Incorporação do destróier INS Surat marca avanço da indústria naval militar indiana e reforça presença estratégica no Oceano Índico, combinando armamentos modernos, guerra em rede e elevado conteúdo nacional em um dos maiores navios de combate de superfície já operados pela Marinha da Índia.
A Marinha da Índia incorporou o INS Surat em 15 de janeiro de 2025, em Mumbai, durante uma cerimônia que também marcou a entrada em serviço da fragata INS Nilgiri e do submarino INS Vaghsheer.
Classificado por Nova Délhi como o quarto e último navio do Projeto 15B, o destróier foi apresentado como uma plataforma de grande porte, com 75% de conteúdo nacional e capacidade avançada de operação em rede.
Projeto 15B amplia capacidade de combate da Marinha Indiana
Construído pela Mazagon Dock Shipbuilders e projetado pelo Warship Design Bureau da Marinha Indiana, o navio encerra a série de destróieres Visakhapatnam, concebida para suceder a classe Kolkata com maior integração entre sensores, armamentos e sistemas de gerenciamento de combate.
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A entrega à força naval ocorreu em 20 de dezembro de 2024, antes do prazo contratual, e o comissionamento veio menos de um mês depois.
Pelos dados oficiais divulgados pelo governo indiano, o INS Surat desloca cerca de 7.400 toneladas, tem 164 metros de comprimento e alcançou velocidade superior a 30 nós durante os testes de mar.

Esse porte explica por que autoridades do país o descrevem como um dos maiores e mais sofisticados destróieres do mundo em sua categoria operacional.
Navio multimissão reúne defesa aérea, ataque e guerra antissubmarino
A embarcação foi desenhada para atuar em diferentes frentes do combate naval, combinando defesa aérea, ataque de superfície e guerra antissubmarino em uma única plataforma.
Na prática, isso permite que o navio opere de forma independente em missões complexas ou assuma a função de capitânia de uma força‑tarefa, sem depender do mesmo nível de apoio externo exigido por classes anteriores.
No armamento, o destróier reúne mísseis supersônicos BrahMos para ataque contra alvos de superfície e o sistema Barak‑8 de defesa aérea de médio alcance.
Para o combate abaixo da linha d’água, a configuração inclui sonar de casco Humsa NG, lançadores de torpedos pesados e lançadores de foguetes antissubmarino desenvolvidos na Índia, segundo o estaleiro responsável pela construção.
A própria descrição oficial da Mazagon Dock afirma que o navio foi preparado para enfrentar submarinos inimigos, navios de guerra, mísseis antinavio e aeronaves de combate.
Esse perfil amplia o valor militar da embarcação dentro de um cenário marítimo mais exigente, em que marinhas buscam plataformas multimissão capazes de processar dados e reagir em tempo real a diferentes ameaças.
Conteúdo nacional e indústria de defesa ganham destaque
Outro ponto central da incorporação do INS Surat é o peso industrial do programa.
O Ministério da Defesa indiano afirma que o navio atingiu 75% de conteúdo nacional, enquanto a Mazagon Dock informa que os destróieres do Projeto 15B elevaram a participação local para 72%, acima dos índices registrados nas classes anteriores P15 e P15A.
Essa diferença numérica aparece porque o governo trata o patamar de indigenização do projeto em termos mais amplos, incluindo o volume de encomendas a fabricantes nacionais, enquanto o estaleiro detalha a taxa específica da classe construída.
Em ambos os casos, a mensagem oficial permanece a mesma: ampliar a autonomia tecnológica do país e reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros em sistemas estratégicos.
Construção acelerada marca novo ritmo da indústria naval
O programa também ganhou destaque pelo ritmo de construção.
Segundo dados divulgados pelo governo indiano, o casco do INS Surat foi batido em novembro de 2019, o lançamento ocorreu em maio de 2022 e a entrega foi concluída 31 meses depois.
Esse cronograma transformou o navio no destróier indígena mais rápido já construído na Índia entre plataformas desse porte.
Além disso, os testes de mar começaram em junho de 2024 e os ensaios finais de máquinas terminaram em novembro do mesmo ano, num ciclo de aproximadamente seis meses.
O desempenho do cronograma foi tratado por autoridades indianas como evidência de maior maturidade da indústria local na construção de grandes combatentes de superfície.
Estratégia naval da Índia no Indo‑Pacífico
A incorporação do destróier ocorreu em um momento em que Nova Délhi tenta vincular expansão naval, produção doméstica e projeção estratégica no Indo‑Pacífico.
No ato de comissionamento, o governo classificou a entrada simultânea do Surat, do Nilgiri e do Vaghsheer como um salto relevante para a segurança marítima e para a ambição de transformar a Índia em polo global de fabricação de defesa.
O contexto regional ajuda a entender por que o episódio recebeu tanta ênfase política.
Autoridades indianas associam a modernização da frota à necessidade de proteger rotas marítimas estratégicas, por onde passa cerca de 95% do comércio exterior do país em volume.
Analistas apontam que a expansão naval de outras potências na região aumentou a pressão para que a Índia acelere a renovação de sua frota de superfície e de submarinos.
Guerra em rede e tecnologias emergentes no novo destróier
Nesse quadro estratégico, o INS Surat aparece também como vitrine tecnológica da política de autossuficiência conhecida como Aatmanirbhar Bharat.
O discurso oficial insiste em apresentar o navio como prova de que a Índia consegue reunir projeto, construção, integração de sistemas e testes de uma plataforma complexa dentro de seu próprio ecossistema industrial.
Há ainda um componente operacional que diferencia o destróier dentro da atual frota indiana.
Ao anunciar a entrega do navio em dezembro de 2024, o governo informou que ele estava posicionado para se tornar o primeiro navio de guerra da marinha do país com soluções de inteligência artificial desenvolvidas domesticamente.
Essas ferramentas devem ampliar a eficiência operacional e reforçar as capacidades de guerra em rede, conceito que envolve a troca contínua de informações entre sensores, sistemas de comando e diferentes plataformas militares.
Em operações modernas, essa integração reduz o tempo entre detecção, decisão e resposta, elemento considerado decisivo em cenários de vigilância marítima, defesa aérea e controle de áreas oceânicas extensas.
Ao final da série P15B, o INS Surat passa a ocupar um espaço relevante dentro da construção naval militar indiana.
O destróier consolida uma linha de navios concebida para ampliar a presença do país no mar, sustentar a política de conteúdo nacional e adicionar à frota uma plataforma capaz de combinar alcance, velocidade, defesa multicamada e integração digital em operações de superfície.

