Tecnologia usa dados reais para prever ações prováveis de indivíduos desaparecidos, orientando estratégias mais eficazes em operações de resgate
Pesquisadores da Universidade de Glasgow, na Escócia, criaram um sistema computacional inovador que pode ajudar a localizar pessoas desaparecidas na natureza com mais eficiência. A tecnologia utiliza dados reais de comportamento humano para prever onde alguém perdido tem mais chance de ser encontrado.
Sistema de IA simula comportamento humano
O sistema foi desenvolvido com base em informações sobre como pessoas perdidas costumam agir quando estão ao ar livre. A partir desses dados, os cientistas criaram agentes simulados, controlados por algoritmos, que se comportam de forma semelhante a pessoas reais em situações de emergência.
Esses agentes agem motivados por objetivos específicos, como encontrar água, árvores, estradas ou abrigos. Eles decidem seus movimentos com base em fatores como a posição atual e o que está visível ao redor. A ideia é simular diferentes estados psicológicos que influenciam decisões em situações de desorientação.
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Desenvolvimento da ferramenta
O projeto é liderado por Jan-Hendrik Ewers, doutorando na Escola de Engenharia James Watt da Universidade de Glasgow. Segundo ele, a inspiração surgiu do contato direto com a realidade. “Cresci nas Terras Altas rurais e adoro caminhadas em montanhas, então tenho plena consciência de quão perigosas as caminhadas podem ser e do trabalho incrível que as equipes de busca e salvamento realizam.”, diz.
Ewers explica que o objetivo inicial de seu doutorado era testar o uso de aprendizado de máquina para prever locais de desaparecimento. No entanto, ele encontrou um obstáculo: a escassez de dados. As equipes de busca priorizam salvar vidas, e não coletar registros detalhados.
Diante disso, os pesquisadores buscaram estudos históricos que analisaram o comportamento de pessoas desaparecidas. Com base nesses estudos, conseguiram programar os agentes simulados e gerar resultados consistentes.
Mapa de calor estatístico
Um dos pontos mais importantes da tecnologia é a criação de um mapa de calor. Esse mapa mostra as áreas com maior probabilidade de localizar pessoas desaparecidas. A equipe testou o sistema em uma simulação da Ilha de Arran, localizada na costa oeste da Escócia.
Ao liberar os agentes simulados em diversos pontos da ilha, foi possível comparar o mapa gerado com dados reais. A correspondência entre as previsões e os registros do mundo real surpreendeu os cientistas. O resultado sugere que os agentes digitais reagiram de forma muito semelhante a pessoas reais.
Aplicação global
Para David Anderson, professor da mesma escola de engenharia e coautor do estudo, o sistema pode ter aplicação em todo o mundo. “Uma das vantagens desse tipo de abordagem de modelagem psicológica para localizar pessoas desaparecidas é que ela pode ser potencialmente aplicada a qualquer paisagem”, afirma.
Além disso, o sistema pode funcionar com drones. Com sensores apropriados, os drones podem escanear as áreas indicadas pelo mapa de calor, tornando as buscas mais precisas e rápidas. Isso representa um avanço significativo para as equipes de resgate, que trabalham muitas vezes com recursos limitados.
Futuro promissor do novo sistema de IA
Ewers destaca que ainda é necessário realizar mais testes antes de aplicar o sistema em operações reais. Porém, ele acredita que o estudo representa uma base sólida para o desenvolvimento de novas práticas.
“Estamos ansiosos para explorar a possibilidade de aplicar essa técnica aos nossos esforços contínuos para explorar todo o potencial dos drones em missões de busca e salvamento”, disse.
Mesmo em fase inicial, a tecnologia comprova que a combinação entre dados comportamentais e inteligência artificial pode transformar como pessoas desaparecidas são localizadas. O estudo abre caminho para um futuro onde a tecnologia pode ser uma aliada decisiva em situações críticas.
Com informações de Interesting Engineering.