Pesquisa científica mostra que o derretimento das calotas polares está modificando lentamente o formato da Terra, com elevação dos polos e afundamento na região equatorial, enquanto os oceanos apresentam um comportamento diferente nesse processo
O formato da Terra está mudando, e as mudanças climáticas têm participação nesse processo. Uma pesquisa publicada em setembro de 2026 identificou que os polos estão subindo enquanto a região equatorial afunda lentamente, deixando a parte sólida do planeta mais arredondada.
Estudo revela que formato da Terra está mudando mais rapidamente
A descoberta foi apresentada pelo pesquisador Christoforos Kotsakis, professor de geodesia da Universidade Aristóteles de Tessalônica, na Grécia.
Segundo o estudo publicado em 9 de setembro de 2026 na revista Journal of Geophysical Research: Solid Earth, o planeta apresenta alterações em sua superfície relacionadas à redistribuição de massa, incluindo o derretimento das grandes camadas de gelo.
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A Terra não é uma esfera perfeita. Por causa de sua rotação, apresenta um leve achatamento nos polos e uma protuberância na região do equador.
Entretanto, essa característica não é permanente. Os movimentos da crosta terrestre, o deslocamento da água e a perda de gelo podem modificar lentamente sua estrutura.
O levantamento analisou medições realizadas entre 1997 e 2015 e encontrou sinais de aceleração dessas mudanças.

Mudanças climáticas: Polos estão subindo até 1 milímetro por ano
Os resultados mostram que a elevação das regiões polares passou de aproximadamente 0,5 milímetro por ano, no final da década de 1990, para quase 1 milímetro anual no período mais recente analisado.
Ao mesmo tempo, regiões próximas ao equador apresentaram um movimento contrário, com afundamento de magnitude semelhante.
A pesquisa identificou ainda uma aceleração de aproximadamente 0,4 milímetro por ano a cada década na redução do achatamento da parte sólida do planeta.
São diferenças praticamente impossíveis de perceber no cotidiano. Mas, quando analisadas em escala global, mostram como a estrutura terrestre responde às mudanças na distribuição de massa.
Derretimento das calotas polares ajuda a explicar fenômeno
Um dos processos relacionados às alterações é a perda de gelo na Groenlândia e na Antártica.
As enormes camadas congeladas exercem pressão sobre a crosta terrestre. Quando parte desse gelo desaparece, o peso diminui, permitindo que o terreno se eleve.
Enquanto isso, a água redistribuída pelos oceanos modifica a pressão exercida sobre outras regiões do planeta.
Esse processo contribui para explicar por que a superfície sólida pode ficar menos achatada, mesmo enquanto a distribuição de água altera o campo gravitacional terrestre.
Segundo a União Geofísica Americana (AGU), os resultados ajudam a entender como o derretimento das geleiras modifica lentamente a geometria do planeta.

Oceanos apresentam comportamento diferente da superfície sólida
Um detalhe importante é que o arredondamento identificado não significa que toda a Terra esteja ficando mais esférica da mesma maneira.
A superfície rochosa e o campo gravitacional apresentam respostas diferentes à redistribuição de massa.
Enquanto a parte sólida fica menos achatada, o deslocamento da água em direção a latitudes mais baixas favorece um comportamento contrário na distribuição gravitacional de massa.
Para identificar essas diferenças, o pesquisador utilizou dados do Sistema Global de Navegação por Satélite (GNSS), capaz de detectar pequenos movimentos verticais da superfície.
Monitoramento poderá ajudar a entender os impactos climáticos
O estudo também encontrou diferenças entre as alterações geométricas e as mudanças observadas no campo gravitacional.
Isso indica que os dois fenômenos não evoluem necessariamente no mesmo ritmo.
A pesquisa ressalta limitações relacionadas à distribuição das estações de monitoramento, principalmente em regiões polares e áreas oceânicas.
Além disso, os dados analisados terminam em 2015. Portanto, o trabalho não confirma que a mesma aceleração continuou até 2026.
O avanço das medições poderá melhorar o acompanhamento da perda de gelo, dos movimentos da água e das deformações da crosta terrestre relacionadas às mudanças climáticas.
Dados e informações: livescience.
