Engenheiros da USP estão avançando com a técnica de energia geotérmica superficial, que pode reduzir o valor da conta de luz em até 40% e eliminar o uso de ar-condicionado em algumas residências
No futuro, o ar-condicionado tradicional será substituído por um sistema mais limpo e econômico. Engenheiros da USP estão estudando a energia geotérmica superficial, que utiliza tubos para extrair ar fresco do subsolo, onde as temperaturas são mais baixas que na superfície. Essa tecnologia promete reduzir significativamente o consumo de energia e proporcionar um ambiente mais sustentável. Com a implementação dessa inovação, a conta de luz pode diminuir e o impacto ambiental dos sistemas de climatização será reduzido.
Como funciona a energia geotérmica superficial?
O projeto, que dará fim ao ar-condicionado, foi desenvolvido pela equipe da professora Cristina de Hollanda Cavalcanti Tsuha, da USP, mais precisamente da parceria entre a Escola de Engenharia de São Carlos e colegas da Escola Politécnica.
Os engenheiros da USP testarão a aplicação da energia geotérmica superficial por meio de tubulações colocadas dentro de elementos das fundações que sustentam os prédios. Feito isso, uma máquina é responsável por bombear água através de tubos até lá embaixo. A água esfria com a temperatura do subsolo e volta com o intuito de climatizar a superfície, tornando o uso do ar-condicionado desnecessário e diminuindo o valor da conta de luz.
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A coordenadora do projeto da USP afirma que a ideia é utilizar tubos de polietileno e será o primeiro prédio a utilizar energia geotérmica superficial pelas fundações em SP, e possivelmente até mesmo em todo o Brasil, até porque ainda não foi visto nenhum outro até agora.
Sistema que substituirá o ar-condicionado pode chegar a uma temperatura de 23°C
O sistema de energia geotérmica superficial é funcional porque o solo nunca esquenta ou esfria se comparado à superfície. A poucos metros de profundidade, a temperatura permanece sempre na média da região, como é o caso da região oeste de São Paulo, onde os testes estão sendo realizados, cuja temperatura do solo geralmente é de 23°C, apesar de na superfície alcançar 30°C.
De acordo com engenheiros da USP, o sistema de energia geotérmica superficial é capaz de reduzir de 40% a 60% o valor na conta de luz em prédios comerciais, incluindo hotéis e hospitais. De acordo com especialistas, o ar-condicionado é responsável por metade da conta de luz em uma empresa e 25% em uma casa comum.
O que falta para utilizar a energia geotérmica superficial nas residências brasileiras?
De acordo com a pesquisadora, o sistema ainda necessita de uma bomba para enviar o líquido pelo cano e trazê-lo de volta. Na Europa, a técnica já funciona há algum tempo, onde a geotermia superficial é utilizada para aquecer ou resfriar edifícios.
Desde a década de 80, a geotermia superficial é utilizada em arranha-céus e outras construções em países como EUA e Áustria. Além disso, a coordenadora dos engenheiros também explica que o aproveitamento da temperatura constante do subsolo é muito utilizada para armazenar vinhos na França, ou até em outros casos mais antigos, como ancestrais que se escondiam em cavernas para se proteger de baixas ou elevadas temperaturas acima da superfície.
Energia geotérmica ganha destaque no Brasil
A energia geotérmica, uma fonte renovável e sustentável, tem ganhado destaque no Brasil devido ao seu potencial para reduzir o consumo de energia e as emissões de carbono. No país, essa tecnologia está sendo explorada principalmente em áreas de maior atividade geotérmica, como o Vale do Ribeira e o Parque Nacional de São Pedro, ambos em São Paulo.
A USP está na vanguarda dessas pesquisas, desenvolvendo sistemas que utilizam o calor do subsolo para climatização e geração de eletricidade. Esses projetos não apenas buscam eficiência energética, mas também visam integrar a energia geotérmica às redes elétricas nacionais, promovendo um futuro mais sustentável.
A aplicação dessa tecnologia pode revolucionar setores industriais e residenciais, proporcionando uma alternativa viável e ecológica às fontes de energia convencionais.

