Proprietários do Honda Fit relatam problemas no câmbio CVT, trincas estruturais e ferrugem, além de custos elevados de manutenção, colocando em dúvida a reputação de confiabilidade do modelo entre carros usados no Brasil.
O Honda Fit, um dos modelos mais emblemáticos da montadora no Brasil, vem acumulando relatos de insatisfação por parte de proprietários, especialmente em relação ao câmbio CVT, à incidência de ferrugem na lataria e aos elevados custos de manutenção.
Embora tenha se consagrado por sua versatilidade, espaço interno e tradição de confiabilidade mecânica desde o lançamento em 2003, o veículo enfrenta desafios que afetam sua reputação no mercado de usados.
Desde sua chegada ao Brasil, o Fit conquistou uma geração de consumidores ao aliar praticidade a um bom aproveitamento do espaço, atributos pouco comuns em hatchbacks da mesma faixa de preço.
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A produção nacional foi encerrada, mas o modelo continua influenciando a percepção sobre a marca, que mantém no mercado os modelos City, em versões hatch e sedã.
Ainda assim, apesar da boa imagem e da preferência de muitos motoristas por carros usados da Honda, crescem as queixas relacionadas à durabilidade de componentes e ao custo de eventuais reparos.
Problemas no câmbio CVT preocupam donos de Honda Fit
Entre os pontos mais citados por consumidores insatisfeitos estão falhas no câmbio CVT, notadamente em unidades fabricadas entre 2016 e 2017.
Relatos de barulhos atípicos, perda de força súbita e necessidade de substituição de peças internas são frequentes em fóruns e sites de reclamação.
O proprietário de um Honda Fit 2016, por exemplo, detalhou que o carro começou a apresentar ruídos estranhos mesmo após as revisões realizadas em concessionária.
Após passar por diferentes oficinas, o diagnóstico foi de falha no câmbio, com orçamentos para o conserto que variaram de R$ 10 mil a R$ 27 mil.
No caso desse consumidor, a despesa final ficou em R$ 10 mil e o veículo permaneceu quase dois meses fora de circulação.
A Honda, questionada sobre esses episódios, destacou que todos os veículos possuem garantia de três anos sem limite de quilometragem, desde que as revisões sejam feitas em concessionárias autorizadas.
Após esse período, custos de reparo e serviços tornam-se responsabilidade dos proprietários. A empresa também informou que, no caso do veículo mencionado, o prazo de garantia já havia se encerrado em 2019.
Em outro episódio, um proprietário relatou que seu Honda Fit 2016/2017 perdeu completamente a força e parou de funcionar, sem alertas prévios no painel.
O diagnóstico em oficina de confiança revelou rompimento da correia de tração interna do câmbio CVT, problema que exigiu guincho para deslocamento do veículo.
De acordo com informações prestadas pela montadora, não foi possível contato efetivo com o consumidor, pois os dados necessários para prosseguimento do atendimento não foram localizados.
Além disso, relatos semelhantes partem de donos de modelos 2015/2016 com quilometragem elevada.
Um consumidor afirmou que, mesmo com todas as revisões feitas na rede autorizada, o carro apresentou redução de velocidade e falhas no câmbio CVT.
Novamente, a Honda reiterou que a garantia contratual cobre apenas os três primeiros anos, independentemente da quilometragem, e reforçou que defeitos posteriores devem ser solucionados às custas do proprietário.
Trinca no eixo traseiro gera alerta de segurança no Fit
Outros relatos apontam para questões de segurança, como trincas detectadas no eixo traseiro do Honda Fit, especialmente em veículos fabricados em 2010.
Em junho de 2025, um proprietário da versão LX relatou que, durante manutenção, foi identificada uma falha considerada oculta, cujo reparo poderia alcançar R$ 7 mil.
O consumidor cobrou posicionamento da Honda e alegou vício de projeto, além de exigir a substituição da peça, mas foi informado que o veículo está fora da garantia desde 2012.
A discussão sobre defeitos ocultos ganhou força com base no Código de Defesa do Consumidor, que prevê responsabilidade do fabricante mesmo após o fim do prazo contratual em casos que afetem a vida útil e a segurança do produto.
Ainda assim, a resposta da montadora foi de negativa para a troca da peça, transferindo a responsabilidade pelo reparo ao proprietário.
Diversos outros consumidores relataram episódios semelhantes, indicando que a trinca no eixo traseiro pode não ser um caso isolado.
Apesar das manifestações de inconformismo, a Honda manteve sua posição, informando que apenas defeitos identificados dentro do período de garantia contratual são de sua responsabilidade.
Lataria do Honda Fit e ferrugem após recall
A incidência de ferrugem no capô do Honda Fit, mesmo em veículos submetidos ao recall para aplicação de proteção anticorrosiva, tornou-se outra fonte de insatisfação.
Consumidores relatam que, após o fim da garantia, a montadora se isenta de novas intervenções, mesmo em casos de reincidência do problema.
Em um dos relatos, um proprietário de um Fit 2014/2015 EXL afirmou que identificou ferrugem próxima à grade dianteira no início do ano.
Ao buscar informações, encontrou diversos registros semelhantes em outros veículos da mesma linha.
A solução sugerida por representantes da Honda, na maioria dos casos, é a substituição do capô, cujo custo recai integralmente sobre o dono do automóvel.
Segundo a Honda, a garantia para a lataria segue as mesmas regras dos demais componentes: cobre apenas defeitos de fabricação e montagem nos primeiros três anos de uso (ou um ano, no caso de uso comercial).
Problemas resultantes de desgaste natural ou provocados por fatores externos não são contemplados pela garantia após esse período.
Atendimento pós-venda Honda e satisfação do consumidor
Apesar dos problemas relatados, a Honda mantém bons índices de satisfação no atendimento ao consumidor.
Informações disponíveis em plataformas de defesa do consumidor apontam que a montadora responde a praticamente todas as reclamações e soluciona quase 90% dos casos, o que contribui para uma avaliação média considerada positiva.
Cerca de 86% dos consumidores indicam que voltariam a comprar veículos da marca, demonstrando confiança no pós-venda, ainda que persistam questionamentos sobre a cobertura de defeitos após o encerramento da garantia.
Honda Fit usado: o que considerar antes da compra
Diante dos relatos de problemas no câmbio CVT, trincas estruturais e questões recorrentes de ferrugem, futuros compradores devem estar atentos ao histórico de manutenção e à procedência do veículo ao avaliar um Honda Fit seminovo.
Uma revisão detalhada, preferencialmente em concessionária autorizada ou oficinas de confiança, pode evitar surpresas desagradáveis e custos elevados. Essas questões mudam sua visão sobre o Honda Fit como opção no mercado de usados brasileiro?
O consumidor quer garantias eterna, ridículo, cada um cuide de seu bem, ,nem nos temos garantia de vida eterna