Estudo da UCL na Nature Communications mapeia epóxi-oxilipinas e mostra que bloquear a sEH acelera a resolução da dor sem suprimir a imunidade.
Pesquisadores da University College London relataram na revista Nature Communications a identificação de um mecanismo natural que freia a inflamação. O trabalho, feito inteiramente em humanos, mapeia a ação de epóxi-oxilipinas, pequenas moléculas derivadas de gordura que ajudam a desligar a resposta imune exagerada. Segundo a UCL, a estratégia preserva a defesa do organismo e acelera a resolução da dor. Os achados abrem caminho para terapias mais seguras contra inflamação crônica e doenças como artrite reumatoide.
O estudo coordenado pela UCL, com participação do King’s College London, da Universidade de Oxford, da Queen Mary University of London e do National Institute of Environmental Health Sciences, nos Estados Unidos, descreve um “interruptor” celular que limita os danos inflamatórios. De acordo com a UCL, ao aumentar a disponibilidade das epóxi-oxilipinas, o corpo consegue conter a expansão de células imunes sem suprimir toda a imunidade.
A pesquisa utilizou o inibidor GSK2256294, que bloqueia a enzima epóxido hidrolase solúvel (sEH) responsável por degradar essas moléculas protetoras. O bloqueio elevou os níveis de epóxi-oxilipinas e acelerou a melhora da dor, mantendo a capacidade geral de defesa do organismo, segundo o artigo.
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Olivia Bracken, primeira autora, afirmou que direcionar essa via natural pode levar a tratamentos mais seguros, restaurando o equilíbrio imunológico. Derek Gilroy, também autor, ressaltou que esta é a primeira vez que a atividade dessas moléculas é mapeada em humanos durante um processo inflamatório.
Estudo em humanos mapeia o freio biológico das epóxi-oxilipinas
Os cientistas provocaram uma inflamação controlada em voluntários saudáveis aplicando no antebraço uma injeção de bactérias E. coli inativadas por radiação ultravioleta. A reação gerou dor, vermelhidão, calor e inchaço, permitindo acompanhar em tempo real o comportamento das células imunes.
Os participantes foram divididos em dois grupos. Um recebeu o GSK2256294 antes do início da inflamação, enquanto o outro tomou o medicamento quatro horas após o aparecimento dos sintomas, simulando um tratamento mais tardio.
Segundo a UCL, o objetivo foi comparar uma abordagem preventiva com outra terapêutica e observar se o aumento das epóxi-oxilipinas aceleraria a resolução. Em ambos os cenários, os pesquisadores puderam medir sinais celulares e clínicos de resposta e de recuperação.
Bloquear a enzima sEH eleva epóxi-oxilipinas e reduz monócitos intermediários
Ao inibir a sEH, o organismo retém mais epóxi-oxilipinas, inclusive a 12,13-EpOME, que atuou desligando o sinal proteico p38 MAPK, chave na transformação de células inflamatórias. Esse desligamento funcionou como um freio, evitando a escalada da resposta imune.
Os resultados mostraram redução significativa dos monócitos intermediários no sangue e nos tecidos, células que, quando permanecem elevadas, mantêm a inflamação ativa. Segundo nota da UCL, conter esse subgrupo ajuda a encurtar o episódio inflamatório.
Houve ainda aceleração da resolução da dor relatada pelos voluntários, sem mudanças relevantes em sinais externos como vermelhidão e inchaço. Isso indica uma ação mais precisa na regulação celular, sem mascarar sintomas visíveis.
De acordo com o artigo na Nature Communications, a combinação de medidas celulares e clínicas fortalece a evidência de que as epóxi-oxilipinas atuam como um mecanismo intrínseco de controle. Para Derek Gilroy, a possibilidade de reaproveitar um fármaco adequado para uso humano amplia o potencial de aplicação clínica.
Implicações clínicas para artrite reumatoide e doenças cardiovasculares
Os autores veem espaço para testar inibidores da sEH em artrite reumatoide e enfermidades cardiovasculares, sozinhos ou combinados com terapias atuais. Olivia Bracken explicou que a estratégia pode ajudar a prevenir ou retardar danos articulares ao modular a inflamação sem desligar toda a imunidade.
A perspectiva é especialmente relevante em crises de condições inflamatórias crônicas, uma área carente de opções eficazes, segundo a UCL. Ensaios clínicos poderão avaliar dose, tempo de administração e segurança em diferentes perfis de pacientes.
Equipe, financiamento e relevância para a dor crônica
O estudo contou com pesquisadores da UCL, do King’s College London, da Universidade de Oxford, da Queen Mary University of London e do National Institute of Environmental Health Sciences dos Estados Unidos. O financiamento foi da Arthritis UK, organização voltada à pesquisa em doenças musculoesqueléticas.
Para Caroline Aylott, da Arthritis UK, a dor da artrite afeta como as pessoas se movem, pensam, dormem e se relacionam. Ela defende ampliar investimentos para entender os mecanismos que modulam a dor, já que a experiência varia de pessoa para pessoa.
Ao identificar um processo natural capaz de interromper inflamação e dor, a pesquisa oferece um caminho promissor para melhorar a qualidade de vida. Em 22 de fevereiro de 2026, o UOL VivaBem destacou esses achados com base em comunicado da UCL e no artigo científico.
Você concorda que modular a sEH e aumentar epóxi-oxilipinas pode ser uma alternativa mais segura aos anti-inflamatórios tradicionais? Acredita que um tratamento que não altera vermelhidão e inchaço, mas reduz dor e células inflamatórias, é suficiente em crises agudas? Deixe seu comentário e diga onde essa descoberta pode fazer mais diferença no manejo da inflamação crônica.

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