Comitiva de mais de 100 empresários brasileiros viaja a Washington para tentar reverter a sobretaxa de 50% imposta pelos Estados Unidos.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) afirmou nesta sexta-feira (29) que “não é o momento” de aplicar a Lei da Reciprocidade Econômica contra os Estados Unidos. A declaração ocorre após o governo americano impor uma sobretaxa de 50% às exportações brasileiras, com o governo brasileiro estudando uma retaliação.
A norma autoriza o Brasil a adotar contramedidas sempre que parceiros comerciais criarem barreiras contra os produtos nacionais.
Segundo o presidente da entidade, Ricardo Alban, a situação exige cautela porque a prioridade é buscar soluções diplomáticas. Ele destacou que a melhor alternativa é intensificar o diálogo com a gestão de Donald Trump.
-
Com dívida acima de 300% do PIB e consumo doméstico em apenas 39%, economia da China entra em risco estrutural segundo Banco Mundial e NBS julho 2025
-
Mesmo sob tarifas de 50% dos EUA e após anos de impasses fronteiriços, China e Índia retomam voos diretos e prometem “ver o outro como oportunidade”, segundo Xinhua e PTI um gesto prático de reaproximação
-
Mercado já precifica Selic em 12,5% até 2026, mas Brasil seguirá com juro real acima de 8% ao ano, um dos mais altos do mundo
-
Justiça dos EUA declara as tarifas de Trump ilegais, mas em uma decisão contraditória, manda a cobrança continuar em vigor
Comitiva de empresários em Washington
Alban anunciou que uma comitiva formada por mais de 100 empresários e líderes de associações industriais seguirá para Washington na próxima semana.
O objetivo é negociar diretamente e tentar reverter os efeitos do tarifaço.
“Precisamos de todas as formas buscar manter a firme e propositiva relação de mais de 200 anos entre Brasil e Estados Unidos”, disse.
Para ele, o propósito da missão é abrir caminhos para uma negociação que leve à reversão da taxa ou, pelo menos, à ampliação das exceções já previstas.
Audiência pública e defesa do Brasil
Em Washington, a delegação participará de reuniões bilaterais com parceiros americanos e encontros preparatórios para a audiência pública marcada para 3 de setembro.
O evento integra a investigação aberta em julho pelo governo Trump sobre supostas práticas comerciais “desleais” do Brasil.
A CNI reforçou que já formalizou manifestação em defesa do país. No documento, a entidade argumenta que o Brasil não adota medidas discriminatórias ou restritivas que justifiquem a sobretaxa.
Além disso, reafirma a disposição em manter o comércio bilateral baseado em regras claras e equilibradas.