Brasil lidera a produção de petróleo na América do Sul com o pré-sal e impulsiona o crescimento mais rápido do mundo até 2030.
A América do Sul vive uma transformação histórica na indústria do petróleo, liderada pelo Brasil. De acordo com a Agência Nacional de Petróleo e Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o país registrou recorde de quase cinco milhões de barris por dia em junho de 2025, consolidando-se como protagonista do setor.
Esse avanço acontece em um momento em que a região desponta como a que mais cresce no mundo na produção do combustível fóssil, com projeção de aumento de 30% até 2030, superando em ritmo o Oriente Médio e os Estados Unidos.
O crescimento acelerado se apoia principalmente no pré-sal brasileiro, no bloco Stabroek, na Guiana, e na Bacia de Neuquén, na Argentina, redesenhando o mapa energético global.
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Pré-sal brasileiro atrai investimentos e fortalece a indústria
O grande motor do crescimento no Brasil é o pré-sal, uma formação geológica submarina localizada abaixo de espessas camadas de sal que guarda imensas jazidas de petróleo e gás.
Considerado um dos campos mais promissores do planeta, o pré-sal transformou o país em polo de atração para investimentos bilionários.
Projetos como Búzios, Mero, Sépia e Atapu estão entre os maiores do mundo em águas profundas e contam com forte participação da Petrobras, que amplia suas unidades de produção para garantir o aumento contínuo da oferta.
Segundo Flávio Menten, analista da consultoria Rystad, “a América do Sul é a maior região produtora em águas profundas marinhas a nível mundial”. Esse perfil coloca o Brasil em posição estratégica para atender a demanda global e, ao mesmo tempo, financiar políticas de transição energética.
Guiana e Argentina entram no mapa global do petróleo
Enquanto o Brasil consolida sua liderança, a Guiana surpreende com uma das reservas mais importantes do planeta.
Desde a descoberta do bloco Stabroek, em 2015, o pequeno país de pouco mais de 800 mil habitantes vive um verdadeiro boom petrolífero.
Liderado pela ExxonMobil, o consórcio que opera a área marítima já projeta dobrar a produção até 2030.
Na Argentina, a formação de Vaca Muerta, localizada na província de Neuquén, tornou-se referência na exploração de petróleo e gás de xisto. Em julho de 2025, a produção alcançou crescimento interanual de 28%, o maior da história da região.
Especialistas, como a pesquisadora María Cristina Pacino, da Universidade Nacional de Rosário, ressaltam que a velocidade desse avanço “dependerá do investimento em infraestrutura”.
Um oleoduto de mais de 400 quilômetros deve entrar em operação até o fim de 2026, conectando Vaca Muerta a um terminal no Atlântico.
O desafio de manter o ritmo além de 2030
Apesar do crescimento acelerado, analistas alertam que a indústria do petróleo sul-americana enfrenta um grande desafio: sustentar o ritmo após 2030.
A continuidade do boom dependerá da descoberta e exploração de novas jazidas, já que muitos campos maduros apresentam sinais de esgotamento.
Pietro Ferreira, da Wood Mackenzie, lembra que os atuais projetos combinam “alta produtividade e baixa intensidade de carbono”, um fator determinante para manter a atratividade dos investimentos no setor.
Estudos da McKinsey Energy Solutions apontam que, até o final da década, a produção na região pode crescer até 35%, com aumento anual médio de 4% a 5%. A média mundial, em comparação, não deve passar de 1%.
Transição energética e dilemas ambientais
O avanço do petróleo na América do Sul também gera debates intensos. Às vésperas da COP30, que será realizada no Brasil em novembro de 2025, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que “é dessa riqueza que a gente vai ter dinheiro para construir a sonhada transição energética”.
No entanto, críticos consideram contraditório financiar energias renováveis com receitas oriundas de combustíveis fósseis.
Enquanto organizações ambientais pressionam por maior investimento em energia solar, eólica e hidrogênio verde, o setor petrolífero reforça que os custos de produção na região são mais baixos do que em outras partes do mundo.
Além disso, especialistas alertam que a economia global corre o risco de enfrentar escassez de petróleo após 2030 se novos campos não forem explorados.
América do Sul, novo eixo da indústria mundial
Com custos competitivos, reservas abundantes e projetos de grande porte, a América do Sul caminha para se consolidar como o centro de crescimento mais dinâmico da indústria global de petróleo.
O Brasil, impulsionado pelo pré-sal e pela atuação estratégica da Agência Nacional de Petróleo e Gás Natural e Biocombustíveis, segue como peça-chave desse tabuleiro energético.
Ao mesmo tempo, Guiana e Argentina ampliam sua relevância, transformando o continente em protagonista de uma nova era.
O desafio, contudo, será equilibrar o desenvolvimento econômico com as pressões ambientais, em um cenário mundial que exige transição energética, mas ainda depende fortemente do petróleo.