Medida pode afetar diretamente automóveis, têxteis e plásticos, e faz parte de uma grande iniciativa para reduzir a dependência das cadeias de suprimentos chinesas.
O México está se preparando para um aumento significativo nas tarifas de importação sobre produtos da China. A proposta, que pode marcar uma das mudanças comerciais mais acentuadas do país, atende a um pedido de autoridades dos Estados Unidos e deve ser submetida ao Congresso mexicano no próximo mês, como parte do orçamento de 2026.
A pressão americana para uma “Fortaleza América do Norte”
Autoridades em Washington defendem a medida. O objetivo é fortalecer a iniciativa do presidente dos EUA, Donald Trump, de construir uma “Fortaleza América do Norte“. A estratégia busca reduzir a dependência das cadeias de suprimentos chinesas.
Trump critica o que chama de “brechas” no Acordo EUA-México-Canadá (USMCA), que permitem a entrada de produtos chineses nos Estados Unidos. Durante sua campanha, ele criticou duramente as montadoras chinesas que instalaram fábricas no México para exportar veículos para o mercado americano. “Eu disse a eles: ‘Se fizerem isso, vamos impor tarifas de 200%, 250%. Vocês nunca vão vender um carro sequer neste país'”, afirmou.
-
A Lei da Reciprocidade Econômica recém-criada dá ao Brasil poder inédito: retaliar tarifas dos EUA não só com taxação de produtos, mas também atingindo propriedade intelectual e investimentos americanos
-
‘Trump vai descer a pancada’ no Brasil, diz economista: apoio à China, moeda dos BRICS, risco de sanções e fuga de capital assustam mercado e isolam país de aliados históricos
-
A reunião não foi apenas diplomática: foi um ensaio público da China e da Rússia para assumir juntas a liderança da nova ordem mundial multipolar
-
Trump chama economia indiana de “morta”; resultado: Índia se aproxima da China e dos BRICS e isola os EUA na Ásia
O impacto do comércio chinês na economia mexicana
As importações do México vindas da China ultrapassaram US$ 51 bilhões no ano passado. Esse valor representa quase um quinto de todas as compras externas do país. O crescimento rápido tornou o México o principal mercado externo para os veículos chineses.
Contudo, essa expansão gerou reclamações de fabricantes locais. Eles apontam uma concorrência desleal por parte de produtos subsidiados. As novas tarifas planejadas poderiam, eventualmente, ser estendidas a outras nações asiáticas, mas o foco principal permanece na China.
Medidas anteriores e a estratégia do “plano México”
A proposta se baseia em ações já existentes para restringir o comércio eletrônico chinês. Desde janeiro, o governo do México impôs taxas sobre encomendas de baixo valor de plataformas como Shein e Temu, que já chegam a 33,5%.
As novas tarifas estão sendo incorporadas ao “Plano México“. Essa é uma estratégia mais ampla para expandir parques industriais e direcionar investimentos públicos para a manufatura. Além disso, o governo busca aumentar a receita, já que enfrenta um déficit orçamentário de 5,9% do PIB em 2024, o maior em mais de três décadas.
A posição da China e os próximos passos no congresso
O Ministério das Relações Exteriores da China criticou o plano. O porta-voz Guo Jiakun afirmou que o país “se opõe firmemente a medidas tomadas sob coerção para restringir a China”. Ele acrescentou que Pequim espera que o México “mantenha a independência e lide adequadamente com os assuntos relevantes”.
Os detalhes finais das tarifas ainda não foram definidos. A proposta de orçamento será apresentada ao Congresso do México em 8 de setembro. Os legisladores debaterão o pacote nos próximos meses, definindo o futuro da relação comercial entre o país e a China.