Coca-Cola prepara investimento bilionário no interior de São Paulo e avalia cidades estratégicas para receber uma das maiores fábricas do mundo. A definição deve ocorrer até 2025, com início das obras previsto para 2026.
A Coca-Cola avalia instalar uma nova planta industrial no interior de São Paulo, com investimento estimado em R$ 1 bilhão.
A empresa trabalha para definir o município até o fim de 2025 e iniciar as obras em 2026, segundo declarações públicas de executivos.
De acordo com apurações regionais, Pindamonhangaba e Lorena aparecem hoje como as candidatas mais bem posicionadas para receber o projeto.
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Disputa no interior paulista ganha contornos finais
A seleção de cidades passa por etapas técnicas e políticas.
Enquanto o cronograma aponta decisões ainda em 2025, conversas com administrações locais e proprietários de áreas avançam em paralelo.
Informações do noticiário regional indicam que Pindamonhangaba desponta por articulação política e disponibilidade de terrenos com perfil industrial, com tratativas consideradas adiantadas.
Lorena, por sua vez, ganha tração por sua logística no eixo da Dutra (BR-116) e pela proximidade de bases industriais e centros de distribuição, fatores que reduzem custos operacionais e ampliam o alcance comercial.
Outras cidades em movimento
Além das favoritas, outros municípios do interior paulista buscam se credenciar.
Itu, Sorocaba, Bragança Paulista, Jundiaí e Campinas vêm se movimentando para atrair investimentos de grande porte, embora, no momento, estejam fora do pelotão principal da disputa.
Em paralelo, Queluz entrou no radar após a oferta de uma área com características comparáveis às analisadas pela companhia em Porto Real (RJ), onde funcionou uma antiga unidade do sistema Coca-Cola.
Caçapava mantém conversas iniciais com representantes ligados ao projeto.
Já Jacareí estaria descartada por questões de localização, segundo relatos locais.
O que pesa na decisão
A escolha final depende de um conjunto de critérios.
Pesam de forma decisiva a logística e a distribuição, requisito diretamente influenciado por acessos rodoviários, distância a mercados consumidores e presença de operadores logísticos.
Também entram na conta características do terreno — tamanho, regularização fundiária, topografia e prazo de implantação —, além da infraestrutura urbana e de utilidades: água, energia, esgoto, gás e telecomunicações.
Outro elemento sensível é a segurança regulatória e ambiental, que afeta tanto a velocidade do licenciamento quanto a previsibilidade de custos futuros.
Porte do projeto e impacto produtivo
O valor anunciado, R$ 1 bilhão, sinaliza escala elevada para a futura planta.
Internamente, segundo as informações, a Coca-cola considera que a unidade a ser instalada no estado deverá figurar entre as maiores do portfólio global, alinhada a padrões de eficiência, automação e sustentabilidade consolidados nas operações recentes do sistema.
Ainda que os detalhes de capacidade não tenham sido divulgados, a expectativa é que o desenho fabril contemple linhas de alta velocidade, centros de armazenagem integrados e soluções de reaproveitamento de água e energia, práticas que vêm ganhando espaço na indústria de bebidas.
Mercado brasileiro de bebidas não alcoólicas em 2023
O ambiente setorial ajuda a explicar o apetite por novos investimentos.
Em 2023, o Ministério da Agricultura registrou mais de 29 bilhões de litros de bebidas não alcoólicas produzidos no país, com o Sudeste na liderança em volume.
Os refrigerantes responderam por cerca de 23 bilhões de litros, o equivalente a aproximadamente 79% do total nacional.
Esse patamar consolida o Brasil como um dos principais mercados globais para a categoria e reforça a relevância de um hub industrial próximo aos grandes centros consumidores.
Por que Vale do Paraíba e entorno ganharam espaço
A região do Vale do Paraíba e áreas próximas reúnem fatores que, em conjunto, favorecem operações de grande porte.
A Rodovia Presidente Dutra conecta São Paulo e Rio de Janeiro, dois dos maiores polos de consumo do país, e cruza municípios com mão de obra qualificada, parques industriais já estabelecidos e fornecedores de embalagens, insumos e serviços técnicos.
Além disso, a presença de bases de distribuição na região encurta prazos e amplia a confiabilidade logística, atributos críticos para cadeias de alto giro como a de bebidas.
Prazos e próximos passos
O calendário interno mapeado por interlocutores prevê definição do município até o final de 2025 e início das obras em 2026.
Até lá, a companhia deve aprofundar estudos de viabilidade, avançar em negociações fundiárias e dimensionar incentivos oferecidos por governos locais e estadual.
Em paralelo, a engenharia valida layout, infraestrutura e capacidade de expansão futura — fator relevante em projetos que buscam longevidade e escala.
A execução desse ciclo costuma depender de licenciamento ambiental, aprovações urbanísticas e contratos de utilidades, etapas que influenciam diretamente o cronograma.
O que está em aberto
Alguns pontos seguem sem anúncio oficial por parte da Coca-cola, como a cidade escolhida, a capacidade nominal da unidade e o mix de produtos a ser fabricado.
Também não há detalhamento público sobre incentivos eventualmente oferecidos pelos entes federativos.
Até a decisão final, permanece como referência o conjunto de critérios técnicos e logísticos que orienta a seleção e as apurações regionais que colocam Pindamonhangaba e Lorena na dianteira.
Efeitos esperados sobre emprego e cadeias locais
Embora números específicos não tenham sido divulgados, um investimento de R$ 1 bilhão tende a ativar cadeias de fornecedores de embalagens, ingredientes, manutenção industrial e serviços logísticos, além de gerar empregos diretos e indiretos ao longo da implantação e operação.
A seleção do sítio industrial pode redefinir fluxos de transporte regional e estimular novos projetos de infraestrutura, impacto comum em plantas com perfil de “hub” de distribuição.
A intensidade desses efeitos, contudo, dependerá da cidade vencedora, do desenho operacional e do calendário de ramp-up após a inauguração.
Por fim, diante desse cenário e dos critérios em jogo, qual município do interior paulista você considera mais preparado para receber um investimento desse porte e por quê?