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Goiás mira liderança nacional e firma mega acordo com o Japão para explorar suas terras raras e transformar o estado em polo mineral tecnológico

Publicado em 29/08/2025 às 08:55
Goiás, Terras raras, Japão
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Goiás firma acordo estratégico com o Japão para explorar terras raras em Minaçu, mirando liderança nacional e acesso a tecnologias avançadas

O governador Ronaldo Caiado sancionou, na quarta-feira (27), o projeto de lei que firma a parceria entre Goiás e o governo do Japão para a exploração de terras raras em Minaçu, no norte do estado. A medida foi destacada pelo governador como estratégica para colocar Goiás à frente de outros estados brasileiros.

Declarações de Caiado

Durante visita de representantes japoneses, Caiado disse que o Brasil vive uma “época colonial” na exploração desses minerais, mas que Goiás pretende mudar esse cenário.

Estamos buscando a tecnologia japonesa e um fundo de pesquisa mineral. Com isso, nós queremos transformar as terras raras. E que cumpra todas as etapas, são cinco etapas, para que você tenha a separação dos metais”, afirmou.

Em coletiva realizada na quinta-feira (28), no Palácio Pedro Ludovico Teixeira, o governador destacou a importância do disprósio e do térbio, minerais usados em baterias, motores de energia eólica e tubos de ressonância.

Segundo ele, o desenvolvimento de produtos avançados no Brasil depende diretamente desses elementos.

Visão do Japão

O embaixador Teiji Hayashi explicou ao g1 que poucos países dominam hoje o refino das terras raras. Entre eles estão Japão e China, sendo esta a maior detentora do recurso.

Segundo ele, a intenção da parceria com Goiás é reduzir a dependência japonesa da produção chinesa.

Terras raras são compostas por 17 elementos químicos. Embora encontrados em abundância na natureza, são considerados raros porque exigem um processo complexo para separação em sua forma pura.

A Agência Nacional de Mineração classifica os elementos em três grupos: leves, como lantânio e neodímio; médios, como samário e gadolínio; e pesados, como disprósio, térbio e lutécio.

Produção no Brasil

Dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) apontam que o Brasil tem a segunda maior reserva de terras raras do mundo, ficando atrás apenas da China. O país asiático responde por mais de 60% da produção global e quase 90% do refino.

No Brasil, a Serra Verde Pesquisa e Mineração (SVPM), em Minaçu, é a única mineradora fora da Ásia que produz em escala comercial os quatro elementos magnéticos essenciais: disprósio, térbio, neodímio e praseodímio. A região possui um depósito de terras raras em argila iônica.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Goiás exportou 60 toneladas de terras raras em maio, avaliadas em US$ 965 mil. Já em fevereiro, o volume foi de 419 toneladas, com valor de US$ 5,7 milhões.

De Minaçu ao banimento do amianto

A história de Minaçu começou nos anos 1960 com a instalação de um parque industrial da mineradora Sama na Serra da Cana Brava.

O povoado cresceu e, em 1976, o município conquistou sua emancipação política. Durante décadas, o amianto foi o motor da economia local.

A extração, no entanto, passou a enfrentar restrições legais. Em 2017, o Supremo Tribunal Federal considerou válidas leis estaduais e municipais que limitavam o uso do amianto crisotila.

Em 2023, o STF confirmou a inconstitucionalidade da norma federal que autorizava a atividade. Ainda assim, em 2024, a Assembleia Legislativa de Goiás aprovou um prazo de cinco anos para o encerramento gradual da exploração em Cana Brava, buscando reduzir impactos sociais e econômicos.

O julgamento de uma ação que questiona a legalidade da lei estadual ainda está em andamento no STF. Em março de 2025, os ministros retomaram o processo, mas a decisão foi adiada novamente após pedido de vista do ministro Nunes Marques.

Investimento em novas oportunidades

Com o declínio do amianto, as terras raras surgiram como nova alternativa para Minaçu. Segundo o prefeito Carlos Leréia (PSDB), o município recebeu investimento de aproximadamente R$ 3 bilhões da Serra Verde. Ele afirmou que a cidade está em expansão e espera resultados ainda mais expressivos no futuro.

No auge da produção, que se espera que ocorrerá entre 2027 e 2028, a cidade vai ter muitos recursos, tanto o município, o estado, quanto o país. Nós acreditamos e colocamos fé no projeto Serra Verde em Minaçu”, disse Leréia ao g1.

O prefeito ressaltou também o desejo de que a separação dos minerais ocorra dentro de Goiás. Porém, reconheceu que o maior obstáculo ainda é a falta de tecnologia brasileira para o processo.

Expectativas

O mais importante, segundo as autoridades, é que a parceria com o Japão permita o acesso a tecnologias e reduza a dependência de outros países.

Além disso, Goiás aposta no potencial de Minaçu para se consolidar como polo nacional das terras raras, substituindo gradualmente a antiga dependência econômica do amianto.

Com informações de G1.

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Romário Pereira de Carvalho

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