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Empresa cria o que chama de “Picape do Céu” e promete levar até 3,6 toneladas de carga por 3.200 km e mira a logística dos EUA no Indo-Pacífico

Escrito por Geovane Souza
Publicado em 29/08/2025 às 17:18
Empresa cria o que chama de Picape do Céu e promete levar até 3,6 toneladas de carga por 3.200 km e mira a logística dos EUA no Indo-Pacífico
A startup californiana Grid Aero saiu do sigilo apresentando o Lifter-Lite, um projeto de aeronave não tripulada para levar “milhares de libras por milhares de milhas”.
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A californiana Grid Aero apresentou o Lifter-Lite, um drone autônomo de carga de longo alcance. Com US$ 6 milhões em seed e contrato AFWERX, a aposta é sustentar missões em áreas contestadas no Indo-Pacífico. Testes em solo começam em setembro de 2025.

A startup californiana Grid Aero saiu do sigilo apresentando o Lifter-Lite, um projeto de aeronave não tripulada para levar “milhares de libras de carga por milhares de milhas” com baixo custo operacional. A proposta é atender rotas longas e pistas remotas onde a logística tripulada é cara, lenta ou vulnerável. Segundo a empresa, o modelo foi concebido para resiliência em ambientes contestados, priorizando simplicidade mecânica e autonomia.

O anúncio veio acompanhado de US$ 6 milhões de investimento semente e de um acordo no programa AFWERX da Força Aérea dos EUA, que acelera tecnologias de interesse militar. O time reúne profissionais com passagens por Joby Aviation, Xwing e Northrop Grumman, reforçando a ambição de escalar uma rede distribuída de aeronaves de carga.

Trata-se de uma aeronave autônoma desenhada para entregar suprimentos com segurança em ilhas e bases avançadas do Indo-Pacífico, alinhada a uma tendência de dispersão de ativos militares que reduz a vulnerabilidade a ataques. A empresa vê espaço também para usos civis em curto alcance regional, resposta humanitária e e-commerce.

Lifter-Lite, o drone autônomo de carga feito para o Indo-Pacífico

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O Lifter-Lite surge para atacar o problema da “tirania das distâncias” no Pacífico, onde ilhas e infraestrutura limitada exigem soluções robustas e econômicas. A Grid Aero define o projeto como a “picape do céu”, um conceito focado no que importa, transportar carga crítica com baixo custo por libra-milha.

A plataforma prioriza arquitetura simples e robusta. A ideia é reduzir pontos de falha, facilitar manutenção em locais com recursos escassos e manter a missão mesmo diante de avarias parciais, por meio de redundâncias e um powertrain comprovado. Para o operador, isso significa disponibilidade e tempo de giro mais previsíveis.

No coração do conceito está a autonomia apoiada por IA para planejamento de rotas, desvio de obstáculos e supervisão de frota distribuída com “human on the loop”. Em cenários de espaço aéreo contestado, tirar o humano de bordo reduz risco e viabiliza o emprego em escala.

Capacidade e alcance: 1.000 a 8.000 libras por até 2.000 milhas

De acordo com executivos da empresa, o envelope alvo é transportar entre 1.000 e 8.000 libras por até 2.000 milhas. Em medidas aproximadas, estamos falando de 450 a 3.600 kg por cerca de 3.200 km. Como referência, Guam a Japão fica em torno de 1.500 milhas, dentro da ambição descrita. Carga pesada, distância longa e custo baixo são a tríade que a empresa deseja provar.

Empresa cria o que chama de Picape do Céu e promete levar até 3,6 toneladas de carga por 3.200 km
Lifter-Lite / Foto: Grid Aero

A faixa ampla de payload sugere modularidade de missão. O mesmo arframe poderia levar desde suprimentos gerais até equipamentos sensíveis, adaptando o centro de gravidade e os pallets conforme a necessidade. O alcance projeta linhas de comunicação logísticas que contornam gargalos marítimos e a escassez de pistas preparadas.

A Grid Aero compara a proposta ao fracionamento de cargas em muitas aeronaves menores. Em uma cadeia distribuída, perder um vetor não interrompe a operação, o que é valioso quando o adversário tenta negar o acesso por mísseis antiaéreos e ameaças assimétricas.

Como o Lifter-Lite se encaixa na doutrina ACE e na logística contestada

A Agile Combat Employment (ACE) é a doutrina que incentiva dispersar aeronaves e equipes por pistas remotas, reduzindo a exposição a ataques contra grandes hubs. O Lifter-Lite se encaixa como “carregador” resiliente para manter fluxos de reabastecimento funcionando entre pontos avançados.

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Lifter-Lite / Foto: Grid Aero

Com autonomia, robustez estrutural e operação em pistas irregulares, o drone busca sustentar bases que, de outra forma, dependeriam de aviões tripulados caros e escassos. A filosofia é massificar meios mais acessíveis, criando redundância e flexibilidade.

Especialistas lembram que o tamanho do Pacífico e a escassez de infraestrutura complicam a sustentação diária de combustível, peças e munições. Ao reduzir o custo de cada “perna” logística, a Grid Aero tenta baratear a última milha aérea em ambiente de contestado.

Dinheiro, contrato e equipe: US$ 6 milhões, AFWERX e veteranos de Joby, Xwing e Northrop

A empresa levantou US$ 6 milhões em seed com Calibrate Ventures e Ubiquity Ventures e assinou um contrato Direct-to-Phase II SBIR com o AFWERX, braço de inovação da Força Aérea americana. O foco do contrato atual recai sobre o sistema de solo e a operação de frota, ou seja, as ferramentas que equipes no chão usarão para comandar, reabastecer e recarregar múltiplas aeronaves.

Esse arranjo dá trilha de validação junto ao cliente militar ainda na fase inicial, encurtando o caminho entre protótipo e uso operacional. Diferente de projetos que dependem só de capital privado, a presença de um cliente governamental desde cedo aumenta a chance de testes no mundo real.

O time reúne experiência em eVTOLs, autonomia e programas militares, com passagens por Joby Aviation, Xwing e Northrop Grumman. Para o investidor, isso pesa como capital humano capaz de acelerar engenharia, certificação e integração.

Testes em setembro de 2025, voos a seguir e objetivo operacional em 2027

O protótipo foi projetado e montado em cerca de seis meses e está agendado para testes em solo na segunda metade de setembro de 2025, de acordo com entrevistas recentes. O passo seguinte é iniciar ensaios em voo quando a equipe considerar que a maturidade técnica está adequada.

A companhia afirma que a prioridade é colocar uma capacidade útil nas mãos dos militares no teatro do Pacífico até 2027, sujeito à evolução de requisitos e validações. É um cronograma ambicioso, mas coerente com o apoio AFWERX e com a urgência do tema para o planejamento de defesa dos EUA.

Fontes do setor também destacam que a meta de 2027 dialoga com tendências mais amplas de drones logísticos e operações distribuídas, hoje foco de várias iniciativas em defesa. Isso pode abrir portas para parcerias e integrações com outros programas.

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Geovane Souza

Geovane Souza é especialista em criação de conteúdo na internet, ações de SEO e marketing digital. Nas horas vagas é Universitário de Sistemas de Informação no IFBA Campus de Vitória da Conquista.

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