Amaggi e Inpasa criam joint venture para investir R$ 7,5 bi em três usinas de etanol de milho em MT. Projeto pode gerar 3 bi litros/ano até 2030.
Dois dos maiores grupos do agronegócio e da energia renovável da América Latina, Amaggi e Inpasa, anunciaram em agosto de 2025 a criação de uma joint venture para construir três usinas de etanol de milho em Mato Grosso. A primeira será instalada em Rondonópolis, enquanto Campo Novo dos Parecis e Querência estão em estudo para abrigar as próximas unidades. Embora o comunicado oficial não tenha revelado valores, com base em plantas recentes do setor — como a última usina da Inpasa em Balsas (MA), orçada em R$ 2,5 bilhões —, o investimento conjunto é estimado em R$ 7,5 bilhões.
Capacidade de processamento e impacto imediato
Cada unidade terá capacidade de processar 2 milhões de toneladas de milho por ano. Seguindo parâmetros técnicos já usados no setor, isso significa a produção aproximada de 1 bilhão de litros de etanol por planta.
Somadas, as três fábricas poderão gerar até 3 bilhões de litros/ano, além de subprodutos como DDG (grão seco de destilaria) para nutrição animal e óleo de milho.
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Esse incremento representa, sozinho, um aumento de cerca de 50% na produção de Mato Grosso, que deve alcançar 6 bilhões de litros na safra 2024/25, segundo estimativas oficiais.
Mato Grosso como epicentro do etanol de milho
A escolha de Mato Grosso não é por acaso. O estado é o maior produtor de milho do Brasil e já concentra grande parte das usinas de etanol em operação. Com a nova joint venture, a região se fortalece como epicentro nacional da produção de biocombustíveis, criando sinergia entre lavoura, indústria e logística.
Além de reduzir custos de transporte da matéria-prima, o projeto deve gerar impacto econômico local expressivo, com a criação de milhares de empregos nas obras e postos permanentes após o início das operações.
Força e complementaridade das empresas
A Amaggi leva para a parceria sua capilaridade na originação de grãos, com relacionamento ativo com mais de 5 mil produtores e mais de 18 milhões de toneladas comercializadas em 2024, além de forte presença logística.
A Inpasa, maior produtora de etanol de milho da América Latina, soma sua experiência industrial com plantas em operação no Brasil e Paraguai, incluindo unidades em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Maranhão. Essa união cria uma combinação de escala agrícola, infraestrutura e tecnologia de ponta, capaz de acelerar a expansão do setor.
O anúncio da joint venture ocorre em meio a uma onda de novos projetos. Um levantamento recente identificou 21 usinas de etanol de milho em construção ou em fase de projeto no Brasil, com investimentos que somam mais de R$ 23 bilhões em CAPEX e outros R$ 5 bilhões em capital de giro.
Se todos esses empreendimentos forem concluídos, a capacidade nacional pode saltar de 8,2 bilhões de litros para mais de 12 bilhões de litros/ano, um aumento de quase 50%.
Perspectivas e próximos passos
O acordo ainda precisa passar pela aprovação das autoridades concorrenciais brasileiras. Só depois desse aval é que a nova empresa divulgará cronogramas de obras, contratos de fornecedores e detalhes da operação.
O planejamento inicial prevê a prioridade para a usina de Rondonópolis, com Campo Novo dos Parecis e Querência sendo confirmadas na sequência. O modelo de produção incluirá etanol e coprodutos, reforçando a integração entre agricultura e indústria.
Um marco para o etanol de milho no Brasil
O acordo entre Amaggi e Inpasa não representa apenas um investimento estimado em R$ 7,5 bilhões: trata-se de um marco histórico para o setor de biocombustíveis.
Com capacidade de ampliar em bilhões de litros a produção anual de etanol e gerar milhares de empregos, o projeto reforça a liderança brasileira no campo das energias renováveis.
Se executada conforme o planejado, a joint venture criará um dos maiores polos de etanol de milho do país, reposicionando o Brasil como referência global em transição energética e agregando valor à sua cadeia agrícola.