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Índia coloca em operação um dos maiores destróieres do mundo projetado para guerra em rede

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Escrito por Alisson Ficher Publicado em 16/03/2026 às 21:18
Assista o vídeoÍndia coloca em operação o destróier INS Surat, navio de guerra com 75% de conteúdo nacional, mísseis BrahMos e capacidade avançada de guerra em rede.
Índia coloca em operação o destróier INS Surat, navio de guerra com 75% de conteúdo nacional, mísseis BrahMos e capacidade avançada de guerra em rede.
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Incorporação do destróier INS Surat marca avanço da indústria naval militar indiana e reforça presença estratégica no Oceano Índico, combinando armamentos modernos, guerra em rede e elevado conteúdo nacional em um dos maiores navios de combate de superfície já operados pela Marinha da Índia.

A Marinha da Índia incorporou o INS Surat em 15 de janeiro de 2025, em Mumbai, durante uma cerimônia que também marcou a entrada em serviço da fragata INS Nilgiri e do submarino INS Vaghsheer.

Classificado por Nova Délhi como o quarto e último navio do Projeto 15B, o destróier foi apresentado como uma plataforma de grande porte, com 75% de conteúdo nacional e capacidade avançada de operação em rede.

Projeto 15B amplia capacidade de combate da Marinha Indiana

Construído pela Mazagon Dock Shipbuilders e projetado pelo Warship Design Bureau da Marinha Indiana, o navio encerra a série de destróieres Visakhapatnam, concebida para suceder a classe Kolkata com maior integração entre sensores, armamentos e sistemas de gerenciamento de combate.

A entrega à força naval ocorreu em 20 de dezembro de 2024, antes do prazo contratual, e o comissionamento veio menos de um mês depois.

Pelos dados oficiais divulgados pelo governo indiano, o INS Surat desloca cerca de 7.400 toneladas, tem 164 metros de comprimento e alcançou velocidade superior a 30 nós durante os testes de mar.

Esse porte explica por que autoridades do país o descrevem como um dos maiores e mais sofisticados destróieres do mundo em sua categoria operacional.

Navio multimissão reúne defesa aérea, ataque e guerra antissubmarino

A embarcação foi desenhada para atuar em diferentes frentes do combate naval, combinando defesa aérea, ataque de superfície e guerra antissubmarino em uma única plataforma.

Na prática, isso permite que o navio opere de forma independente em missões complexas ou assuma a função de capitânia de uma força‑tarefa, sem depender do mesmo nível de apoio externo exigido por classes anteriores.

No armamento, o destróier reúne mísseis supersônicos BrahMos para ataque contra alvos de superfície e o sistema Barak‑8 de defesa aérea de médio alcance.

Para o combate abaixo da linha d’água, a configuração inclui sonar de casco Humsa NG, lançadores de torpedos pesados e lançadores de foguetes antissubmarino desenvolvidos na Índia, segundo o estaleiro responsável pela construção.

A própria descrição oficial da Mazagon Dock afirma que o navio foi preparado para enfrentar submarinos inimigos, navios de guerra, mísseis antinavio e aeronaves de combate.

Esse perfil amplia o valor militar da embarcação dentro de um cenário marítimo mais exigente, em que marinhas buscam plataformas multimissão capazes de processar dados e reagir em tempo real a diferentes ameaças.

Conteúdo nacional e indústria de defesa ganham destaque

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Outro ponto central da incorporação do INS Surat é o peso industrial do programa.

O Ministério da Defesa indiano afirma que o navio atingiu 75% de conteúdo nacional, enquanto a Mazagon Dock informa que os destróieres do Projeto 15B elevaram a participação local para 72%, acima dos índices registrados nas classes anteriores P15 e P15A.

Essa diferença numérica aparece porque o governo trata o patamar de indigenização do projeto em termos mais amplos, incluindo o volume de encomendas a fabricantes nacionais, enquanto o estaleiro detalha a taxa específica da classe construída.

Em ambos os casos, a mensagem oficial permanece a mesma: ampliar a autonomia tecnológica do país e reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros em sistemas estratégicos.

Construção acelerada marca novo ritmo da indústria naval

O programa também ganhou destaque pelo ritmo de construção.

Segundo dados divulgados pelo governo indiano, o casco do INS Surat foi batido em novembro de 2019, o lançamento ocorreu em maio de 2022 e a entrega foi concluída 31 meses depois.

Esse cronograma transformou o navio no destróier indígena mais rápido já construído na Índia entre plataformas desse porte.

Além disso, os testes de mar começaram em junho de 2024 e os ensaios finais de máquinas terminaram em novembro do mesmo ano, num ciclo de aproximadamente seis meses.

O desempenho do cronograma foi tratado por autoridades indianas como evidência de maior maturidade da indústria local na construção de grandes combatentes de superfície.

Estratégia naval da Índia no Indo‑Pacífico

A incorporação do destróier ocorreu em um momento em que Nova Délhi tenta vincular expansão naval, produção doméstica e projeção estratégica no Indo‑Pacífico.

No ato de comissionamento, o governo classificou a entrada simultânea do Surat, do Nilgiri e do Vaghsheer como um salto relevante para a segurança marítima e para a ambição de transformar a Índia em polo global de fabricação de defesa.

O contexto regional ajuda a entender por que o episódio recebeu tanta ênfase política.

Autoridades indianas associam a modernização da frota à necessidade de proteger rotas marítimas estratégicas, por onde passa cerca de 95% do comércio exterior do país em volume.

Analistas apontam que a expansão naval de outras potências na região aumentou a pressão para que a Índia acelere a renovação de sua frota de superfície e de submarinos.

Guerra em rede e tecnologias emergentes no novo destróier

Nesse quadro estratégico, o INS Surat aparece também como vitrine tecnológica da política de autossuficiência conhecida como Aatmanirbhar Bharat.

O discurso oficial insiste em apresentar o navio como prova de que a Índia consegue reunir projeto, construção, integração de sistemas e testes de uma plataforma complexa dentro de seu próprio ecossistema industrial.

Há ainda um componente operacional que diferencia o destróier dentro da atual frota indiana.

Ao anunciar a entrega do navio em dezembro de 2024, o governo informou que ele estava posicionado para se tornar o primeiro navio de guerra da marinha do país com soluções de inteligência artificial desenvolvidas domesticamente.

Essas ferramentas devem ampliar a eficiência operacional e reforçar as capacidades de guerra em rede, conceito que envolve a troca contínua de informações entre sensores, sistemas de comando e diferentes plataformas militares.

Em operações modernas, essa integração reduz o tempo entre detecção, decisão e resposta, elemento considerado decisivo em cenários de vigilância marítima, defesa aérea e controle de áreas oceânicas extensas.

Ao final da série P15B, o INS Surat passa a ocupar um espaço relevante dentro da construção naval militar indiana.

O destróier consolida uma linha de navios concebida para ampliar a presença do país no mar, sustentar a política de conteúdo nacional e adicionar à frota uma plataforma capaz de combinar alcance, velocidade, defesa multicamada e integração digital em operações de superfície.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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