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A ciência explica por que carros elétricos dão mais enjoo: cérebro ainda está programado para o barulho e vibração dos motores a combustão

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 19/07/2025 às 18:00
A ciência explica por que carros elétricos dão mais enjoo: cérebro ainda está programado para o barulho e vibração dos motores a combustão
Foto: IA
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Descubra como a ausência de barulho e vibração no carro elétrico impacta seu corpo. Estudos explicam por que carros elétricos enjoam mais e como o cérebro acostumado com motores a combustão reage aos veículos silenciosos

Os carros elétricos estão cada vez mais presentes nas ruas do Brasil e do mundo, mas muitos motoristas e passageiros relatam uma sensação inesperada ao fazer viagens nesses veículos: o aumento do enjoo. Segundo estudos recentes, a ciência tem uma explicação clara para esse fenômeno. O nosso cérebro ainda está condicionado aos estímulos sensoriais provocados pelos motores a combustão, como o barulho constante e as vibrações típicas do funcionamento mecânico.

Neste artigo, você vai entender por que carros elétricos enjoam mais, o papel do barulho e das vibrações no equilíbrio corporal, e como os avanços tecnológicos podem ajudar a reduzir essa sensação incômoda. Vamos detalhar as descobertas científicas mais recentes e explicar de forma simples como o cérebro reage aos novos padrões sensoriais dos veículos elétricos.

Por que carros elétricos enjoam mais? Entenda o que dizem os cientistas

Um estudo publicado pela revista científica Frontiers in Psychology revelou que o enjoo em carros elétricos é mais comum do que se imaginava, principalmente entre passageiros acostumados a veículos tradicionais. A pesquisa aponta que a ausência do barulho do motor e da vibração do carro elétrico são os principais responsáveis por essa diferença sensorial.

Estudos científicos indicam que o cérebro humano se adapta aos estímulos sensoriais do ambiente, e mais de um século de convivência com veículos a combustão criou um padrão de percepção baseado em sons e vibrações característicos.

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A troca por veículos silenciosos e com aceleração mais linear acaba gerando um conflito entre a percepção visual e o sistema vestibular (responsável pelo equilíbrio), aumentando a sensação de mal-estar.

Cérebro acostumado aos motores a combustão reage negativamente à ausência de estímulos

O cérebro acostumado com motores a combustão associa sons e vibrações a uma referência de movimento. Quando esses estímulos desaparecem, o organismo interpreta que há um desequilíbrio, semelhante ao que ocorre em situações de enjoo por movimento, como em barcos ou aviões.

Essa desconexão entre o que vemos (movimento do carro) e o que sentimos (ausência de vibração e ruído) é um dos principais motivos para o aumento do enjoo em veículos elétricos.

Como barulho do motor reduz enjoo?

Por mais que o silêncio seja um dos principais atrativos dos veículos elétricos, o barulho do motor reduz enjoo em situações práticas. O som, mesmo que inconsciente, funciona como uma pista para o cérebro entender que o corpo está em movimento.

Estudos feitos pela Brigham Young University, nos Estados Unidos, mostraram que sons ritmados e vibratórios ajudam a sincronizar as informações sensoriais recebidas pelo corpo, reduzindo significativamente os sintomas de enjoo em viagens de carro.

Por isso, a ausência total de ruídos nos elétricos pode acabar tendo um efeito colateral indesejado para algumas pessoas.

Empresas como a Mercedes-Benz e a BMW já estudam a introdução de sons artificiais, não apenas para segurança dos pedestres, mas também para minimizar o desconforto dos ocupantes. O uso de ruídos específicos durante a aceleração, por exemplo, tende a ajudar o cérebro a manter uma referência estável.

Vibração do carro elétrico é menor, e isso afeta o equilíbrio corporal

Outro ponto relevante para o aumento do enjoo em carros elétricos é a quase completa eliminação das vibrações mecânicas. Enquanto veículos a combustão geram tremores provenientes do motor, câmbio e escape, os elétricos são muito mais suaves, especialmente em baixas velocidades.

Essa redução da vibração do carro elétrico contribui para uma viagem mais silenciosa, porém, também retira estímulos importantes para o sistema vestibular. Pesquisas publicadas na Frontiers in Psychology e reportagens do The Guardian apontam que passageiros mais sensíveis tendem a sentir mais tontura, náusea e desconforto em ambientes urbanos devido ao conflito sensorial gerado pela suavidade do movimento e pela falta de estímulos táteis e sonoros.

Os pesquisadores destacam que isso ocorre principalmente em pessoas que estão utilizando celulares ou lendo durante a viagem, uma situação em que o conflito sensorial se intensifica pela ausência de referências sonoras e táteis.

Soluções tecnológicas podem ajudar a combater o enjoo em veículos elétricos

Montadoras já estão cientes do problema do enjoo em carros elétricos e buscam soluções inteligentes para minimizar a sensação de desconforto. Algumas estratégias em desenvolvimento incluem:

  • Sons artificiais no interior do veículo: como já citado, o uso de sons específicos pode ajudar o cérebro a manter uma percepção correta do movimento.
  • Simulação de vibrações controladas: empresas estudam o uso de pequenos motores vibratórios no assento ou no volante, com o objetivo de recriar estímulos sensoriais típicos dos motores a combustão.
  • Ajustes na suspensão ativa: veículos com suspensão adaptativa podem ser programados para simular pequenas vibrações, principalmente em viagens mais longas.
  • Tecnologia de realidade aumentada: fabricantes como a Audi trabalham em head-up displays que auxiliam na redução do conflito sensorial, fornecendo informações em tempo real sobre velocidade e aceleração.

Estas soluções ainda estão em desenvolvimento, mas mostram um caminho promissor para reduzir o enjoo em veículos elétricos, sem comprometer as vantagens do silêncio e do conforto.

A evolução da mobilidade e os desafios sensoriais dos veículos modernos

A transição global para a mobilidade elétrica traz inegáveis benefícios ambientais, como a redução de emissões de poluentes e menores custos de manutenção. No entanto, a ciência confirma que o corpo humano ainda precisa se adaptar a essa mudança. O cérebro acostumado com motores a combustão reage negativamente à ausência de estímulos sensoriais, o que gera mais casos de enjoo em carros elétricos.

Especialistas afirmam que essa é uma reação temporária e que, ao longo do tempo, o cérebro deve se acostumar aos novos padrões sensoriais. Assim como aconteceu com outros meios de transporte, o período de adaptação pode variar de pessoa para pessoa, mas a tendência é que as tecnologias embarcadas consigam equilibrar melhor o conforto acústico e sensorial.

Adaptação é a chave para reduzir o enjoo em veículos elétricos

Os estudos científicos deixam claro que a ausência de barulho do motor reduz enjoo em alguns casos, mas pode provocar o efeito contrário em pessoas sensíveis, devido ao conflito sensorial gerado pela falta de ruído e vibração. O enjoo em veículos elétricos é um fenômeno real, ligado diretamente à forma como o cérebro interpreta o movimento.

A boa notícia é que a indústria automotiva já trabalha em soluções eficazes para minimizar esse desconforto. Seja através de sons artificiais, vibrações simuladas ou tecnologia de ponta, o objetivo é tornar as viagens mais agradáveis, respeitando as necessidades do corpo humano.

Com o avanço da mobilidade elétrica, o conhecimento científico será fundamental para garantir uma adaptação saudável e confortável a esse novo modelo de transporte. Fique atento às próximas inovações que prometem transformar completamente a experiência a bordo dos veículos do futuro.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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