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Brasil lidera boom do petróleo na América do Sul com força do pré-sal

Escrito por Sara Aquino
Publicado em 30/08/2025 às 12:46
Brasil lidera a produção de petróleo na América do Sul com o pré-sal e impulsiona o crescimento mais rápido do mundo até 2030.
Foto: Getty Images
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Brasil lidera a produção de petróleo na América do Sul com o pré-sal e impulsiona o crescimento mais rápido do mundo até 2030.

A América do Sul vive uma transformação histórica na indústria do petróleo, liderada pelo Brasil. De acordo com a Agência Nacional de Petróleo e Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o país registrou recorde de quase cinco milhões de barris por dia em junho de 2025, consolidando-se como protagonista do setor.

Esse avanço acontece em um momento em que a região desponta como a que mais cresce no mundo na produção do combustível fóssil, com projeção de aumento de 30% até 2030, superando em ritmo o Oriente Médio e os Estados Unidos.

O crescimento acelerado se apoia principalmente no pré-sal brasileiro, no bloco Stabroek, na Guiana, e na Bacia de Neuquén, na Argentina, redesenhando o mapa energético global.

Pré-sal brasileiro atrai investimentos e fortalece a indústria

O grande motor do crescimento no Brasil é o pré-sal, uma formação geológica submarina localizada abaixo de espessas camadas de sal que guarda imensas jazidas de petróleo e gás.

Considerado um dos campos mais promissores do planeta, o pré-sal transformou o país em polo de atração para investimentos bilionários.

Projetos como Búzios, Mero, Sépia e Atapu estão entre os maiores do mundo em águas profundas e contam com forte participação da Petrobras, que amplia suas unidades de produção para garantir o aumento contínuo da oferta.

Segundo Flávio Menten, analista da consultoria Rystad, “a América do Sul é a maior região produtora em águas profundas marinhas a nível mundial”. Esse perfil coloca o Brasil em posição estratégica para atender a demanda global e, ao mesmo tempo, financiar políticas de transição energética.

Guiana e Argentina entram no mapa global do petróleo

Enquanto o Brasil consolida sua liderança, a Guiana surpreende com uma das reservas mais importantes do planeta.

Desde a descoberta do bloco Stabroek, em 2015, o pequeno país de pouco mais de 800 mil habitantes vive um verdadeiro boom petrolífero.

Liderado pela ExxonMobil, o consórcio que opera a área marítima já projeta dobrar a produção até 2030.

Na Argentina, a formação de Vaca Muerta, localizada na província de Neuquén, tornou-se referência na exploração de petróleo e gás de xisto. Em julho de 2025, a produção alcançou crescimento interanual de 28%, o maior da história da região.

Especialistas, como a pesquisadora María Cristina Pacino, da Universidade Nacional de Rosário, ressaltam que a velocidade desse avanço “dependerá do investimento em infraestrutura”.

Um oleoduto de mais de 400 quilômetros deve entrar em operação até o fim de 2026, conectando Vaca Muerta a um terminal no Atlântico.

O desafio de manter o ritmo além de 2030

Apesar do crescimento acelerado, analistas alertam que a indústria do petróleo sul-americana enfrenta um grande desafio: sustentar o ritmo após 2030.

A continuidade do boom dependerá da descoberta e exploração de novas jazidas, já que muitos campos maduros apresentam sinais de esgotamento.

Pietro Ferreira, da Wood Mackenzie, lembra que os atuais projetos combinam “alta produtividade e baixa intensidade de carbono”, um fator determinante para manter a atratividade dos investimentos no setor.

Estudos da McKinsey Energy Solutions apontam que, até o final da década, a produção na região pode crescer até 35%, com aumento anual médio de 4% a 5%. A média mundial, em comparação, não deve passar de 1%.

Transição energética e dilemas ambientais

O avanço do petróleo na América do Sul também gera debates intensos. Às vésperas da COP30, que será realizada no Brasil em novembro de 2025, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que “é dessa riqueza que a gente vai ter dinheiro para construir a sonhada transição energética”.

No entanto, críticos consideram contraditório financiar energias renováveis com receitas oriundas de combustíveis fósseis.

Enquanto organizações ambientais pressionam por maior investimento em energia solar, eólica e hidrogênio verde, o setor petrolífero reforça que os custos de produção na região são mais baixos do que em outras partes do mundo.

Além disso, especialistas alertam que a economia global corre o risco de enfrentar escassez de petróleo após 2030 se novos campos não forem explorados.

América do Sul, novo eixo da indústria mundial

Com custos competitivos, reservas abundantes e projetos de grande porte, a América do Sul caminha para se consolidar como o centro de crescimento mais dinâmico da indústria global de petróleo.

O Brasil, impulsionado pelo pré-sal e pela atuação estratégica da Agência Nacional de Petróleo e Gás Natural e Biocombustíveis, segue como peça-chave desse tabuleiro energético.

Ao mesmo tempo, Guiana e Argentina ampliam sua relevância, transformando o continente em protagonista de uma nova era.

O desafio, contudo, será equilibrar o desenvolvimento econômico com as pressões ambientais, em um cenário mundial que exige transição energética, mas ainda depende fortemente do petróleo.

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Sara Aquino

Farmacêutica Generalista e Redatora. Escrevo sobre Empregos, Cursos, Ciência, Tecnologia e Energia. Apaixonada por leitura, escrita e música.

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