Travessia histórica da plataforma P-35, em 2 de novembro de 2026, exigiu meses de planejamento, mobilizou cerca de 100 profissionais e chamou atenção pela precisão da manobra na Baía de Guanabara.
Imagine atravessar a Ponte Rio-Niterói e olhar para baixo, encontrando uma gigantesca plataforma de petróleo passando lentamente sob a estrutura.
Foi essa a cena registrada em 2 de novembro de 2026, quando a P-35, da Petrobras, cruzou o vão central da ponte.
Com aproximadamente 330 metros de comprimento, 56 metros de altura e 27 mil toneladas, a embarcação precisou da ajuda de sete rebocadores.
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O destino era o Estaleiro Inhaúma, no Caju, no Rio de Janeiro. Mas completar essa viagem exigiu muito mais do que força.
Afinal, como fazer uma estrutura desse tamanho passar sob uma ponte em funcionamento, com apenas alguns metros de folga?

Petrobras precisou desmontar parte da P-35 para permitir a passagem sob a Ponte Rio-Niterói
A operação começou muito antes de a plataforma se aproximar da ponte. Durante meses, especialistas estudaram como reduzir os riscos da travessia.
Segundo Wagner Victer, gerente executivo da Petrobras, foi necessário cortar o flare, equipamento utilizado para a queima controlada de gases.
Parte do turret, sistema relacionado à ancoragem e transferência de fluidos, também precisou ser desmontada para diminuir a altura da unidade.
Mesmo assim, não bastava adaptar a estrutura. A equipe precisava encontrar condições favoráveis de maré, vento e correntes marítimas.
Uma pequena alteração no nível da água poderia comprometer a margem disponível para o deslocamento sob o vão central da ponte.
A travessia foi concluída com sucesso. E um detalhe impressionou: segundo Victer, o trânsito sobre a Ponte Rio-Niterói continuou funcionando normalmente.
Sete rebocadores e cerca de 100 profissionais participaram de uma operação que exigiu precisão
Para quem observa as imagens, os rebocadores parecem pequenos diante da plataforma. Entretanto, foram fundamentais para controlar o deslocamento.
Sete embarcações de apoio participaram da movimentação, que exigiu comunicação permanente e coordenação entre diferentes profissionais e autoridades.
Segundo o Instituto Estadual do Ambiente, aproximadamente 100 agentes e técnicos foram mobilizados para acompanhar a operação.
O trabalho envolveu a Petrobras, a Marinha do Brasil, o Inea e o Corpo de Bombeiros, com atenção à segurança ambiental.
Nos comentários ao vídeo, profissionais experientes destacaram o papel da praticagem, dos rebocadores e das equipes que participaram da manobra.
Manoel Ladistony, profissional da área marítima, chamou atenção para a redução do calado aéreo e a importância das condições meteorológicas.
O calado aéreo representa a altura da embarcação acima da água. Em uma operação como essa, cada metro faz diferença.
Antes de virar plataforma da Petrobras, a P-35 era o petroleiro José Bonifácio
Pouca gente conhece a história por trás dessa gigantesca estrutura. Antes de produzir petróleo, a P-35 navegava como navio petroleiro.
Originalmente conhecida como José Bonifácio, a embarcação passou por uma conversão para se transformar em uma unidade flutuante de produção.
A plataforma começou a produzir petróleo no campo de Marlim, na Bacia de Campos, em agosto de 1999.
Sua produção foi encerrada em 2021, depois de décadas de participação na indústria offshore brasileira e de importantes transformações tecnológicas.
Um FPSO funciona como uma instalação industrial flutuante, capaz de receber, processar, armazenar e transferir petróleo produzido em poços submarinos.
Por isso, mesmo depois de encerrar suas atividades, uma estrutura desse porte continua exigindo cuidados técnicos para ser movimentada.
Estaleiro Inhaúma recebe a P-35 em meio à recuperação da indústria naval do Rio de Janeiro
A chegada da plataforma também representa um momento importante para o antigo Estaleiro Inhaúma, localizado no bairro do Caju.
O complexo passou aproximadamente dez anos sem grandes obras de construção e reparo naval, apesar de sua importância histórica.
Agora, a infraestrutura passa por intervenções para voltar a receber embarcações de grande porte e ampliar suas atividades industriais.
Segundo a Firjan, uma das melhorias foi a dragagem da área operacional, que passou a contar com 9,5 metros de profundidade.
As instalações também possuem dois diques secos, além de equipamentos e estruturas destinadas à manutenção e ao reparo de embarcações.
A P-35 deverá permanecer acostada junto ao cais, onde poderão ser realizados serviços de inspeção, limpeza e gerenciamento de resíduos.
A movimentação reacendeu expectativas entre antigos trabalhadores. Nos comentários, profissionais recordaram projetos anteriores e a importância econômica do estaleiro.
Entretanto, ainda não existem números confirmados de novas contratações diretamente relacionadas à chegada da plataforma.
[IMAGEM 3 — VISTA AÉREA DO ESTALEIRO INHAÚMA]
Fotografia aérea histórica — Editora Brasil Energia
Depois de passar sob a Ponte Rio-Niterói, qual será o destino da gigante P-35 da Petrobras?
A travessia terminou, mas deixou uma pergunta importante: o que acontecerá com a P-35 depois de sua chegada ao estaleiro?
O Inea informou que a plataforma passa por um processo de descomissionamento e apontou sua desmontagem como destino previsto.
Entretanto, reportagem da Brasil Energia publicada em 2 de novembro indicou que a Petrobras ainda avaliava alternativas de reaproveitamento e desmantelamento.
O descomissionamento pode envolver limpeza, retirada de equipamentos, reciclagem e destinação de materiais, conforme as características de cada projeto.
Além disso, esse mercado representa uma oportunidade para empresas de engenharia, manutenção, logística e serviços especializados da indústria naval.
Na Bacia de Campos, outras plataformas também avançam em diferentes etapas de retirada de serviço.
A P-35, que começou sua trajetória como petroleiro e depois produziu petróleo por décadas, agora inicia um novo capítulo.
A engenharia conseguiu fazer a gigante atravessar a Ponte Rio-Niterói. Mas será que sua história termina no estaleiro ou ainda existe espaço para uma nova vida industrial?
