O governo promete superávit em 2026, mas só “fica no azul” porque exclui R$ 57,8 bilhões em precatórios da conta na prática, ainda é déficit.
O governo apresentou ao Congresso a proposta de orçamento para 2026 com duas novidades que chamaram a atenção: o salário mínimo projetado de R$ 1.631 e a promessa de um superávit primário de R$ 34,3 bilhões, equivalente a 0,25% do PIB. No papel, seria a primeira vez que o terceiro mandato do presidente Lula fecharia o ano “no azul”.
Mas, segundo reportagem do Times Brasil, esse resultado não é tão positivo quanto parece. Isso porque o cálculo oficial exclui R$ 57,8 bilhões em precatórios dívidas judiciais que a União é obrigada a pagar. Se esse valor fosse considerado, o país teria, na prática, um déficit de R$ 23,3 bilhões.
O que muda com o salário mínimo de R$ 1.631
O salário mínimo previsto para 2026 representa uma alta de 7,45% em relação ao valor atual, de R$ 1.518. Esse reajuste segue a regra de correção que considera inflação e crescimento do PIB. Ainda assim, o valor só será confirmado em dezembro de 2025, quando o INPC do ano for fechado.
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Para milhões de trabalhadores, aposentados e beneficiários de programas sociais, esse valor serve como referência direta de renda. Por isso, o impacto do aumento vai além da folha de pagamento: mexe em benefícios como aposentadorias, seguro-desemprego e o BPC.
O truque dos precatórios no resultado fiscal
O governo destaca o superávit de R$ 34,3 bilhões como sinal de responsabilidade fiscal. No entanto, ao retirar os precatórios da conta, cria-se uma “maquiagem” no resultado. Especialistas explicam que, embora o pagamento dessas dívidas esteja suspenso do cálculo oficial, elas continuam existindo e terão de ser quitadas em algum momento, gerando pressão sobre as contas futuras.
Essa prática é vista como um ajuste contábil que melhora o discurso político, mas não resolve o problema estrutural das finanças públicas. O resultado é que, enquanto o orçamento mostra equilíbrio, a realidade é de déficit.
O impacto na classe média e no ajuste fiscal
O orçamento também prevê corte de R$ 19,6 bilhões em benefícios fiscais considerados inconstitucionais ou pouco eficientes. A ideia é preservar apenas incentivos que estejam previstos na Constituição. Isso, segundo o Ministério da Fazenda, ajudaria a ampliar a arrecadação e compensar parte da perda com os precatórios.
Ainda assim, economistas alertam que o esforço é insuficiente para equilibrar as contas de forma sustentável. O verdadeiro desafio é reduzir gastos obrigatórios e ampliar a base de arrecadação sem comprometer a atividade econômica.
O anúncio de que o salário mínimo será de R$ 1.631 em 2026 soa como um alívio para os trabalhadores, mas o pano de fundo das contas públicas mostra um cenário bem mais preocupante. Com a exclusão dos precatórios, o governo passa a impressão de que as finanças estão no azul, quando na prática o déficit continua.
E você, acredita que a estratégia do governo é válida para “ganhar tempo” ou considera uma manobra perigosa que pode custar caro no futuro? Deixe sua opinião nos comentários — queremos ouvir quem vive essa realidade no dia a dia.