Tarifa de 50% dos EUA eleva café em 35%; Brasil supria 1/3 dos americanos e redireciona cargas, mirando União Europeia, que já responde por 50%.
No início de agosto, os contratos futuros do café arábica dispararam quase 35%, o maior salto mensal desde 2014. O motivo foi direto: a imposição de uma tarifa de 50% sobre o café importado do Brasil, medida que bagunçou o mercado e trouxe incertezas para a cadeia produtiva. O Times Brasil destaca que No curto prazo, a tarifa de 50% dos EUA encareceu o café e beneficiou preços ao produtor; no médio prazo, a logística muda, mas os EUA não conseguem substituir o Brasil no requisito do café.
Segundo o consultor José Carlos Hausknest, da MB Agro, isso acontece porque o Brasil responde por quase um terço do café consumido pelos americanos, fatia que outros fornecedores, como Colômbia e Vietnã, não conseguem suprir integralmente.
O impacto imediato da tarifa de 50%
A expectativa era de que o café entrasse na lista de exceções, como ocorreu com o suco de laranja, o que reduziria a tarifa para 10%. Mas as negociações emperraram, e até agora o produto segue com tributação cheia. O efeito foi imediato: os preços futuros dispararam e os blends americanos, que dependem de percentuais fixos de café brasileiro, ficaram pressionados.
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Trocar receitas e padrões de sabor não é simples, já que a indústria precisa manter a qualidade e a consistência exigida pelos consumidores. Isso coloca pressão não apenas sobre importadores dos EUA, mas também sobre cafeterias e grandes marcas que operam no mercado global.
Como o Brasil redireciona suas exportações
Do lado brasileiro, a reação foi redirecionar cargas para outros destinos. Os EUA absorvem cerca de 16% das exportações nacionais de café, enquanto a União Europeia já representa quase 50% do mercado externo. Esse bloco aparece como o principal espaço para realocar parte do volume afetado pela tarifa.
Além disso, ao comprarem mais de Colômbia e outros países, os americanos acabam deslocando fornecedores que tradicionalmente abasteciam outras regiões. Essa movimentação abre janelas para o Brasil ampliar sua presença em mercados secundários, mesmo com a pressão tarifária.
No curto e no médio prazo
No curto prazo, os preços mais altos beneficiam o produtor brasileiro, que encontra margens melhores diante da demanda global aquecida. No entanto, no médio prazo, existe risco comercial: perder participação em um cliente do tamanho dos Estados Unidos nunca é bom.
Por outro lado, especialistas lembram que os EUA não conseguem substituir o Brasil no mercado de café. A tendência é que, mesmo pagando tarifas elevadas, o país siga comprando do Brasil, ou que em algum momento o café entre em um pacote de exceções.
A crise tarifária mostrou que, quando o assunto é café, os EUA não conseguem substituir o Brasil. A força da produção nacional, tanto em volume quanto em qualidade, mantém o país como ator central no mercado global.
E você, acha que essa tarifa de 50% pode levar os EUA a recuar ou acredita que o Brasil deve apostar em diversificação de mercados para reduzir a dependência americana? Deixe sua opinião nos comentários queremos ouvir quem vive isso na prática.