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Como (e porquê) a Europa está removendo as suas barragens?

Escrito por Rafaela Fabris
Publicado em 16/06/2024 às 14:29
Como (e porquê) a Europa está removendo as suas barragens?
Descubra por que a Europa está removendo suas barragens e os benefícios dessa ação para o meio ambiente. Imagem: Pedreiro na Construção/Divulgação

Descubra por que a Europa está removendo suas barragens e os benefícios dessa ação para o meio ambiente.

Por séculos, a Europa construiu uma vasta rede de mais de 150.000 barragens. Essas estruturas, algumas datando do início do século XX, foram símbolo de progresso e poder. Elas geravam eletricidade, controlavam enchentes e impulsionavam o crescimento industrial. Porém, a um custo oculto: as barragens interrompem os ritmos naturais dos rios, danificando ecossistemas e ameaçando a sobrevivência de peixes migratórios. Agora, muitas dessas estruturas estão chegando ao fim de sua vida útil e se tornando perigosas e caras de manter.

Remover barragens ajuda a restaurar os rios à sua condição natural, beneficiando o meio ambiente. Sem as barragens, os rios podem fluir livremente, o que é crucial para a saúde de ecossistemas aquáticos e a sobrevivência de espécies como os peixes migratórios. As barragens também acumulam sedimentos que podem conter poluentes. Quando removidas, esses sedimentos são liberados, podendo revitalizar habitats rio abaixo.

O Rio Hiitolanjoki, na Finlândia, é um exemplo de sucesso na remoção de barragens

Este rio de 53 km, que deságua no Lago Ladoga, abriga a última população de salmão naturalmente isolada do mar na Finlândia. Por mais de um século, barragens como Kangaskoski, Lahnasenkoski e Ritakoski interromperam o fluxo do rio, dificultando a migração dos salmões.

Em 2021, a barragem Kangaskoski foi demolida, resultando em uma resposta ecológica imediata: em poucas semanas, ninhos de salmão surgiram na nova seção do rio. Em 2022, a barragem Lahnasenkoski também foi removida. A última etapa envolveu a remoção da barragem Ritakoski em 2023. O custo total do projeto foi de aproximadamente €750.000, financiado por doadores públicos e privados.

Remover uma barragem é um grande desafio de engenharia. Cada barragem é estudada individualmente para determinar a melhor abordagem. Aqui estão alguns métodos comuns:

Método de entalhe e liberação: Engenheiros fazem cortes estratégicos na barragem, permitindo que a água saia gradualmente. Isso ajuda a redistribuir os sedimentos de forma controlada, revitalizando os habitats rio abaixo.

Método de liberação rápida: Um túnel é criado na base da barragem, liberando rapidamente a água e os sedimentos. É um método mais rápido e barato, mas pode causar inundações e erosão.

Método de escavação e drenagem: O reservatório é esvaziado e os sedimentos acumulados são removidos com máquinas pesadas. É um processo caro e lento, usado quando os sedimentos são contaminados.

Método de desvio: Em alguns casos, um novo canal é construído para desviar o rio em torno da barragem, deixando os sedimentos no lugar.

Em 2022, um número recorde de 325 barragens foram removidas na Europa

Reabrindo importantes vias fluviais. Países como Espanha, Suécia e França lideram esses esforços, com novos participantes como Letônia e Luxemburgo se juntando à causa. A remoção de barragens melhora a biodiversidade, ajudando a reverter a perda de espécies e criando habitats mais saudáveis.

A Europa está removendo suas barragens para restaurar os rios e beneficiar o meio ambiente. Esse movimento, embora complexo e caro, traz enormes benefícios ecológicos, ajudando a reverter décadas de danos aos ecossistemas fluviais. A remoção de barragens simboliza um compromisso com a sustentabilidade e a preservação da natureza para as futuras gerações.

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Rafaela Fabris

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