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Evergrande, que já valeu US$ 50 bilhões e liderou o setor imobiliário da China, é retirada da bolsa de Hong Kong e acende alerta sobre impacto bilionário na economia mundial

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 29/08/2025 às 14:20
Evergrande, que já valeu US$ 50 bilhões e liderou o setor imobiliário da China, é retirada da bolsa de Hong Kong e acende alerta sobre impacto bilionário na economia mundial
Foto: Evergrande, que já valeu US$ 50 bilhões e liderou o setor imobiliário da China, é retirada da bolsa de Hong Kong e acende alerta sobre impacto bilionário na economia mundial
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A crise da Evergrande abala o setor imobiliário da China e gera alertas globais. Entenda os impactos da Evergrande retirada da Bolsa de Hong Kong na economia mundial e mercados internacionais

A Evergrande, uma das maiores incorporadoras imobiliárias da China, protagoniza uma das maiores crises corporativas do país nos últimos anos. Fundada em 1996, a empresa chegou a valer cerca de US$ 50 bilhões, liderando o setor imobiliário da China e influenciando diretamente a economia mundial. No entanto, problemas financeiros crônicos, dívidas astronômicas e uma gestão deficitária culminaram na retirada da companhia da Bolsa de Hong Kong, acendendo um alerta global sobre os riscos financeiros e econômicos associados à sua falência.

A Evergrande retirada da Bolsa de Hong Kong representa um marco na crise da Evergrande e evidencia os desafios enfrentados pelo setor imobiliário chinês. Este artigo detalha os fatores que levaram à crise, suas consequências para o mercado financeiro global e as lições que investidores e governos podem extrair desse colapso.

A história de expansão da Evergrande

A Evergrande foi fundada por Xu Jiayin, com foco inicial no desenvolvimento de empreendimentos residenciais de luxo. Durante anos, a empresa expandiu rapidamente, diversificando seus negócios em setores como saúde, veículos elétricos e entretenimento, aumentando sua influência no setor imobiliário da China.

Em seu auge, a Evergrande possuía ativos avaliados em mais de US$ 300 bilhões e figurava entre as empresas mais valiosas do país.

O crescimento acelerado, porém, foi acompanhado por altos níveis de endividamento. A estratégia de alavancagem financeira permitiu à Evergrande financiar sua expansão agressiva, mas criou vulnerabilidades significativas diante de desacelerações econômicas e políticas regulatórias mais rigorosas.

Crise da Evergrande: dívidas e inadimplência

O principal fator que desencadeou a crise da Evergrande foi o acúmulo de dívidas. Em 2021, a empresa reportou passivos totais superiores a US$ 300 bilhões, tornando-se a incorporadora mais endividada do mundo.

Esse endividamento extremo dificultou a capacidade da empresa de honrar compromissos com fornecedores, investidores e compradores de imóveis.

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Além disso, a crise da Evergrande foi agravada por medidas regulatórias do governo chinês, incluindo o chamado “três controles” — limites para endividamento de incorporadoras, que visavam reduzir o risco sistêmico no setor imobiliário da China. Como resultado, a Evergrande enfrentou dificuldades crescentes para refinanciar dívidas e concluir projetos, gerando atrasos na entrega de imóveis e aumento da insatisfação entre clientes.

Evergrande e a sua retirada da bolsa de Hong Kong: o marco da crise

Em 2023, a Evergrande foi oficialmente retirada da Bolsa de Hong Kong. A decisão marcou o fim de uma era para a gigante imobiliária e serviu como alerta sobre os riscos do setor imobiliário da China para a economia mundial.

A retirada ocorreu após meses de negociações com credores e autoridades regulatórias, motivada pela incapacidade da empresa de cumprir obrigações financeiras essenciais.

Investidores internacionais foram diretamente impactados, com perdas significativas em títulos de dívida da Evergrande e ações correlacionadas ao setor imobiliário chinês. Analistas alertam que a Evergrande retirada da Bolsa de Hong Kong representa um “marco simbólico”, refletindo os desafios estruturais do mercado imobiliário chinês e a necessidade de maior supervisão regulatória.

Impacto da crise da Evergrande na economia mundial

O colapso da Evergrande tem implicações significativas para a economia mundial. O setor imobiliário da China representa cerca de 25% do PIB do país e exerce influência direta sobre fornecedores, bancos e mercados globais de commodities.

A crise da Evergrande aumentou a volatilidade financeira, afetando mercados de ações internacionais e pressionando moedas de economias emergentes.

Segundo estimativa de especialistas, a instabilidade no setor imobiliário chinês pode reduzir o crescimento econômico global em até 0,3 pontos percentuais, principalmente devido à redução da demanda por produtos e serviços ligados à construção civil. Além disso, grandes credores internacionais, incluindo bancos e fundos de investimento, enfrentam exposição a ativos da Evergrande, elevando o risco de perdas bilionárias.

Reações do governo chinês à crise da Evergrande

O governo chinês tem adotado medidas para conter o impacto da crise da Evergrande no setor imobiliário da China e na economia mundial. Entre as iniciativas estão a facilitação de financiamentos para incorporadoras em dificuldades, estímulos à compra de imóveis e a mediação de acordos entre credores e a própria Evergrande.

Apesar dessas medidas, especialistas alertam que a recuperação será gradual. O governo prioriza a estabilidade financeira e social, evitando um colapso sistêmico que poderia afetar milhões de famílias e investidores, tanto na China quanto no exterior.

O legado da Evergrande e o futuro do mercado

A Evergrande não representa apenas um caso de falência corporativa; ela é um alerta sobre os riscos de crescimento acelerado sem sustentabilidade financeira. A retirada da Evergrande da Bolsa de Hong Kong e a crise da empresa afetam diretamente a economia mundial, exigindo atenção constante de investidores e autoridades.

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O legado da Evergrande será lembrado como um exemplo de como práticas de alavancagem excessiva e governança corporativa inadequada podem gerar efeitos em cascata.

O setor imobiliário da China, embora resiliente, precisará adaptar suas práticas de gestão e regulação para garantir que crises semelhantes não se repitam. Para o público global, este caso serve como estudo sobre a interconexão entre mercados financeiros e a necessidade de cautela ao lidar com conglomerados altamente endividados.

A situação da Evergrande reforça também a importância da transparência, da supervisão regulatória eficaz e da responsabilidade corporativa, elementos essenciais para evitar colapsos que possam comprometer a economia mundial.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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