Pedro Franceschi, ex-hacker e fundador da Brex, é o único self-made entre os 10 mais ricos jovens do Brasil, segundo ranking da Forbes.
O que leva um ex-hacker mirim a se tornar bilionário e figurar entre os 10 mais ricos do Brasil com menos de 30 anos? Essa é a trajetória de Pedro Franceschi, de 28 anos, cofundador e CEO da fintech Brex, que transformou curiosidade em tecnologia e inovação em fortuna.
Diferente de seus pares na lista da Forbes, publicada em 28 de agosto, Franceschi não herdou patrimônio. Ele é o único “self-made” entre jovens bilionários, com fortuna estimada em R$ 3,3 bilhões.
Quem é Pedro Franceschi e por que sua história se destaca
A Forbes USA classificou Franceschi como o oitavo brasileiro mais rico abaixo dos 30 anos. Enquanto nove dos dez jovens bilionários herdaram empresas familiares ou grandes participações acionárias, ele trilhou um caminho diferente. A riqueza veio do próprio esforço, com base em tecnologia e visão empreendedora.
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A frente da Brex, avaliada hoje em US$ 3,4 bilhões, Franceschi lidera uma empresa que atende mais de 30 mil companhias no mundo.
Fundada em 2017 no Vale do Silício, a fintech desenvolve cartões corporativos, softwares de controle de gastos e soluções de gestão apoiadas por inteligência artificial.
Do hacker mirim ao palco do TEDx
A relação de Franceschi com computadores começou cedo. Aos seis anos já explorava programação, e aos 11 passou a desbloquear iPhones, cobrando pelo serviço e comprando com o próprio dinheiro seu celular.
Ainda adolescente, desenvolveu ferramentas que ajudaram a popularizar o jailbreak de iPods e iPhones. Em 2010, aos 13 anos, encheu o Planetário do Rio de Janeiro durante o TEDxSudeste, sendo apresentado como um “ex-hacker” promissor.
Aos 15, impressionou ao fazer a Siri, assistente da Apple, responder em português antes mesmo da versão oficial.
Questionado sobre o futuro, respondeu que se via trabalhando em uma grande empresa como a Apple. O destino, no entanto, o levou a fundar a própria companhia.
A parceria que deu origem à Brex
O encontro com Henrique Dubugras, seu atual sócio, aconteceu em 2012 após uma discussão no Twitter sobre programação. A rivalidade virou amizade e depois sociedade.
Juntos criaram a Pagar.me, startup que simplificou pagamentos online no Brasil. Ambos chegaram a ser aprovados em Stanford, mas deixaram os estudos de lado para apostar na empresa.
Anos depois, Franceschi concluiu a graduação em Ciência da Computação nos Estados Unidos.
Em 2017, já no Vale do Silício, fundaram a Brex. Um ano depois, lançaram cartões corporativos e um programa de pontos para startups em crescimento.
Rapidamente, a empresa se consolidou como referência no ecossistema financeiro global.
Quando a virada aconteceu
O ponto decisivo veio em janeiro de 2022, quando a Brex foi avaliada em US$ 12,3 bilhões. A marca colocou Pedro Franceschi oficialmente no seleto grupo de bilionários.
Desde então, apesar da oscilação do mercado que reduziu a avaliação da empresa, seu patrimônio pessoal permanece na casa dos bilhões.
Além da Brex, Franceschi já ocupou cadeiras em grandes companhias. Entre 2021 e 2023, integrou o conselho da Stone e, desde abril de 2022, participa do board da Coupang, gigante sul-coreana do e-commerce.
Os outros nomes entre os 10 mais ricos jovens do Brasil
O ranking da Forbes mostrou que a grande maioria dos jovens bilionários brasileiros deve sua fortuna a heranças. Entre os nomes estão:
Lívia Voigt, de 20 anos, com R$ 6,6 bilhões herdados da WEG.
Max Van Hoegaerden Herrmann Telles, de 29 anos, com R$ 29,3 bilhões ligados à AB InBev e ao 3G Capital.
Izabela Henriques Feffer, de 28 anos, com R$ 2,3 bilhões herdados do Grupo Suzano.
Nesse cenário dominado por legados familiares, Pedro Franceschi se destaca como exceção.
Por que Pedro Franceschi é um caso raro entre bilionários
A jornada de Franceschi inspira porque mostra que, mesmo em um país onde a concentração de riqueza é histórica, ainda é possível construir fortuna por mérito próprio.
Sua trajetória mistura talento como hacker, visão empreendedora e coragem para arriscar no Vale do Silício.
Hoje, ele vive em San Francisco, de onde segue liderando a Brex e participando ativamente de conselhos globais. Entre os jovens bilionários do Brasil, é o único que não apenas herdou, mas construiu sua fortuna.