De inventora do mouse e da interface gráfica a case de fracasso: como a Xerox perdeu 90% do mercado e virou exemplo de erro estratégico
A Xerox foi sinônimo de cópia no Brasil e dominou mais de 90% do mercado de impressoras e copiadoras nos anos 1990. Porém, como lembra o economista José Kobori, seu maior erro não foi tecnológico, mas estratégico. A empresa inventou algumas das ferramentas mais importantes da era digital — o mouse, a interface gráfica e até o touchscreen —, mas não soube aplicá-las fora do universo das copiadoras. O resultado foi a perda de espaço para empresas que souberam enxergar além, como Apple e Microsoft.
O laboratório que criou o futuro
A Xerox mantinha nos Estados Unidos o famoso Palo Alto Research Center (PARC), com mais de 500 cientistas. Foi lá que nasceram conceitos que definiram a informática moderna: o mouse, os ícones, a interface gráfica e o uso de telas sensíveis ao toque. Porém, a direção da empresa acreditava que todo avanço deveria ser incorporado às máquinas de escritório, ignorando o potencial de criar novos produtos.
Enquanto a Xerox deixava suas ideias de lado, Steve Jobs levou o conceito da interface gráfica para o Macintosh e Bill Gates transformou a mesma lógica em base para o Windows. Ambos construíram impérios a partir de invenções que poderiam ter feito da Xerox uma líder global em tecnologia.
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O erro em não apostar no mercado doméstico
Outro equívoco grave foi não acreditar na descentralização da impressão. A Xerox detinha 75% das patentes de jato de tinta, mas ignorou a possibilidade de cada família ou escritório pequeno ter sua própria impressora. Enquanto isso, empresas concorrentes ocuparam esse espaço e conquistaram um mercado bilionário, deixando a Xerox restrita ao setor corporativo.
Esse erro de avaliação foi comparado ao da Kodak, que inventou a fotografia digital, mas preferiu proteger o filme fotográfico. Em ambos os casos, a inovação existia, mas a incapacidade de enxergar tendências custou o futuro das empresas.
Gestão e perda de clientes estratégicos
A Xerox também errou na forma de se relacionar com seus maiores clientes. O modelo de gestão excessivamente vertical afastou executivos da realidade do mercado e criou conflitos internos. No Brasil, por exemplo, o Banco do Brasil chegou a ter 25 mil equipamentos da marca, mas a falta de adaptação e de flexibilidade abriu espaço para concorrentes.
A consequência foi dura: a Xerox perdeu mais de 90% de participação no mercado de copiadoras, que ela mesma havia criado. Mesmo tendo sido pioneira em tecnologias que mudaram o mundo, sua incapacidade de transformar pesquisa em produto a deixou para trás.
A trajetória da Xerox mostra que não basta inventar o futuro — é preciso acreditar nele e aplicá-lo com visão estratégica. A empresa que deu ao mundo o mouse, os ícones e o touchscreen acabou lembrada como um dos maiores cases de fracasso empresarial da história.
E você, acredita que a Xerox poderia ter sido a líder global de tecnologia se tivesse aproveitado suas invenções? Ou o destino da empresa já estava traçado pelo modelo de negócios? Deixe sua opinião nos comentários — queremos ouvir sua análise sobre essa lição histórica.