Correios enfrentam crise histórica após prejuízo bilionário triplicar em um ano, pressionando liderança e aumentando riscos de reestruturação administrativa profunda
Os Correios registraram prejuízo de R$ 4,37 bilhões no primeiro semestre deste ano, segundo dados divulgados por O Globo.
O número é três vezes maior do que o déficit de R$ 1,35 bilhão registrado no mesmo período do ano passado. O resultado reforça o cenário de crise enfrentado pela estatal.
Gestão dos correios em xeque
A gravidade da situação levou o presidente da empresa, Fabiano Silva, a entregar uma carta de renúncia ao Palácio do Planalto no mês passado.
-
O governo fala em “apenas 20 ou 30 bilhões” para fechar as contas, mas a realidade é que o Brasil gasta quase R$ 1 trilhão por ano só em juros da dívida, um peso automático que consome mais do que saúde, educação e segurança juntos
-
EUA perdem 1,4 milhão de imigrantes em 2025, mas abrem 7 milhões de vagas em tecnologia, saúde e engenharia: janela histórica para brasileiros
-
Desmate total da Amazônia por soja e milho somaria só US$ 6 trilhões em 10 anos; uma cidade high-tech de 500 km² criaria sozinha US$ 9 trilhões
-
Orçamento de 2026 prevê salário mínimo de R$ 1.631 e superávit de R$ 34 bi, mas exclusão de precatórios revela déficit real de R$ 23 bi
Apesar disso, Silva ainda permanece no cargo e aguarda uma definição sobre seu futuro. Portanto, o impasse na liderança expõe a dificuldade em encontrar uma saída política e administrativa para o problema.
Primeiro trimestre negativo
No primeiro trimestre, os Correios já haviam registrado um déficit de R$ 1,72 bilhão. Diante desse cenário, a direção cogitou pedir aporte de recursos ao governo federal.
Além disso, em 2024, a empresa fechou com prejuízo líquido de R$ 2,6 bilhões, valor quatro vezes maior que os R$ 597 milhões de 2023.
O déficit crescente é atribuído principalmente à queda nas receitas de encomendas internacionais. O setor foi fortemente impactado pela nova taxação sobre produtos importados, conhecida como “taxa das blusinhas”.
A concorrência de empresas privadas, sobretudo no transporte de mercadorias vindas da China, também ampliou as dificuldades.
Receitas e despesas
A receita da estatal caiu 0,89%, passando de R$ 21,67 bilhões para R$ 21,47 bilhões. Ao mesmo tempo, as despesas operacionais cresceram cerca de 8%, subindo de R$ 22,3 bilhões para R$ 24 bilhões.
Esse aumento foi impulsionado pela folha de pagamento, custos judiciais e gastos com a universalização do serviço postal.
Para enfrentar a crise, a direção estuda ampliar o plano de demissão voluntária (PDV), reduzir a jornada de trabalho e promover uma reestruturação administrativa abrangente.
Com informações de O Antagonista.