Novo projeto de monotrilho promete revolucionar a mobilidade em São Paulo ao conectar o aeroporto de Congonhas ao metrô, com tecnologia autônoma e aporte internacional inédito.
Após consolidar como uma das principais no setor automotivo brasileiro com a produção e venda de veículos elétricos, a fabricante chinesa BYD visa agora se consolidar no segmento ferroviário do Brasil, assumindo, inclusive, um dos projetos de transporte mais emblemáticos e aguardados de São Paulo, a Linha 17-Ouro do monotrilho.
A BYD, que já atua no segmento ferroviário há anos com projetos operando na China e em outros países, assumiu o projeto de fornecer os trens e sistemas há dois anos, iniciando um novo ciclo para o empreendimento.
A iniciativa representa uma aposta significativa em tecnologia, inovação e mobilidade urbana, prometendo transformar o trajeto entre o Aeroporto de Congonhas e a malha metroviária da capital paulista com trens autônomos, ou seja, composições que dispensam a presença de motorista a bordo.
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Expansão da BYD no transporte ferroviário brasileiro
Recentemente, o presidente da Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô), Julio Castiglioni, anunciou que a operação comercial da Linha 17-Ouro está prevista para começar no primeiro trimestre de 2026.
Segundo ele, todos os trens deverão estar em funcionamento até setembro do mesmo ano.
A ViaMobilidade, atual responsável pelas Linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda, também será a operadora do novo monotrilho, consolidando sua presença na gestão do transporte ferroviário metropolitano da cidade.
A BYD SkyRail, divisão da empresa voltada para sistemas ferroviários, já deu início à fabricação dos trens em Shenzhen, na China.
A BYD já tem dois trens no pátio – um deles foi entregue em outubro de 2024 – e mais dois trens estão no porto de Santos aguardando a subida para o pátio Água Espraiada.
As primeiras unidades devem desembarcar no Brasil ainda em 2025, marcando uma nova fase para um projeto que já atravessou mais de uma década de atrasos, disputas judiciais e paralisações.
Desde sua concepção, em 2010, o monotrilho foi apresentado como solução de mobilidade para a Copa do Mundo de 2014, mas, ao longo dos anos, o cronograma sofreu sucessivas revisões.
Agora, com o aporte tecnológico e financeiro da BYD, o cenário se mostra mais favorável à concretização da obra.
Detalhes e investimentos da Linha 17-Ouro
Com um investimento total estimado em R$ 5,8 bilhões, a Linha 17-Ouro contará com 6,7 quilômetros de extensão e oito estações, conectando bairros da zona sul ao Aeroporto de Congonhas e promovendo integração direta com as Linhas 5-Lilás do Metrô de São Paulo e 9-Esmeralda da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).
O projeto adota o conceito SkyRail, um sistema de monotrilho elevado com operação totalmente automatizada.
Segundo a BYD, a tecnologia empregada utiliza sistemas avançados de sinalização e controle, proporcionando maior eficiência e segurança à operação dos trens autônomos.
Superação de atrasos e papel da BYD no monotrilho
O anúncio da retomada e da nova previsão de entrega surge em um contexto de intensas cobranças por parte da população e do poder público.
Desde 2014, o avanço da obra foi interrompido diversas vezes por impasses contratuais, mudanças de empreiteiras e desafios técnicos.
A entrada da BYD, que já acumula experiência em projetos ferroviários em cidades chinesas e em outros países, traz um novo patamar de expectativa para a finalização do empreendimento.
De acordo com informações oficiais, o SkyRail já opera em cidades como Shenzhen, contribuindo para a redução de congestionamentos e de emissões de poluentes.
O papel da BYD no fornecimento dos trens, além da implantação dos sistemas de automação, foi destacado por Julio Castiglioni.
“Acreditamos que a expertise tecnológica da BYD permitirá entregar à população uma solução moderna e eficiente, com menor risco de novos atrasos”, afirmou o presidente do Metrô de São Paulo durante o anúncio.
A expectativa é que a Linha 17-Ouro revolucione o acesso ao Aeroporto de Congonhas, um dos mais movimentados do país, facilitando a conexão direta com o transporte público sobre trilhos e ampliando as opções para passageiros e moradores da região.
Tecnologia SkyRail: inovação e impacto futuro
Além do impacto direto na mobilidade urbana, o projeto representa um passo importante para a consolidação do Brasil como mercado estratégico para a BYD, que já domina o setor de ônibus e veículos elétricos em território nacional.
O início das operações do monotrilho autônomo, programado para ocorrer antes das eleições municipais de 2026, também carrega forte simbolismo político, pois atende a uma demanda histórica da população paulistana por integração e eficiência no transporte público.
Em relação à tecnologia embarcada, o SkyRail se destaca pelo uso de inteligência artificial, sensores de última geração e sistemas de monitoramento em tempo real.
De acordo com especialistas em mobilidade, essas inovações podem reduzir custos operacionais e aumentar a segurança dos passageiros, além de tornar o sistema mais flexível para futuras expansões.
O monotrilho automatizado dispensa condutores humanos, sendo controlado por centros de comando que monitoram toda a operação remotamente.
A nova etapa das obras prevê a conclusão das estações prioritárias e dos pátios de manobra ainda em 2025, com a entrega gradual das composições entre o final deste ano e o primeiro semestre de 2026.
O governo paulista mantém a meta de inaugurar o serviço comercial em março de 2026, beneficiando principalmente os moradores da zona sul, trabalhadores do aeroporto e turistas que utilizam o terminal aéreo.