A nova frente, chamada Genu-in Solutions, vai criar produtos para outras empresas. O primeiro já saiu do laboratório: um salgadinho do tipo puff com 44% de proteína.
A JBS criou a Genu-in Solutions, uma operação que desenvolve alimentos e bebidas com mais proteína para outras empresas. O anúncio foi feito em 21 de setembro de 2026, em comunicado da companhia. A nova frente pertence à Genu-in, empresa de colágeno e gelatina da JBS Novos Negócios.
A primeira entrega é um snack proteico do tipo puff com 44% de proteína, desenvolvido ao longo de 18 meses. Segundo a JBS, o produto já passou pelas etapas regulatórias e pelos testes de estabilidade e está pronto para ser vendido no varejo. A empresa também trabalha em gomas com colágeno e em bebidas prontas para consumo.
O que a JBS já desenvolveu

O puff é o produto mais adiantado da nova operação. Os testes de estabilidade medem se um alimento mantém sabor, textura e composição ao longo do prazo de validade, e são uma das últimas etapas antes de o produto chegar à prateleira.
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As outras duas frentes citadas pela JBS são as gomas com colágeno e as bebidas do segmento ready-to-drink (RTD), termo do mercado para bebidas vendidas já prontas, na garrafa ou na lata, sem preparo.
Como vai funcionar o serviço para outras empresas
A Genu-in Solutions atende apenas empresas, no modelo B2B. Quem quiser lançar um produto proteico pode contratar a Genu-in para cuidar de uma parte ou de todo o desenvolvimento. Segundo a JBS, o serviço pode incluir:
- criação da fórmula;
- avaliação regulatória;
- estudos de estabilidade;
- produção;
- comunicação;
- logística.
O cliente pode contratar só uma etapa ou o pacote completo, que a empresa chama de full service. Até agora, a Genu-in vendia o ingrediente e dava suporte técnico para aplicá-lo. Agora ela passa a entregar o produto pronto.
De fornecedora de gelatina a desenvolvedora de produtos

A Genu-in foi criada em 2022. No começo, a empresa produzia e vendia peptídeos de colágeno, o colágeno quebrado em partes menores que se dissolve com mais facilidade em alimentos e bebidas, e gelatina. Parte do investimento foi para pesquisas que comprovassem os efeitos dos ingredientes.
Com o tempo, os clientes passaram a pedir ajuda para colocar colágeno e proteína nos próprios produtos. Segundo a JBS, isso levou a Genu-in a participar de projetos em categorias como suplementos, iogurtes, requeijão, barras, snacks, refeições prontas, águas proteicas e cervejas sem álcool. A Genu-in Solutions reúne essa experiência numa operação própria.
A fábrica que sustenta o negócio

A base da Genu-in é uma fábrica em Presidente Epitácio, no interior de São Paulo, que funciona desde 2022. Recebeu investimento de R$ 400 milhões e tem capacidade anual para 6 mil toneladas de peptídeos de colágeno e 6 mil toneladas de gelatina.
A principal matéria-prima é a pele bovina que sobra dos frigoríficos da própria JBS. No começo de 2026, a empresa disse ao InvestNews que a unidade já produzia acima do volume previsto no projeto original e que exportava para mais de 20 países, com os Estados Unidos como principal destino.
O que diz a JBS

O presidente da JBS Novos Negócios, Ricardo Gelain, disse no comunicado que a empresa passa a ir do ingrediente ao produto final:
“Com a Genu-in Solutions, avançamos do ingrediente para o desenvolvimento do produto final, combinando nosso conhecimento em proteínas com pesquisa e tecnologia. Ao integrar todo o processo de desenvolvimento em uma única plataforma, facilitamos o caminho entre uma oportunidade de mercado e um produto pronto para chegar ao consumidor. É uma forma de acelerar a inovação e, ao mesmo tempo, reduzir riscos para nossos parceiros.”
Um mercado de US$ 100 bilhões
A JBS diz que a estratégia segue uma mudança no consumo: mais atenção à saúde e busca por jeitos práticos de comer proteína. Antes, a proteína aparecia sobretudo nas refeições principais e nos suplementos. Hoje ela chega a produtos como requeijão e cerveja.
A consultoria Grand View Research, citada pela JBS, estima que o mercado global desses produtos chegue a US$ 101,62 bilhões em 2030, com crescimento médio de 6,2% ao ano. A JBS não é a única grande indústria de carnes nesse campo: em 2024, a BRF comprou 50% da Gelprime, fabricante de colágeno e gelatina, por R$ 312,5 milhões.
Segundo a JBS, o puff de 44% de proteína está pronto para chegar ao varejo por meio das empresas que contratarem a Genu-in Solutions.
