A crise da Evergrande abala o setor imobiliário da China e gera alertas globais. Entenda os impactos da Evergrande retirada da Bolsa de Hong Kong na economia mundial e mercados internacionais
A Evergrande, uma das maiores incorporadoras imobiliárias da China, protagoniza uma das maiores crises corporativas do país nos últimos anos. Fundada em 1996, a empresa chegou a valer cerca de US$ 50 bilhões, liderando o setor imobiliário da China e influenciando diretamente a economia mundial. No entanto, problemas financeiros crônicos, dívidas astronômicas e uma gestão deficitária culminaram na retirada da companhia da Bolsa de Hong Kong, acendendo um alerta global sobre os riscos financeiros e econômicos associados à sua falência.
A Evergrande retirada da Bolsa de Hong Kong representa um marco na crise da Evergrande e evidencia os desafios enfrentados pelo setor imobiliário chinês. Este artigo detalha os fatores que levaram à crise, suas consequências para o mercado financeiro global e as lições que investidores e governos podem extrair desse colapso.
A história de expansão da Evergrande
A Evergrande foi fundada por Xu Jiayin, com foco inicial no desenvolvimento de empreendimentos residenciais de luxo. Durante anos, a empresa expandiu rapidamente, diversificando seus negócios em setores como saúde, veículos elétricos e entretenimento, aumentando sua influência no setor imobiliário da China.
-
Ofensiva de Trump na América Latina acaba aproximando ainda mais Brasil e China
-
China ultrapassa EUA como maior destino das exportações brasileiras em 2025: soja, petróleo e minério já somam mais de US$ 90 bilhões, segundo dados do MDIC
-
Potência do BRICS deve ultrapassar os EUA e assumir posto de 2ª maior economia mundial até 2030, aponta relatório da Economy Watch
-
Recessão geopolítica atinge Brasil, exportações aos EUA caem para apenas 1,1% de mercado de US$ 3,6 trilhões após tarifas saltarem para 50%
Em seu auge, a Evergrande possuía ativos avaliados em mais de US$ 300 bilhões e figurava entre as empresas mais valiosas do país.
O crescimento acelerado, porém, foi acompanhado por altos níveis de endividamento. A estratégia de alavancagem financeira permitiu à Evergrande financiar sua expansão agressiva, mas criou vulnerabilidades significativas diante de desacelerações econômicas e políticas regulatórias mais rigorosas.
Crise da Evergrande: dívidas e inadimplência
O principal fator que desencadeou a crise da Evergrande foi o acúmulo de dívidas. Em 2021, a empresa reportou passivos totais superiores a US$ 300 bilhões, tornando-se a incorporadora mais endividada do mundo.
Esse endividamento extremo dificultou a capacidade da empresa de honrar compromissos com fornecedores, investidores e compradores de imóveis.
Além disso, a crise da Evergrande foi agravada por medidas regulatórias do governo chinês, incluindo o chamado “três controles” — limites para endividamento de incorporadoras, que visavam reduzir o risco sistêmico no setor imobiliário da China. Como resultado, a Evergrande enfrentou dificuldades crescentes para refinanciar dívidas e concluir projetos, gerando atrasos na entrega de imóveis e aumento da insatisfação entre clientes.
Evergrande e a sua retirada da bolsa de Hong Kong: o marco da crise
Em 2023, a Evergrande foi oficialmente retirada da Bolsa de Hong Kong. A decisão marcou o fim de uma era para a gigante imobiliária e serviu como alerta sobre os riscos do setor imobiliário da China para a economia mundial.
A retirada ocorreu após meses de negociações com credores e autoridades regulatórias, motivada pela incapacidade da empresa de cumprir obrigações financeiras essenciais.
Investidores internacionais foram diretamente impactados, com perdas significativas em títulos de dívida da Evergrande e ações correlacionadas ao setor imobiliário chinês. Analistas alertam que a Evergrande retirada da Bolsa de Hong Kong representa um “marco simbólico”, refletindo os desafios estruturais do mercado imobiliário chinês e a necessidade de maior supervisão regulatória.
Impacto da crise da Evergrande na economia mundial
O colapso da Evergrande tem implicações significativas para a economia mundial. O setor imobiliário da China representa cerca de 25% do PIB do país e exerce influência direta sobre fornecedores, bancos e mercados globais de commodities.
A crise da Evergrande aumentou a volatilidade financeira, afetando mercados de ações internacionais e pressionando moedas de economias emergentes.
Segundo estimativa de especialistas, a instabilidade no setor imobiliário chinês pode reduzir o crescimento econômico global em até 0,3 pontos percentuais, principalmente devido à redução da demanda por produtos e serviços ligados à construção civil. Além disso, grandes credores internacionais, incluindo bancos e fundos de investimento, enfrentam exposição a ativos da Evergrande, elevando o risco de perdas bilionárias.
Reações do governo chinês à crise da Evergrande
O governo chinês tem adotado medidas para conter o impacto da crise da Evergrande no setor imobiliário da China e na economia mundial. Entre as iniciativas estão a facilitação de financiamentos para incorporadoras em dificuldades, estímulos à compra de imóveis e a mediação de acordos entre credores e a própria Evergrande.
Apesar dessas medidas, especialistas alertam que a recuperação será gradual. O governo prioriza a estabilidade financeira e social, evitando um colapso sistêmico que poderia afetar milhões de famílias e investidores, tanto na China quanto no exterior.
O legado da Evergrande e o futuro do mercado
A Evergrande não representa apenas um caso de falência corporativa; ela é um alerta sobre os riscos de crescimento acelerado sem sustentabilidade financeira. A retirada da Evergrande da Bolsa de Hong Kong e a crise da empresa afetam diretamente a economia mundial, exigindo atenção constante de investidores e autoridades.
O legado da Evergrande será lembrado como um exemplo de como práticas de alavancagem excessiva e governança corporativa inadequada podem gerar efeitos em cascata.
O setor imobiliário da China, embora resiliente, precisará adaptar suas práticas de gestão e regulação para garantir que crises semelhantes não se repitam. Para o público global, este caso serve como estudo sobre a interconexão entre mercados financeiros e a necessidade de cautela ao lidar com conglomerados altamente endividados.
A situação da Evergrande reforça também a importância da transparência, da supervisão regulatória eficaz e da responsabilidade corporativa, elementos essenciais para evitar colapsos que possam comprometer a economia mundial.