Torre de 182 metros será instalada no campo de Búzios e equivale a um prédio de 60 andares! Esse é um novo marco na história da engenharia da Petrobras
No dia 26 de março, a Petrobras realizou um feito histórico e sem precedentes em sua trajetória no setor de óleo e gás. A empresa concluiu o maior içamento de flare já feito por ela, consolidando sua excelência em engenharia offshore.
A operação ocorreu no FPSO P-79, plataforma do tipo flutuante que ainda será enviada para o campo de Búzios, na Bacia de Santos. A unidade faz parte da estratégia da estatal de ampliar a produção em uma das áreas mais ricas e produtivas do pré-sal brasileiro.
O flare, estrutura responsável pela queima controlada de gases excedentes da produção de petróleo, possui impressionantes 142 metros de comprimento. Ele foi içado sobre uma base de 40 metros, instalada na chamada “Avenida Brasil” — a principal rota central da embarcação, acima do convés.
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A altura total do conjunto atinge 182 metros, equivalente a um prédio de 60 andares ou quase metade da altura do Pão de Açúcar, um dos marcos turísticos do Rio de Janeiro. A grandiosidade dessa estrutura impressiona não só pelo tamanho, mas também pelo desafio logístico envolvido em içá-la por inteiro.
Um feito inédito na história da Petrobras
Até hoje, operações dessa natureza eram feitas de maneira segmentada, com o içamento do flare sendo realizado em partes menores, que posteriormente eram montadas no local. Isso demandava mais tempo, envolvia riscos adicionais e exigia etapas de montagem mais complexas.
Dessa vez, no entanto, a Petrobras ousou ir além. Pela primeira vez em sua história, a estatal realizou o içamento da estrutura completa do flare, de uma única vez, marcando um avanço sem precedentes em sua capacidade de execução de projetos de engenharia pesada.
Esse salto tecnológico representa um ganho expressivo em segurança, eficiência e precisão, reduzindo etapas intermediárias e elevando o nível de excelência da companhia nas operações offshore. É o tipo de avanço que reforça a liderança da Petrobras no cenário global da indústria do petróleo.
FPSO P-79: nova potência do campo de Búzios
O FPSO P-79 será a oitava unidade de produção instalada no campo de Búzios, reforçando a capacidade de escoamento de petróleo da região e aumentando significativamente a produção nacional. A expectativa é que, ao entrar em operação, a plataforma produza centenas de milhares de barris por dia.
A Petrobras é a operadora da unidade, com 88,99% de participação, e conta com o apoio das empresas chinesas CNOOC International (7,34%) e CNODC Brasil Petróleo e Gás Ltda. (3,67%). A parceria com os asiáticos reflete a confiança internacional no potencial da exploração em águas ultraprofundas brasileiras.
Além disso, o campo de Búzios se consolida como o maior polo de produção da Petrobras no pré-sal, abrigando algumas das plataformas mais modernas e produtivas do mundo. A entrada em operação da P-79 será mais um passo no fortalecimento dessa frente estratégica.
Integração de equipes foi essencial para o sucesso
A operação de içamento não teria sido possível sem o trabalho sincronizado de diversas equipes técnicas da Petrobras e do estaleiro responsável. A complexidade do processo exigiu coordenação total, domínio técnico e gestão de risco altamente refinada.
Participaram diretamente dessa conquista as equipes da SCP79, PRE-OP-P79, SRGE/ESUP e PDP/IP-II/PROJ-BUZ-8, cada uma contribuindo com conhecimentos específicos, desde o planejamento do içamento até sua execução prática no convés do navio-plataforma.
Essa colaboração entre áreas distintas mostra o quanto a união de conhecimento técnico e experiência de campo faz a diferença em projetos de grande escala. É uma demonstração clara do padrão de excelência que a Petrobras vem implementando em seus projetos do pré-sal.
Com o sucesso do içamento do flare da P-79, a Petrobras não apenas bate um recorde — ela também sinaliza ao mundo que a engenharia brasileira está preparada para os maiores desafios da indústria offshore.
Um flare de FPSO é uma torre metálica alta, geralmente localizada na extremidade traseira (popa) de uma unidade flutuante de produção de petróleo, como um FPSO (Floating Production, Storage and Offloading). Ela serve para queimar gases excedentes do processo de produção de petróleo e gás, especialmente em situações de alívio de pressão ou emergência.
O que é um Flare e como ele é usado em unidades de produção offshore?
A principal função do flare é garantir a segurança da unidade, evitando o acúmulo de gases inflamáveis no sistema de produção. Esses gases, ao serem queimados no topo da torre, são transformados em CO₂ e vapor d’água, reduzindo o risco de explosões e liberando uma forma controlada de emissão.
Quando o flare é usado:
- Durante partidas e paradas da planta;
- Situações de emergência (ex: sobrepressão);
- Queima de gás que não pode ser reinjetado ou armazenado;
- Durante testes operacionais.
Por que a torre é tão alta?
A altura serve para afastar o calor e as chamas da área habitada da unidade, protegendo equipamentos e tripulantes. Em casos como o da P-79 da Petrobras, o flare pode chegar a mais de 180 metros de altura, o que equivale a um prédio de mais de 60 andares!
Você acha que o Brasil deveria investir em tecnologias para evitar o uso de flares e reaproveitar esse gás?
Você já imaginou ver uma estrutura do tamanho de um prédio de 60 andares sendo içada inteira sobre um navio? Comente aqui o que achou dessa façanha da Petrobras!
Com informações de Vitor de Padua, O&G Comunicator