Transformação de pasto degradado em agrofloresta com café e árvores nativas reposiciona propriedade em Piracaia como referência de recuperação hídrica no entorno do Sistema Cantareira, unindo produção rural, conservação do solo e melhoria na infiltração de água em área estratégica para o abastecimento paulista.
Uma propriedade rural em Piracaia, no interior paulista e inserida na área de influência do Sistema Cantareira, passou por transformação após o agricultor Dercílio Pupin converter pasto degradado em agrofloresta com café e árvores nativas, associando produção agrícola e recuperação hídrica.
Quando assumiu o sítio, o produtor encontrou um cenário de solo compactado, cobertura vegetal escassa e extensas clareiras expostas ao sol, condições que dificultam a infiltração da água da chuva e favorecem o escoamento superficial.
Em vez de manter a lógica tradicional de uso intensivo da pastagem, ele reorganizou o espaço produtivo com base em um sistema agroflorestal que combina espécies de diferentes portes, funções ecológicas e ciclos de crescimento.
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A proposta foi reconstruir gradualmente a estrutura do solo, ampliar a presença de matéria orgânica e criar sombreamento suficiente para reduzir o impacto direto das chuvas, fatores associados à melhoria da infiltração.
Recuperação do solo com agrofloresta no interior de SP

Relatos publicados sobre a experiência registram que, ao chegar à área, Pupin descreveu o terreno como praticamente sem árvores, com predominância de clareiras e sinais claros de degradação acumulada ao longo do tempo.
Segundo o agricultor, as diferenças começaram a ser percebidas à medida que a agrofloresta se desenvolveu, especialmente nas áreas onde a vegetação já alcançou maior densidade e diversidade.
Ele afirmou que nesses trechos a infiltração da água no solo se mostrou superior à observada em partes mais expostas, indicando mudança concreta na dinâmica hídrica da propriedade.
No arranjo implantado, o café ocupa papel central como cultura de retorno econômico, enquanto espécies nativas da Mata Atlântica entram para recompor a cobertura vegetal e fortalecer a resiliência ambiental do terreno.
Publicações sobre o caso mencionam a inclusão de árvores como jacarandá, jequitibá-rosa e tamboril, integradas ao sistema produtivo com a finalidade de proteger o solo e diversificar a estrutura da paisagem rural.
Ao distribuir plantas em diferentes estratos, o modelo busca manter o chão permanentemente coberto, reduzindo a incidência direta do sol e favorecendo a formação de um ambiente mais estável para retenção de umidade.
Sistema Cantareira e segurança hídrica na região metropolitana

Piracaia integra um território estratégico para o abastecimento da região metropolitana de São Paulo, já que a qualidade ambiental das áreas rurais do entorno influencia o comportamento dos reservatórios do Sistema Cantareira.
A crise hídrica registrada na última década evidenciou essa conexão ao expor níveis críticos de armazenamento, ampliando o debate público sobre a relação entre manejo no campo e segurança no abastecimento urbano.
Nesse contexto, propriedades rurais passaram a ser vistas como parte de uma engrenagem maior, na qual conservação de nascentes, recomposição de margens de rios e qualidade do solo interferem na dinâmica da água.
Projeto Semeando Água e recuperação ambiental em Piracaia
A experiência de Pupin se vinculou a iniciativas locais e ao projeto Semeando Água, do IPÊ, que atua no entorno do Cantareira com produtores interessados em alinhar produção agrícola e conservação ambiental.
De acordo com a descrição institucional do projeto, a adesão envolve planejamento estruturado com base no Cadastro Ambiental Rural, respeitando diretrizes do Código Florestal durante o processo de adequação.
Levantamentos citados em reportagens apontam que a região ainda concentra extensas áreas de margens de rios sem vegetação e grande presença de pastagens degradadas, quadro que reforça a importância de mudanças no manejo.

Em análise divulgada pelo Dialogue Earth, mapeamento atribuído ao IPÊ indicou cerca de 21 mil hectares de margens de rios desprovidas de cobertura vegetal e aproximadamente 100 mil hectares de pastagens degradadas no território.
Manejo de pastagem e controle da degradação do solo
Além do plantio de árvores e cultivos perenes, materiais jornalísticos mencionam a adoção de rotação de gado, descrita como “pastagem ecológica”, para reduzir pressão contínua sobre o mesmo trecho.
Essa prática permite que a vegetação forrageira se recupere, diminui riscos de erosão e contribui para manter o solo mais protegido, evitando que a degradação retorne após os primeiros avanços da restauração.
Combinando diversificação produtiva, recomposição vegetal e manejo controlado da pastagem, a propriedade passou a ser apresentada como exemplo de como intervenções locais podem influenciar positivamente a dinâmica hídrica em área estratégica para o abastecimento.

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