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Banco Central informa que contas públicas tiveram déficit de R$ 66,6 bilhões em julho — pior resultado dos últimos quatro anos

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 29/08/2025 às 13:16
Banco Central informa que contas públicas tiveram déficit de R$ 66,6 bilhões em julho — pior resultado dos últimos quatro anos
Foto: Reprodução
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O Banco Central divulgou dados que chamam atenção para a situação fiscal do país. Em julho, as contas públicas registraram um déficit expressivo, considerado o pior resultado em quatro anos.

As contas do setor público consolidado registraram um déficit primário de R$ 66,6 bilhões em julho deste ano, segundo informou o Banco Central (BC) nesta sexta-feira (29).

O déficit primário acontece quando as receitas de tributos e impostos ficam abaixo das despesas do governo. Se ocorre o contrário, o resultado é de superávit primário.

Esse cálculo não considera o pagamento dos juros da dívida pública e engloba União, estados, municípios e empresas estatais.

Comparação com anos anteriores

O BC destacou que o saldo negativo foi maior que o de julho do ano passado, quando havia sido registrado déficit de R$ 21,3 bilhões.

O número também representa o pior resultado para o mês desde 2020, período da pandemia da Covid-19, quando os gastos extras do governo resultaram em déficit de R$ 81,1 bilhões.

Os valores informados não foram corrigidos pela inflação.

Segundo o Tesouro Nacional, a piora em julho tem ligação direta com o pagamento de despesas judiciais. Apenas no mês, esse gasto somou R$ 35,6 bilhões.

Em 2024, por exemplo, o desembolso com precatórios ocorreu em fevereiro, enquanto neste ano ficou concentrado em julho.

Desempenho por esfera de governo

O desempenho negativo foi generalizado. O governo federal apresentou déficit de R$ 56,4 bilhões. Já os estados e municípios somaram saldo negativo de R$ 8,1 bilhões.

As empresas estatais também contribuíram para o resultado ruim, com déficit de R$ 2,05 bilhões.

Esse cenário mostra que as três esferas de gestão, federal, estadual e municipal, enfrentaram desequilíbrio. O impacto maior, no entanto, veio da União.

Acumulado do ano

De janeiro a julho, o déficit primário do setor público consolidado alcançou R$ 44,5 bilhões, equivalente a 0,61% do Produto Interno Bruto (PIB). Apesar do resultado negativo, houve melhora em relação ao mesmo período do ano anterior, quando o déficit foi de R$ 64,7 bilhões, ou 0,97% do PIB.

Somente o governo federal acumulou déficit de R$ 68,8 bilhões nos sete primeiros meses, contra R$ 79,3 bilhões no mesmo período de 2024. Portanto, mesmo com julho negativo, a parcial do ano ainda mostra recuo no rombo fiscal.

A meta do governo federal é zerar o déficit em 2025. Contudo, o arcabouço fiscal permite déficit de até 0,25% do PIB, cerca de R$ 31 bilhões, sem que a meta seja considerada descumprida. Além disso, valores de precatórios, em torno de R$ 44,1 bilhões, ficam fora dessa conta.

Resultado nominal e juros

Quando entram na conta os juros da dívida pública, o resultado é o chamado déficit nominal. Em julho, esse valor atingiu R$ 175,6 bilhões.

No acumulado de doze meses, o déficit chegou a R$ 968,5 bilhões, o equivalente a 7,86% do PIB.

As agências de risco internacionais acompanham esse número com atenção, porque ele influencia na avaliação da credibilidade do país. Segundo o BC, as despesas com juros nominais somaram R$ 941,2 bilhões em doze meses, ou 7,64% do PIB.

Dívida pública em alta

A dívida bruta do setor público consolidado subiu em julho e alcançou 77,6% do PIB, o equivalente a R$ 9,6 trilhões. Desde o início do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em dois anos e meio, houve aumento de 5,9 pontos percentuais nesse indicador.

Pelo cálculo do Fundo Monetário Internacional (FMI), que inclui títulos públicos em poder do Banco Central, o endividamento é ainda maior.

A instituição apontou dívida de 89,9% do PIB em julho. Esse conceito é considerado o mais adequado para comparações internacionais.

Regras do arcabouço fiscal

Para conter o avanço da dívida, o governo aprovou em 2023 o novo arcabouço fiscal, que substituiu o teto de gastos. As regras determinam que a despesa só pode crescer até 70% do aumento da arrecadação, com limite real de 2,5% ao ano.

O objetivo é frear a expansão da dívida pública nos próximos anos. Porém, sem cortes mais fortes de despesas, especialistas alertam que o modelo pode não se sustentar.

Perspectivas

O mercado financeiro estima que, até 2034, a dívida pública brasileira alcance 93,5% do PIB, pelo conceito do governo. Esse patamar se aproxima dos níveis de países europeus e se distancia dos emergentes.

Portanto, mesmo com uma parcial anual melhor que a de 2024, os números de julho acendem alerta para a sustentabilidade das contas públicas e para os desafios fiscais do país nos próximos anos.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor. Para sugestões de pauta ou qualquer dúvida, entre em contato pelo e-mail flclucas@hotmail.com.

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