Brasil exporta volume recorde de minério de ferro em 2025 e dois países assumem liderança nas compras, consolidando nova configuração global.
O minério de ferro segue como um dos pilares da balança comercial brasileira. Em julho de 2025, o país registrou exportações recordes de 41,1 milhões de toneladas em apenas um mês, consolidando sua posição como segundo maior fornecedor global, atrás apenas da Austrália. Os embarques de janeiro a agosto já ultrapassaram os 200 milhões de toneladas, movimentando mais de US$ 20 bilhões. O desempenho confirma o peso do setor mineral, responsável por mais de 10% da pauta exportadora brasileira.
Dois países concentram a maior parte das compras
Os números da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) e da plataforma OEC mostram que, em 2025, dois destinos concentraram a maior parte das exportações brasileiras de minério de ferro.
Juntos, esses dois países já respondem por mais de 70% do valor exportado até agosto, reforçando sua relevância estratégica para a indústria mineral e para a própria balança comercial do Brasil.
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A liderança desses mercados também evidencia uma reconfiguração do comércio mundial, em que o Brasil ocupa papel de destaque ao lado da Austrália como fornecedor fundamental para as principais siderurgias globais.
China segue como principal destino
O primeiro desses destinos é a China, que há mais de uma década lidera as compras de minério brasileiro. Em junho de 2025, por exemplo, as exportações para o país asiático somaram US$ 1,59 bilhão, mais de dez vezes o registrado para o segundo colocado.
A demanda chinesa é explicada pelo tamanho da sua indústria siderúrgica, responsável por mais da metade do aço produzido no mundo. O minério brasileiro, de alta qualidade e com preços competitivos, segue sendo essencial para abastecer esse setor estratégico.
Japão reforça posição como comprador
O segundo mercado de destaque em 2025 é o Japão, que aparece como comprador recorrente do minério brasileiro, mesmo em meio à retração da demanda global. Segundo dados oficiais, em junho os embarques para o Japão chegaram a US$ 61,3 milhões, superando destinos tradicionais como União Europeia e Oriente Médio.
Esse movimento reforça a relação histórica entre Brasil e Japão no setor mineral e industrial, em especial com as siderúrgicas japonesas que dependem de matéria-prima de alta qualidade para manter sua produção.
Malásia e Omã surgem como hubs regionais
Embora não estejam entre os dois maiores compradores, Malásia e Omã ganharam importância em 2025. Ambos os países atuam como hubs logísticos, recebendo minério brasileiro e redistribuindo para siderurgias na Ásia e no Oriente Médio.
Em junho, a Malásia importou US$ 143 milhões e Omã, US$ 101 milhões, valores expressivos que mostram a diversificação de rotas e a busca do Brasil por ampliar sua presença no mercado global.
Impacto econômico e geopolítico
O fortalecimento de China e Japão como principais destinos do minério brasileiro vai além da economia: carrega também um componente geopolítico. Em um cenário de tensões comerciais entre grandes potências, o fornecimento de matérias-primas críticas se torna um ativo estratégico.
Para o Brasil, garantir contratos de longo prazo com esses mercados significa não apenas estabilidade financeira, mas também maior influência em negociações internacionais relacionadas a siderurgia, infraestrutura e comércio global de commodities.
Desafios logísticos e ambientais
Apesar dos números recordes, o setor enfrenta desafios importantes:
- Logística: portos e ferrovias precisam acompanhar o ritmo de exportações cada vez maiores.
- Sustentabilidade: compradores exigem certificações ambientais e rastreabilidade da produção.
- Diversificação: a concentração em poucos mercados aumenta riscos de dependência comercial.
Empresas como a Vale têm investido em novas tecnologias de transporte e redução de emissões, tentando alinhar produção e exportação às exigências de mercados mais sofisticados.
Perspectivas para 2025 e 2026
A expectativa dos analistas é que o Brasil encerre 2025 com exportações acima de 300 milhões de toneladas de minério de ferro, superando 2024 e confirmando uma trajetória de crescimento.
Para 2026, a tendência é de manutenção da demanda, com a China ainda na liderança e o Japão consolidando-se como segundo maior destino. Ao mesmo tempo, mercados emergentes como Malásia e Omã devem ganhar mais espaço, funcionando como pontos estratégicos de distribuição.
O desempenho das exportações brasileiras em 2025 comprova que o minério de ferro é um trunfo econômico e geopolítico do Brasil.
Ao alcançar volumes recordes e consolidar dois mercados estratégicos como principais compradores, o país reforça sua posição no tabuleiro global das commodities.
A dependência de China e Japão traz riscos, mas também abre oportunidades para negociações de longo prazo e investimentos em infraestrutura que podem transformar o Brasil em um fornecedor ainda mais competitivo no futuro.