Novo salário mínimo de 2025 é de R$ 1.518 e impacta diretamente a renda de quase 60 milhões de brasileiros. A mudança garante ganho real acima da inflação, mas passa a ter um teto limitado por lei até 2030.
O salário mínimo em vigor em 2025 é de R$ 1.518. O valor resulta da reposição da inflação acumulada e de um ganho real adicional, com efeito direto sobre a renda de trabalhadores e beneficiários de políticas públicas referenciadas pelo piso nacional.
A medida foi formalizada por decreto presidencial e hoje serve como referência para salários, benefícios e pisos atrelados ao mínimo.
O que vale em 2025
Com o novo piso, o reajuste total chegou a 7,5% em relação aos R$ 1.412 praticados no ano anterior.
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O acréscimo nominal foi de R$ 106. O cálculo considerou a variação do INPC de 12 meses, de 4,84%, e um ganho real de 2,5%.
Atualmente, salários, benefícios e auxílios que usam o mínimo como base já estão parametrizados em R$ 1.518.
Quem é impactado diretamente
A atualização atinge um contingente estimado de 59,9 milhões de pessoas no país.
Entre empregados com carteira assinada, trabalhadores domésticos, autônomos e beneficiários da Previdência Social e da assistência. A projeção consta de nota técnica do Dieese.
O detalhe pouco comentado: limite para o ganho real até 2030
Além do reajuste em vigor, há uma condicionante que orienta os próximos aumentos.
Uma lei aprovada recentemente determina que, entre 2025 e 2030, o ganho real do salário mínimo seja limitado pelo arcabouço fiscal, com faixa de 0,6% a 2,5% acima da inflação medida pelo INPC.
O objetivo declarado é compatibilizar a valorização do mínimo com a trajetória das contas públicas. Para 2025, foi aplicado o teto de 2,5% de aumento real.
Como a regra foi definida
A política de valorização do salário mínimo foi retomada em 2023. Ela combina inflação do período com o crescimento do PIB de dois anos antes, quando positivo.
A norma vigente não revoga essa lógica, mas introduz a trava do ganho real para obedecer aos limites do novo regime fiscal.
Em síntese, o cálculo segue a inflação e pode incorporar crescimento econômico, desde que o ganho real permaneça entre 0,6% e 2,5%.
Efeito sobre benefícios e despesas públicas
A elevação do piso nacional repercute sobre benefícios do INSS, abono salarial, seguro-desemprego e o BPC, porque todos são parametrizados, integral ou parcialmente, pelo salário mínimo.
Essa indexação amplia o alcance social do reajuste, mas também eleva a despesa obrigatória. Especialmente na Previdência, onde a maioria dos benefícios equivale a um mínimo.
Estimativas do Dieese detalham esses efeitos e ajudam a dimensionar o impacto fiscal do aumento.
O que explica o valor de R$ 1.518
A composição do novo piso reflete dois componentes. Primeiro, a reposição inflacionária, medida pelo INPC de 12 meses até novembro de 2024.
Depois, a parcela de ganho real, que em 2025 foi fixada em 2,5%, exatamente o teto previsto na legislação vigente.
O governo registrou que o ganho real aplicado segue o limite máximo estabelecido pelo arcabouço fiscal.
Por que há um teto para os próximos anos
A fixação de um limite para o ganho real tem relação direta com as metas fiscais.
A lei que trata da política de valorização estabelece que, de 2025 a 2030, o aumento real do mínimo respeite os parâmetros do arcabouço: no mínimo 0,6% e no máximo 2,5% acima da inflação.
Essa calibragem busca dar previsibilidade ao gasto público associado ao piso, que cresce automaticamente quando o mínimo avança.
Alcance social e distribuição de renda
Embora o dispositivo do teto imponha restrições à velocidade de crescimento do mínimo, o valor atual mantém a diretriz de valorização com ganho real.
Segundo o governo, a política segue como um instrumento de recomposição de renda. Sobretudo nos estratos de menor remuneração. E permanece como referência para aposentadorias, pensões e auxílios.
A fala oficial que acompanhou a medida reforçou esse compromisso de considerar a inflação e adicionar um aumento real dentro dos limites legais.
Perspectiva para os próximos reajustes
Os reajustes anuais continuam observando a combinação de INPC e PIB, mas estão condicionados ao intervalo de ganho real definido em lei.
Em cenários de expansão econômica robusta, a trava de 2,5% poderá conter uma alta maior do mínimo.
Em períodos de desaceleração, o piso de 0,6% de ganho real acima da inflação funciona como garantia de algum avanço.
Essa dinâmica busca reduzir volatilidade nas despesas enquanto preserva um critério de valorização.
O que acompanhar daqui em diante
A execução dessa política exige monitoramento da receita primária, da trajetória do PIB e da inflação.
Para trabalhadores e beneficiários, o ponto central é que a regra do teto deve orientar a evolução do mínimo até 2030. Com impactos na capacidade de consumo e no custo das políticas sociais.
A dúvida que permanece, e que deve dominar os debates orçamentários nos próximos anos, é como equilibrar valorização do trabalho e responsabilidade fiscal dentro desse intervalo de 0,6% a 2,5% de ganho real.
Por fim, o valor de R$ 1.518, em vigor desde janeiro de 2025, confirma a continuidade da valorização com ganho real, mas sob uma moldura fiscal mais rígida: até onde o teto de 2,5% poderá compatibilizar alívio de renda e sustentabilidade das contas públicas?