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China barrada no Brasil? Risco de urânio e radiação leva Justiça a ameaçar bloqueio de mina bilionária no coração da Amazônia

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 29/08/2025 às 12:02
Justiça pode suspender exploração da Mina Pitinga no Amazonas e pressiona empresa chinesa a provar ausência de urânio e riscos ambientais.
Justiça pode suspender exploração da Mina Pitinga no Amazonas e pressiona empresa chinesa a provar ausência de urânio e riscos ambientais.
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Justiça brasileira pressiona empresa chinesa e governo a provar ausência de exploração de urânio em mina no Amazonas, considerada uma das mais ricas do mundo, e ameaça suspender operação caso não haja comprovação de segurança ambiental e nuclear.

A Justiça Federal deu prazo de dez dias para que a empresa China Nonferrous Metal Mining e o governo brasileiro comprovem que a exploração da Mina Pitinga, no Amazonas, não envolve urânio ou risco de contaminação radioativa.

O alerta foi feito em decisão da 1ª Vara Cível do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) na terça-feira (26/8).

Caso não haja resposta satisfatória, a magistrada determinou que pode suspender toda a atividade mineral na região.

Localizada a cerca de 300 quilômetros de Manaus, a mina ocupa aproximadamente 17 mil hectares, área comparável a 23,8 mil campos de futebol.

É considerada uma das jazidas mais ricas do mundo, abrigando reservas de nióbio, tântalo, estanho, tório e também resíduos de urânio, mineral cuja exploração depende de autorização específica da União por envolver material nuclear.

Disputa judicial sobre o controle da Mina Pitinga

Conforme informações publicadas pelo portal Metrópoles nesta quinta-feira (28), a mina é operada pela Mineração Taboca S.A., que no fim de 2024 teve o controle acionário transferido para a China Nonferrous Trade Co. Ltda., em um negócio estimado em R$ 2 bilhões.

A mudança provocou questionamentos sobre a legalidade da operação e a forma de fiscalização dos recursos estratégicos.

A Constituição estabelece que minerais nucleares pertencem exclusivamente à União, o que reforça a necessidade de supervisão estatal.

O senador Plínio Valério (PSDB-AM) acionou a Justiça para questionar a transação.

Ele argumenta que a transferência indireta para uma empresa chinesa não foi submetida à autorização prévia do Congresso Nacional, como previsto pela Constituição em casos de exploração de terras indígenas ou de concessão de áreas públicas acima de 2.500 hectares.

Segundo o parlamentar, essa omissão compromete a soberania nacional e expõe riquezas estratégicas a riscos de exploração irregular.

Exigências e condições impostas pela Justiça

Em despacho, a juíza Jaiza Maria Pinto Fraxe destacou que a operação só poderá continuar se houver provas concretas de que não haverá exploração de urânio.

Ela cobrou explicações detalhadas sobre métodos de fiscalização, protocolos de segurança para evitar o vazamento de material radioativo e garantias de que não haverá danos ambientais ou impactos às comunidades indígenas próximas.

A magistrada alertou que a ausência de comprovação resultará em liminar suspendendo qualquer atividade considerada nociva.

“A não comprovação dos itens anteriores ensejará a concessão da liminar e a consequente suspensão de qualquer avença que possa trazer prejuízos ambientais ao país, prejuízos decorrentes de exploração ilegal de minério e riscos de exposição de radiação à população local, indígena e não indígena”, registrou no despacho.

Críticas à fiscalização dos órgãos públicos

O senador Plínio Valério também apontou que órgãos públicos não fiscalizaram adequadamente a transação.

Ele citou especificamente a Agência Nacional de Mineração (ANM) e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), além da própria União, acusando-os de omissão diante de um caso que envolve recursos estratégicos e soberania territorial.

De acordo com a Constituição, cabe ao Legislativo autorizar a pesquisa e lavra de riquezas minerais em terras indígenas, além de aprovar previamente a alienação de grandes áreas públicas.

Para o senador, ao não cumprir essas etapas, a operação violou princípios constitucionais.

O advogado André Moraes, representante de Plínio Valério, afirmou que a decisão judicial inicial é um passo importante para garantir respeito às normas.

Segundo ele, trata-se de medida “prudente e extremamente necessária”, já que envolve riquezas estratégicas para o Brasil.

Mina estratégica no coração da Amazônia

A Mina Pitinga é considerada estratégica não apenas pela dimensão de suas reservas, mas também pela variedade de minerais de alto valor tecnológico.

O nióbio é usado em ligas metálicas para turbinas e equipamentos de alta resistência. Já o tântalo é fundamental na produção de componentes eletrônicos e o estanho tem amplo uso industrial.

A presença de tório e resíduos de urânio, entretanto, torna a região ainda mais sensível, pois ambos estão associados a elementos radioativos que exigem controle rigoroso.

Esse conjunto de minerais coloca a área no radar global de interesses geopolíticos e comerciais.

A entrada de uma empresa chinesa no controle da exploração amplia as tensões, em um cenário de disputa internacional por matérias-primas consideradas estratégicas para tecnologias avançadas e para a transição energética.

Você considera correta a decisão da Justiça de ameaçar suspender a exploração da Mina Pitinga para garantir segurança ambiental e soberania nacional?

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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