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O menor avião tripulado do mundo pesa menos que uma moto e cabe em uma garagem

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 07/07/2025 às 16:17
O menor avião tripulado do mundo pesa menos que uma moto e cabe em uma garagem
Foto: Reddit
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Com apenas 1,98 metro de envergadura e 180 kg, o Bumble Bee II é o menor avião tripulado do mundo — e ainda conseguiu voar com um piloto a bordo.

Imagine um avião tão pequeno que sua envergadura é menor que a largura de um carro popular. Um avião que cabe dentro de uma garagem comum, pesa menos que uma moto, mas é capaz de levantar voo com um ser humano a bordo. Parece brincadeira? Pois esse avião não só existe, como voou com sucesso em 1988 e entrou para o Guinness Book como o menor avião tripulado do mundo. O nome dele é Bumble Bee II, uma verdadeira joia da engenharia artesanal e da aviação extrema — tão pequeno que desafia nossa noção do que é, de fato, um avião.

Quando a engenharia encontra a obsessão

O responsável por essa criação surreal foi Robert H. Starr, um piloto e engenheiro aeronáutico norte-americano, apaixonado por desafios absurdos. Depois de anos testando aviões experimentais, Starr decidiu construir o avião tripulado mais compacto já feito, uma espécie de “prova de conceito” — e, ao mesmo tempo, uma provocação ao que se acreditava possível.

O Bumble Bee II foi a evolução do Bumble Bee I, uma aeronave já extremamente pequena, mas que ele considerava “grande demais”. O segundo modelo seria ainda menor, mais leve e com fuselagem reduzida ao mínimo para manter o piloto vivo e a estrutura voando.

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E deu certo. A aeronave voou oficialmente em 8 de maio de 1988, nos céus do Arizona (EUA), com o próprio Robert Starr aos comandos. O voo durou pouco, mas foi o suficiente para garantir o recorde mundial.

O tamanho impressiona – pela pequenez

As dimensões do Bumble Bee II são quase cômicas:

  • Envergadura: apenas 1,98 metro — menor do que muitos braços estendidos.
  • Comprimento: cerca de 2,7 metros — similar a uma motocicleta média.
  • Altura: pouco mais de 1 metro — caberia sob um toldo de garagem.
  • Peso vazio: cerca de 180 kg — mais leve que muitas motos de alta cilindrada.

Mesmo com esse tamanho ínfimo, o avião era funcional: possuía trem de pouso retrátil, comando de profundor e ailerons, um motor de 85 hp e um cockpit que acomodava, ainda que espremido, o corpo de um piloto adulto.

Como é possível um avião tão pequeno voar?

O segredo do Bumble Bee II estava em sua combinação milimétrica de aerodinâmica, leveza e potência. O avião usava um motor Continental C85 modificado, que oferecia potência suficiente para levantá-lo do chão mesmo com uma envergadura minúscula.

O voo, no entanto, era um exercício extremo de controle e coragem. Com asas tão pequenas, o avião tinha baixa sustentação e pouca estabilidade. Era sensível a qualquer rajada de vento, e o piloto precisava de reflexos rápidos e nervos de aço para mantê-lo no ar.

O menor avião tripulado do mundo pesa menos que uma moto e cabe em uma garagem
Foto: Reddit

Além disso, a visibilidade era limitada, o espaço interno era claustrofóbico, e o conforto simplesmente inexistia. Mas o objetivo não era voar longe — era provar que era possível voar com algo tão pequeno.

Um feito reconhecido mundialmente

Após o voo histórico de 1988, o Bumble Bee II foi imediatamente reconhecido pelo Guinness World Records como o menor avião tripulado do mundo — e o título permanece até hoje.

A aeronave tornou-se ícone cult no mundo da aviação experimental, sendo exibida em museus e constantemente citada em listas de “aviões mais absurdos já construídos”. É estudada por engenheiros, aeromodelistas e entusiastas como uma referência de miniaturização funcional.

Infelizmente, após o voo bem-sucedido, a aeronave sofreu danos em testes posteriores e nunca mais voou. No entanto, foi restaurada e hoje pode ser vista como peça histórica.

Muito além da curiosidade: o impacto do Bumble Bee II

Você pode pensar que o Bumble Bee II foi apenas uma excentricidade. Mas ele representou um ponto de inflexão importante na engenharia experimental. Ele mostrou que:

  • É possível construir aeronaves funcionais em escalas extremamente reduzidas;
  • A miniaturização extrema também desafia os limites dos materiais e da aerodinâmica;
  • A coragem e o conhecimento individual ainda podem criar avanços — mesmo sem corporações por trás.

Esse espírito artesanal e ousado é o mesmo que impulsionou os irmãos Wright, os pioneiros da aviação, e que segue presente em construtores independentes até hoje.

Além disso, o Bumble Bee II serviu como um alerta para limites reais da aviação tripulada. Com envergaduras muito pequenas, o controle torna-se instável, o conforto desaparece e o risco aumenta exponencialmente.

Ou seja, o Bumble Bee II está na fronteira exata entre o voo tripulado e o absurdo técnico — e é exatamente por isso que ele é tão fascinante.

Na era de drones autônomos, caças hipersônicos e jatos comerciais de última geração, é quase poético lembrar que o menor avião do mundo foi construído na garagem de um homem com ferramentas simples e muita coragem.

O Bumble Bee II continua sendo insuperado em sua proposta — um avião tão pequeno que parece saído de um desenho animado, mas que cumpriu seu propósito: tirar o homem do chão com o mínimo de estrutura possível.

E embora não tenha ido longe, ele voou — o suficiente para marcar seu nome na história da aviação como o menor avião tripulado já feito pelo ser humano.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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