Tarifas de Trump ilegais, mas válidas até 14/10; Brasil ativa Lei de Reciprocidade e cogita MNT e taxar luxo, citando histórico de US$ 829 mi
O Brasil está diante de uma nova rodada de tensão comercial com os Estados Unidos. Enquanto o governo de Donald Trump tem suas tarifas comerciais consideradas ilegais, o país seguirá com essas taxas até 14 de outubro, aguardando um possível recurso à Suprema Corte. Diante desse cenário, o Brasil prepara-se para reagir, com a possibilidade de usar a Lei de Reciprocidade e taxar produtos de luxo americanos. A crise interna no Brasil, com o julgamento de Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF), só piora a situação.
O governo brasileiro, cauteloso, cogita usar medidas não tarifárias (MNT) para não agravar ainda mais o conflito. Essas medidas podem envolver desde barreiras sanitárias até regulamentos digitais, afetando diretamente o comércio, mas sem recorrer a tarifas altas. Essa estratégia é vista como mais simbólica, mas com forte impacto econômico e político, criando um novo campo de disputa.
O cenário de tensão entre os países
O que começou com uma disputa comercial entre os dois países por tarifas altas sobre certos produtos, agora se intensifica com disputas políticas internas. Se o STF condenar Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado, isso pode agravar as relações com os EUA, especialmente porque o ex-presidente tem sido uma das principais demandas de Trump. Isso abre uma possibilidade de rejeição por parte dos EUA ou de novas retaliações ao Brasil.
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Com o cenário político tenso, o governo brasileiro está avaliando o custo-benefício das alternativas de retaliação, com a Camex (Câmara de Comércio Exterior) avalizando as ações, o que pode resultar em respostas não tarifárias. Embora o setor privado peça uma abordagem mais suave, a opção por taxar produtos de luxo visa uma resposta mais simbólica sem afetar de forma tão direta a economia interna.
A Lei de Reciprocidade e as Medidas Não Tarifárias (MNT)
Em vez de aplicar tarifas altas que comprometeriam ainda mais a economia, o governo focará em medidas não tarifárias, como restrições sanitárias, técnicas e digitais. Essas barreiras comerciais podem mudar o fluxo de produtos entre os dois países, mas sem impactar diretamente os preços, como as tarifas tradicionais.
As reclamações de empresas dos EUA sobre as novas regras no Brasil, como as taxas de uso de redes e os tributos sobre dados, tornam essa estratégia ainda mais relevante. Em vez de afetar diretamente o consumidor com tarifas altas, o governo tenta equilibrar a situação sem tornar o mercado brasileiro hostil, mas com efeitos no longo prazo.
O histórico de disputas e o futuro da relação Brasil-EUA
Esse tipo de embate comercial não é novo. Em 2009, por exemplo, a OMC permitiu que o Brasil retaliaria os EUA em até US$ 829 milhões, devido a uma disputa sobre algodão. Na época, os EUA acabaram pagando compensações ao Brasil. Agora, no entanto, o ambiente político com Trump torna qualquer negociação mais complicada.
Essa estratégia mais sutil do Brasil visa preservar as relações comerciais sem enfrentar as pesadas tarifas do passado, mas a verdadeira questão será como o governo lidará com as reações dos EUA no futuro próximo.
O Brasil enfrenta uma crise política e comercial que exigirá uma resposta cuidadosa, sem prejudicar o mercado e a economia interna. Enquanto as tarifas de Trump seguem sendo um peso, o governo busca alternativas estratégicas, como taxar produtos de luxo e aplicar medidas não tarifárias. A expectativa é de que, ao longo do tempo, isso consiga reequilibrar as relações com os EUA, sem causar danos excessivos ao Brasil.
Você acha que essa estratégia vai funcionar para o Brasil? Ou será que as retaliações não tarifárias não são suficientes? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe suas ideias sobre o futuro dessa relação comercial com os Estados Unidos.