Com quase 200 mil hectares na divisa entre Goiás e Tocantins, a Fazenda Nova Piratininga combina pecuária de ciclo completo, agricultura em larga escala e infraestrutura robusta, reunindo tecnologia de ponta e práticas sustentáveis em uma única operação.
Localizada na divisa entre Goiás e Tocantins, a Fazenda Nova Piratininga opera em escala industrial e é apontada no setor como a maior fazenda brasileira de ciclo completo.
Em uma área próxima de 200 mil hectares, a propriedade mantém um rebanho de cerca de 120 mil bovinos, dos quais 60 mil matrizes estão em idade reprodutiva.
A infraestrutura inclui quase 1.000 quilômetros de estradas internas, pista de pouso e reservatórios de água com capacidade declarada de 10,6 bilhões de litros, além de lavouras comerciais de soja e milho.
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Tecnologia reprodutiva e manejo de ponta
A Nova Piratininga consolidou-se como referência em reprodução bovina ao adotar, em larga escala, a inseminação artificial em tempo fixo (IATF).
O programa é apresentado por veículos técnicos como um dos maiores do país, com dezenas de milhares de protocolos por estação, e integra seleção rigorosa de matrizes, encurtamento da estação de monta e uso de genética nelore e angus para agregar ganho de carcaça e precocidade.
O objetivo declarado é elevar eficiência e padronização de lotes no ciclo de cria, recria e engorda, reduzindo a sazonalidade dos nascimentos.
Segundo reportagens especializadas, a fazenda tem obtido altos índices de prenhez na IATF, estratégia que acompanha a tendência nacional de avanço do método.
Em 2024, por exemplo, o uso de IATF seguiu em expansão no Brasil, com taxas médias de prenhez acima de 50% em levantamentos setoriais — patamar considerado bom por instituições de pesquisa.
Esse contexto ajuda a explicar o desempenho relatado no rebanho da Nova Piratininga.
Agricultura em expansão e autonomia de grãos
Além da pecuária, a propriedade intensificou a agricultura de precisão para sustentar o crescimento do rebanho.
Na soja, a área plantada, que era de 3 mil hectares na safra 2019/2020, dobrou em 2020/2021 e, conforme divulgado, deve chegar a 50 mil hectares com a expansão do cultivo e ganhos de logística interna.
No milho, a meta declarada é autossuficiência para ração e volumoso, com produção de grãos, silagem e feno para atravessar a seca sem perda de desempenho.
Parte desse avanço decorre de investimentos em máquinas, armazenagem e treinamento.
Enquanto a pecuária demanda regularidade de fornecimento de fibra e energia, as lavouras foram organizadas para sincronizar colheita, estocagem e distribuição, reduzindo custos de compra externa e dependência de mercados mais voláteis.
Em períodos críticos, a combinação de dieta planejada e logística automatizada sustenta os 120 mil animais com previsibilidade.
Logística interna e serviços para quem vive na fazenda
Para dar conta das operações diárias, a Nova Piratininga dispõe de cerca de 970 quilômetros de estradas internas, malha que dá acesso a retiros, currais, áreas de pastagem e talhões agrícolas.
Uma pista de pouso agiliza deslocamentos técnicos e executivos.
Na área hídrica, a divulgação pública menciona reservatórios somando 10,6 bilhões de litros, número que sustenta irrigação pontual, bebedouros e segurança produtiva em anos mais secos.
Essa estrutura é acompanhada por uma vila com mais de 600 moradores, com escola, oficinas e serviços de saúde para atender funcionários e famílias.
A logística também se reflete no transporte de gado entre setores de cria, recria e terminação.
Rotas internas, cronogramas de manejo e janelas de pesagem foram padronizados para minimizar estresse animal e otimizar conversão.
Em conteúdos técnicos recentes, a fazenda descreve o fracionamento das áreas por função — do berçário de futuras matrizes ao confinamento — como peça-chave para manter cadência de lotes e abastecimento dos frigoríficos.
Sustentabilidade e uso integrado do solo
A gestão ambiental aparece como pilar do projeto, com APPs e reserva legal preservadas e práticas de integração lavoura-pecuária para melhorar solo e pastagens.
Relatos do próprio site e de veículos agro destacam o uso de agricultura de precisão, correção de solo e manejo rotacionado para reduzir emissão de gases por unidade de produto, além de facilitar a recuperação de áreas entre safras.
O desenho integrado busca combinar ganho de produtividade com conservação de recursos hídricos.
Estudos acadêmicos que analisaram a área também registram a dimensão da malha viária interna, a presença de reservatórios e a existência de uma comunidade residente.
Embora adotem recortes metodológicos específicos, esses trabalhos corroboram a escala singular da operação e o caráter multifuncional da paisagem agropecuária.
Dimensões e status de “maior”
Importante destacar que o título de “maior” varia conforme o critério. Em canais técnicos e na imprensa setorial, a Nova Piratininga é frequentemente classificada como a maior fazenda de ciclo completo do país, em referência ao modelo que integra cria, recria e engorda em uma mesma operação, com rebanho de 120 mil cabeças e área declarada na casa de 200 mil hectares.
Em outras publicações, aparecem menções a 135 mil hectares registrados em matrícula única ou a mais de 200 mil hectares operacionais, o que explica a diferença entre fontes quando se compara área total, área útil e módulos administrativos.
Ainda assim, todas convergem para a mesma ideia: trata-se de um empreendimento agropecuário de porte excepcional na fronteira GO-TO.
Em síntese, a combinação de escala, tecnologia reprodutiva, agricultura própria e uma estrutura urbana no interior da fazenda ajuda a entender por que a Nova Piratininga se tornou um caso emblemático do agronegócio brasileiro contemporâneo.
Diante desse arranjo, que outros indicadores — além de área, rebanho e produtividade — deveriam pesar para definir o que é, de fato, a “maior” fazenda do Brasil?
E certamente é fruto de Grilagem assim como todos os Latifúndios desse país.
A linha que separa estados no Brasil é chamada de Divisa; fronteira é entre países. E limite é entre municípios.