operação da ponte.
Obras de encabeçamento e desapropriações
De acordo com o DNIT, a execução dos aterros de acesso deve começar já na primeira quinzena de setembro.
Essa fase inclui a instalação de bueiros e contenções de gabião, recursos essenciais para a sustentação das margens.
O órgão reforça que essa é uma das etapas mais sensíveis do projeto, pois permitirá finalmente a integração da estrutura com as rodovias que darão acesso à ponte.
Galvão explicou que um dos maiores entraves para a conclusão foi a desapropriação de famílias que viviam próximas aos últimos pilares da obra.
Segundo ele, 12 casas precisaram ser removidas após negociações judiciais.
“Nós tínhamos os últimos pilares da ponte que sequer tinham desapropriação. Foi necessário negociar judicialmente com as famílias, concluir o processo de desapropriação e só então conseguimos avançar com a construção”, declarou.
Com a solução das pendências fundiárias, o DNIT assegura que não há mais impedimentos significativos para a continuidade do projeto. O órgão estima que, com os aterros concluídos, será possível liberar o tráfego ainda em 2025.
Estrutura da ponte sobre o Rio Araguaia
O projeto prevê uma ponte de 1.724 metros de extensão, considerada estratégica para a logística da região Norte.
A expectativa é que mais de 1,5 milhão de pessoas sejam beneficiadas diretamente com a nova ligação rodoviária.
Os acessos, segundo a Secretaria de Comunicação Social do Governo Federal, terão 2.010 metros de extensão no total, sendo 310 metros no lado paraense e 1.700 metros no tocantinense.
As pistas terão largura de 12 metros, contemplando faixa de rolamento e acostamento.
Além disso, haverá calçadas de 1,50 metro em cada lado, garantindo passagem para pedestres, além da implantação de vias marginais paralelas.
A obra faz parte da BR-153, um dos principais corredores rodoviários do país, que conecta o Norte ao Centro-Sul.
A ponte é considerada essencial para reduzir distâncias e custos no transporte de cargas e para impulsionar a integração regional.
Custos e histórico da obra
O contrato de construção foi assinado em 2017, durante o governo Michel Temer. Na época, a estimativa de investimento era de R$ 132 milhões, com previsão de início em 2018 e conclusão em três anos.
No entanto, o projeto enfrentou disputas judiciais e a ordem de serviço só foi emitida pelo DNIT em 2020.
Ao longo dos anos, o valor da obra sofreu sucessivos reajustes. Em 2020, já estava estimado em R$ 157 milhões.
Hoje, com os acessos incluídos, o investimento total ultrapassa R$ 232,8 milhões. O Consórcio A. Gaspar/Arteleste/V. Garambone é o responsável pela execução da construção.
Esse histórico de atrasos e revisões orçamentárias transformou a ponte em um dos empreendimentos de infraestrutura mais aguardados do Norte do país.
Ainda assim, com as frentes de trabalho em andamento e os impasses de desapropriação solucionados, o DNIT mantém o compromisso de entregar a obra até 2025.
Impacto esperado na região Norte
A ponte deve representar um marco para a integração econômica entre Tocantins e Pará, facilitando o escoamento da produção agrícola, a circulação de mercadorias e a mobilidade da população.
Atualmente, a travessia do Rio Araguaia entre Xambioá e São Geraldo depende de balsas, serviço que muitas vezes sofre interrupções devido às condições climáticas.
Com a conclusão da estrutura, será possível estabelecer uma ligação permanente entre os dois estados, reduzindo o tempo de deslocamento e ampliando as rotas de transporte.
A expectativa é que a ponte fortaleça o desenvolvimento regional, aumente a competitividade da BR-153 e beneficie diretamente as cidades próximas.
O DNIT ressalta que, além do impacto econômico, a obra deve melhorar o acesso da população a serviços essenciais, como saúde e educação, já que permitirá deslocamentos mais rápidos entre os municípios.
Enquanto os trabalhos avançam, cresce a expectativa de moradores e empresários da região, que aguardam há anos pela entrega da ponte.
Se o cronograma for cumprido, 2025 marcará a abertura definitiva de uma ligação histórica entre Tocantins e Pará. Será que a entrega desta ponte poderá transformar o eixo logístico do Norte do país nos próximos anos?