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A muralha de pedra de 118 km e torres imponentes que separou os romanos dos povos do norte por 300 anos

Publicado em 04/08/2025 às 23:20
Atualizado em 05/08/2025 às 12:49
Muralha de Adriano, Muralha, Romanos
Foto: Praia do Pôr do Sol / Wikimedia Commons / CC BY 3.0
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A Muralha de Adriano marcou o limite do Império Romano por séculos, revelando vestígios de guerra, vida cotidiana e resistência no norte da Inglaterra

A Muralha de Adriano marcou por 300 anos o limite mais setentrional do Império Romano. Ela se estende por cerca de 118 quilômetros no norte da Inglaterra, entre Bowness-on-Solway, a oeste, e Wallsend, a leste.

A construção começou por volta de 122 d.C., logo após a visita do imperador Adriano, que governou entre 117 e 138 d.C.

Seu objetivo era consolidar as fronteiras do Império. Inglaterra e País de Gales estavam sob domínio romano desde 61 d.C., após a derrota da rainha Boudica. Já a Escócia resistiu, graças aos caledonianos, que impediram a ocupação permanente.

Essa resistência levou Adriano a criar uma barreira defensiva, separando o sul romanizado do norte ainda independente.

Estrutura e dimensões da muralha

Soldados das legiões II, VI e XX construíram a muralha com materiais locais. A parte leste, de pedra, media 65 km de comprimento, 3 metros de largura e cerca de 4,4 metros de altura. Depois, foi estendida até Wallsend.

A parte oeste, feita de turfa, se estendia por 47 km até Bowness-on-Solway. Sua largura chegava a 5,9 metros. Segundo o pesquisador Nic Fields, a escolha da turfa indicava pressa em concluir essa seção.

Ao norte da muralha, havia um fosso em formato de V. Ao sul, foi construído o “vallum”, outro fosso ladeado por grandes montes de terra, funcionando como defesa adicional.

A cada milha, havia um “castelo de milha”, com um pequeno portão e capacidade para alguns soldados. Entre eles, duas torres eram erguidas. Fortalezas maiores apareciam a cada 11 km, com até 9 acres de área e formato retangular.

Essas fortalezas incluíam prédios como a principia (quartel-general), o pretório (residência do comandante) e celeiros (horrea). Os quartéis e outras estruturas ocupavam as áreas dianteira e traseira.

Mulheres na fronteira

Escavações no forte de Vindolanda revelaram centenas de tábuas de madeira com inscrições latinas. Elas mostram que alguns comandantes viviam com suas esposas, como Sulpícia Lepidina e Cláudia Severa, que trocavam cartas.

Essas mensagens tratavam de assuntos cotidianos, como convites para visitas. Cláudia, por exemplo, convidou Sulpícia para seu aniversário, dizendo que a presença da amiga tornaria o dia mais agradável.

Soldados de patentes inferiores não podiam se casar oficialmente, mas muitos mantinham esposas e filhos em assentamentos próximos, mesmo contrariando as regras.

Vestígios do cotidiano

Vindolanda também preservou milhares de artefatos de couro. Foram encontrados painéis de tenda, selas, bolsas e principalmente sapatos de homens, mulheres e crianças, provando que a vida militar incluía famílias.

No forte de Magna, arqueólogos encontraram sapatos equivalentes ao tamanho 14 masculino nos EUA. Eles podem indicar soldados muito altos ou o uso de camadas extras para enfrentar o frio e a umidade.

Além disso, surgiram espadas de brinquedo, possivelmente usadas por filhos de soldados, e evidências de percevejos que infestavam os acampamentos.

Mudanças ao longo dos séculos

Após a morte de Adriano, seu sucessor Antonino Pio abandonou a muralha e avançou para o norte, construindo a Muralha de Antonino na Escócia. Essa conquista durou pouco e, ao fim de seu reinado, a Muralha de Adriano foi retomada.

Houve modificações importantes, como substituir trechos de turfa por pedra e construir uma estrada militar ao sul. Com o tempo, as torres foram desativadas e os portões estreitados.

No século IV, sob maior pressão militar, alguns portões foram bloqueados totalmente.

Declínio e reutilização

Com o colapso do Império Romano no século V, a muralha perdeu função estratégica. Suas pedras foram reaproveitadas para castelos medievais.

Um ponto icônico da muralha era o Desfiladeiro dos Sicômoros, com uma árvore centenária que atraía visitantes. Em 2023, ela foi derrubada ilegalmente, e os responsáveis responderam por danos à árvore e à própria muralha.

Muralha de Adriano: um símbolo histórico

Ao longo dos séculos, a Muralha de Adriano deixou de ser apenas uma estrutura militar para se tornar um símbolo da presença romana na Grã-Bretanha.

Mesmo com partes destruídas ou reaproveitadas, ela continua atraindo pesquisadores, turistas e curiosos, preservando histórias de resistência, adaptação e vida cotidiana no limite do Império.

Com informações de Live Science.

Você também pode gostar: Romanos transformaram fóssil de 450 milhões de anos em joia usada como amuleto espiritual e isso é surpreendente

Simulações de computador do exemplar de trilobita achado montado para uso como ornamento pessoal
Simulações de computador do exemplar de trilobita achado montado para uso como ornamento pessoal. Foto: Foto: Fernández et al.

Pesquisadores fizeram uma descoberta incomum no sítio arqueológico romano de “A Cibdá de Armea”, localizado perto da cidade de Ourense, na Espanha. Durante escavações no local, uma trilobita fossilizada foi encontrada em meio a restos de cerâmica, moedas e ossos de animais. O fóssil, com cerca de 4 centímetros, pode ter sido usado como joia ou amuleto entre os séculos 1 e 3 d.C.

As trilobitas são animais marinhos extintos, que viveram entre 520 e 250 milhões de anos atrás. Eram artrópodes, com corpo segmentado e aparência semelhante a um besouro blindado.

Apesar de serem bem conhecidas pela ciência atual, com mais de 22 mil espécies descritas, fósseis desse tipo em contextos arqueológicos são extremamente raros.

Segundo a revista La Brújula Verde, essa é a primeira trilobita encontrada em um sítio do Império Romano.

Em todo o mundo, só se conhecem 11 exemplares ligados a culturas antigas. O item encontrado em Armea se destaca por apresentar sete marcas de desgaste artificial, localizadas em sua face inferior, o que indica que foi adaptado para uso como pingente ou pulseira.

O artigo que descreve o achado foi publicado em 15 de julho na revista Archaeological and Anthropological Sciences.

A equipe responsável concluiu que a trilobita pertence ao gênero Colpocoryphe sp. e viveu durante o período Ordoviciano, há cerca de 450 milhões de anos.

A coloração avermelhada e a fossilização em óxido de ferro sugerem que o fóssil não é originário da Galícia, mas sim do centro-sul da Península Ibérica.

A possível origem inclui regiões como Toledo, Ciudad Real ou Badajoz, distantes mais de 430 km de Armea.

Para os pesquisadores, o transporte desse objeto até o local pode estar ligado às antigas rotas comerciais do Império Romano, especialmente a Via da Prata.

Essa via conectava cidades importantes da época, como Mérida (Emerita Augusta) e Astorga (Asturica Augusta).

O trilobita pode ter viajado com metais e outros bens como um objeto único e exclusivo, valorizado na Galícia por suas propriedades protetoras e curativas”, afirma o estudo.

Outra hipótese é que um visitante da região da Lusitânia tenha trazido o fóssil, atraído pela mineração da área onde ele foi achado.

Na Roma Antiga, fósseis costumavam ser considerados objetos místicos. Restos de grandes animais, por exemplo, eram associados a criaturas mitológicas.

Já os invertebrados fossilizados, como as trilobitas, eram tidos como amuletos de proteção contra forças sobrenaturais. A equipe aponta que o exemplar de Armea provavelmente teve essa função.

Marcas na base do fóssil sugerem que ele foi fixado em algum suporte, como couro ou metal, deixando sua face superior visível.

A forma segmentada e o desenho característico podem ter ajudado a reforçar sua função simbólica. Uma possibilidade considerada é que o item tenha sido parte de um lararium, altar doméstico usado em casas romanas para oferendas e rituais.

Esse uso se baseia na inscrição “MAXSIMVS” encontrada junto ao objeto. A palavra pode indicar que o local era um espaço sagrado de uma casa de alto status, onde o fóssil servia como símbolo espiritual ou protetor da família.

Além disso, os pesquisadores lembram que o formato das trilobitas pode ter influenciado uma peça decorativa típica da Roma Antiga: a conta de colar conhecida como trilobitenperlen.

Feitas de vidro preto ou azeviche, essas contas imitavam a aparência segmentada do fóssil e eram populares entre mulheres e crianças.

Embora nenhuma dessas joias tenha sido encontrada em Armea, elas reforçam a ideia de que a trilobita podia ter um papel protetor e simbólico.

O achado em Armea amplia o conhecimento sobre o uso de fósseis em tempos antigos e mostra como objetos naturais eram reaproveitados com outros significados no mundo romano.

A presença do fóssil em um lixão indica que, em algum momento, ele perdeu seu valor ou se quebrou, sendo então descartado.

Ainda assim, trata-se de um dos poucos exemplares de trilobita com evidência de modificação humana e uso simbólico em contexto arqueológico romano.

A descoberta levanta novas questões sobre o comércio de fósseis e seu valor espiritual em diferentes regiões do Império.

Com informações de Revista Galileu.

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Cezar
Cezar
06/08/2025 17:07

Bela matéria,parabéns!

André Generoso
André Generoso
06/08/2025 16:11

Excelente matéria, parabéns!!!

Rosangela
Rosangela
05/08/2025 22:21

Assunto rico e extremamente intetresante para o conhecimento histórico da humianidade, vivido há anos e ainda permanece vivo para o nosso saber.👏👏👏👏👏👏

Romário Pereira de Carvalho

Já publiquei milhares de matérias em portais reconhecidos, sempre com foco em conteúdo informativo, direto e com valor para o leitor. Fique à vontade para enviar sugestões ou perguntas

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