China supera EUA como maior destino das exportações brasileiras em 2025, com soja, petróleo e minério acima de US$ 90 bilhões e peso global.
Em 2025, o comércio exterior do Brasil registra um marco que redefine sua inserção no mundo: a China ultrapassou os Estados Unidos como maior destino das exportações brasileiras, consolidando-se de forma incontestável como o parceiro comercial número um do país. Os números são expressivos — enquanto as vendas para os chineses superaram US$ 90 bilhões, as exportações para os EUA ficaram em torno de US$ 40 bilhões.
Esse movimento não é apenas estatístico: ele reconfigura o mapa do comércio global e mostra como o Brasil está cada vez mais dependente da demanda chinesa por commodities estratégicas como soja, petróleo e minério de ferro.
O peso da soja, do minério e do petróleo
A base dessa dependência é tripla e inabalável:
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- Soja: produto mais exportado pelo Brasil, com a China respondendo por mais de 70% das compras. Em 2025, o valor exportado já supera US$ 35 bilhões, sustentado pela demanda chinesa para ração animal e óleo vegetal.
- Minério de ferro: outro pilar da balança comercial, com exportações acima de US$ 23 bilhões para os chineses, que seguem como maiores consumidores globais de aço.
- Petróleo bruto: consolidou-se como a segunda maior commodity exportada pelo Brasil, com vendas para a China que já superam US$ 25 bilhões em 2025, puxadas pelo pré-sal.
Somados, apenas esses três produtos já representam mais de US$ 90 bilhões em exportações para Pequim, deixando clara a concentração da pauta exportadora brasileira.
O contraste com os Estados Unidos
Enquanto a China dispara como destino das exportações brasileiras, os EUA perdem espaço relativo. Mesmo com recorde histórico em 2024, quando as exportações brasileiras para o mercado americano superaram US$ 40 bilhões, a distância para os chineses mais que dobrou.
Nos EUA, o Brasil exporta principalmente açúcar, semimanufaturados de ferro, aço, etanol e produtos industrializados. São produtos de maior valor agregado que diversificam a pauta, mas a escala não se compara ao apetite chinês por commodities em volume massivo.
Esse contraste mostra o dilema brasileiro: entre a quantidade garantida pelo mercado chinês e a qualidade da pauta americana, que permite agregar mais valor, mas em menor escala.
A geopolítica do comércio
A mudança no mapa de exportações não é apenas econômica: é geopolítica.
- Para a China, consolidar o Brasil como fornecedor estratégico de grãos, energia e minério é parte da estratégia de segurança alimentar e energética de longo prazo.
- Para os EUA, a perda de espaço reforça preocupações com a influência chinesa na América Latina, considerada historicamente como sua esfera de influência.
- Para o Brasil, a dependência excessiva de um único comprador cria vulnerabilidades: qualquer oscilação na demanda chinesa ou barreira comercial pode afetar fortemente a balança comercial.
Essa nova realidade pressiona Brasília a diversificar parceiros, mas até agora a força do mercado chinês tem prevalecido.
O efeito na balança comercial brasileira
Graças ao desempenho com a China, o Brasil registrou mais um superávit histórico na balança comercial em 2025. Apenas as exportações para o gigante asiático representaram quase 35% do total exportado pelo país.
Esse peso reforça a importância da relação bilateral, mas também expõe o risco de concentração. Economistas alertam: o Brasil não pode depender de forma tão intensa de apenas três commodities e de um único comprador. Uma desaceleração da economia chinesa teria impacto direto e imediato nas contas externas brasileiras.
Mais de US$ 90 bilhões em exportações para a China
A conquista de mais de US$ 90 bilhões em exportações para a China em 2025 pode ser vista como vitória para o agronegócio, para a mineração e para o setor de petróleo. Mas também levanta uma questão incômoda: o Brasil está se consolidando como fornecedor de matérias-primas sem conseguir avançar em produtos de maior valor agregado.
Enquanto a China expande sua indústria de alta tecnologia e busca liderança global em áreas como semicondutores, energia limpa e inteligência artificial, o Brasil segue preso à posição de exportador de commodities.
A armadilha é clara: em caso de queda nos preços internacionais ou de tensões diplomáticas, o país ficaria vulnerável a uma crise cambial imediata.
O futuro das relações comerciais
Em 2025, o Brasil tem diante de si uma escolha estratégica.
- Apostar ainda mais na China, aceitando a dependência em troca de estabilidade nas exportações.
- Diversificar parcerias comerciais, ampliando acordos com União Europeia, países do Oriente Médio, África e vizinhos do Mercosul.
- Investir em industrialização e inovação, para que sua pauta exportadora vá além de soja, minério e petróleo.
Seja qual for o caminho, o dado é incontestável: a China já reconfigurou o comércio exterior brasileiro, tornando-se não apenas o maior parceiro, mas um ator determinante para o futuro da economia nacional.