Encontro em Pequim entre Xi Jinping e Vyacheslav Volodin simboliza a aliança sino-russa e prepara terreno para a Cúpula da Organização de Cooperação de Xangai, com mais de 20 países.
A recente reunião em Pequim não foi apenas diplomática: foi um ensaio público para a consolidação de uma nova ordem mundial multipolar, liderada por China e Rússia. Ao evocar a memória da Segunda Guerra Mundial, Xi Jinping e Vyacheslav Volodin buscaram legitimidade histórica para justificar o papel central que pretendem assumir no equilíbrio internacional.
Segundo analistas citados por Lena Petrova, o gesto é claro: Moscou e Pequim não atuam mais apenas como parceiros bilaterais, mas como os dois pilares de um sistema que pretende reduzir a hegemonia ocidental.
A memória da Segunda Guerra como legitimidade política
Xi Jinping afirmou que as relações sino-russas são hoje “as mais estáveis e estrategicamente importantes do mundo”. O discurso remeteu ao passado, quando milhões de chineses e soviéticos morreram para derrotar o fascismo. Ao recuperar essa narrativa, ambos os governos procuram apresentar-se como defensores legítimos contra o que chamam de “revisionismo ocidental”.
-
A pedido dos EUA, o México cede e prepara uma barreira tarifária contra a China para construir a “Fortaleza América do Norte” de Trump
-
‘Trump vai descer a pancada’ no Brasil, diz economista: apoio à China, moeda dos BRICS, risco de sanções e fuga de capital assustam mercado e isolam país de aliados históricos
-
Trump chama economia indiana de “morta”; resultado: Índia se aproxima da China e dos BRICS e isola os EUA na Ásia
-
Nada de BRICS nem Europa, esses são os dois parceiros que o Brasil acionou após o tarifaço dos EUA
Volodin reforçou a mesma linha ao declarar que China e Rússia já lutaram lado a lado e precisam fazê-lo novamente, desta vez em defesa da soberania e de uma ordem global equilibrada. Essa construção simbólica prepara o terreno para ampliar a coalizão no cenário internacional.
A Organização de Cooperação de Xangai como vitrine da multipolaridade
O encontro também funcionou como prévia da Cúpula da Organização de Cooperação de Xangai (OCS), marcada para 31 de agosto na China, que reunirá mais de 20 países e 10 organizações internacionais, incluindo Índia e Belarus.
Para analistas, a mensagem não é de confronto direto contra os Estados Unidos, mas de busca por alternativas ao domínio exclusivo do Ocidente em instituições globais. Blocos como BRICS e OCS são apresentados como plataformas de cooperação baseadas em soberania, desenvolvimento compartilhado e respeito mútuo.
Uma parceria que vai além da economia
Embora comércio e energia sejam dimensões importantes, Pequim e Moscou demonstram que seu alinhamento é também político e ideológico. A cooperação em segurança, a integração tecnológica e a coordenação diplomática em fóruns multilaterais indicam que a aliança sino-russa já se projeta como pedra angular da multipolaridade.
Nesse cenário, a reunião de Pequim simbolizou um marco: o eixo formado por China e Rússia não se limita mais a defender seus interesses imediatos, mas a se apresentar como alternativa estrutural ao modelo ocidental de governança global.
O encontro em Pequim deixa claro que a nova ordem mundial multipolar não é apenas uma tese acadêmica, mas um projeto político em andamento, no qual China e Rússia buscam se legitimar tanto pelo passado quanto pelo futuro.
E você, acredita que esse movimento fortalece um equilíbrio justo entre as potências ou apenas substitui uma hegemonia por outra? Deixe sua opinião nos comentários — queremos ouvir sua análise sobre esse cenário.